Há quem busque o próximo jogo pelas mecânicas ou pelo designer, mas o tema, para muitos, é sempre caro. Já vi vários jogadores, incluindo os eurogamers, que decidem sua compra pelo tema. Não só pelo lado bom, mas pelo ruim também. Como assim? Se o tema tem um “que” de repugnante, ele passa longe. Eu particularmente amo temáticas diferentes e não é porque o jogo “junta” pedaços de cadáveres que eu vou deixar de jogá-lo. Muito pelo contrário. Penso que os board games são como qualquer outra mídia criativa, quando usamos o lúdico para vivenciar aquilo que seria impossível na vida real. Caso contrário, por que estaríamos assistindo a um filme de terror?
Respeito a opinião de todos, mas se eu vejo um jogo que fala, por exemplo, de uma época onde havia escravizados, não apenas vou jogá-lo como, também, vou me inteirar sobre o tema, discuti-lo. Mas não é sobre isso o artigo de hoje. Hoje quero falar sobre os temas malditos, aqueles que podem realmente afastar pessoas. Quanto mais diferente, melhor. Se alguém aí nunca parou para observar o quanto as temáticas podem ser “horrorosas”, trago alguns exemplos:
Grind House - você vai parar em uma mansão, que já foi o maior matadouro do estado, para participar de um joguinho. Durante esse jogo você simplesmente vai perdendo partes do seu corpo... Assim, se sobreviver com uma perna e um braço, pode se considerar um sortudo!
Abomination: The Heir of Frankenstein - o tema pode ser conhecido ("ah, é sobre o Frankenstein"), o problema é como se chega no seu monstrinho. Você tem de sair catando ossos, órgãos humanos, membros, sangue... Tudo para construir o seu Frank. E não conseguiu achar isso escavando o cemitério ou indo ao necrotério? Sem problema, você pode matar alguém no beco e pegar os pedaços fresquinhos só pra você.
Exploding Kittens - gatinhos são fofos e queridos (para a maioria das pessoas), então, vamos fazer um jogo onde temos uma "roleta russa" de gatinhos que podem explodir na sua cara! Rá!
This War of Mine: The Board Game - Você controla um grupo de amigos em uma cidade sitiada (e devastada) e seu único objetivo é sobreviver. Você luta, briga, mata para sobreviver, para comer, para escolher. Mostra com afinco (e detalhes escabrosos) o quão obscura pode ser a humanidade quando a situação é desfavorável (no caso, o Cerco de Sarajevo).
O Albergue Sangrento - o que dizer desse tema, onde somos donos de um albergue e descobrimos a galinha dos ovos de ouro: matamos os hóspedes, enterramos no quintal e, claro, antes disso, pegamos seus pertences. Não só isso, temos de subornar pessoas e tomar cuidados para que os defundos, que são muitos, não fiquem à mostra. Genial.
Dungeon Petz (Dungeon Lords) - coloquei os dois juntos porque num deles você cria, como pet, os monstros que vão habitar as masmorras e, posteriormente, mastigar pessoas. Ah, e eles cagam. Sim, eles cagam. No segundo você é um dono de masmorra e a ideia é justamente prepará-la para lascar a vida de qualquer aventureiro humano que se aproximar.
Pixie Queen - é sobre a rainha de fadas, que reina sobre suas subordinadas como uma tirana. Além de roubar, praticar bullying e torturar, tudo em nome de nossa rainha, nós, fadas, temos de trabalhar direito no jogo, caso contrário, simplesmente levamos chicotadas!
So, You've Been Eaten - você é um minerador e os cristais mais valiosos estão dentro de gigantescas bestas espaciais. E para conseguir minerar esses cristais, bem, você primeiro deve ser devorado por essas criaturas! Aquele que conseguir fazer o melhor trabalho e não for digerido pela coisa, vence.
Gloom - O mundo é um lugar triste, cheio de dívida, doença, ataque cardíaco... e quanto mais mazelas você vive, melhor (?) a recompensa após a morte. Pois é, nesse jogo você quer que seus personagens sofram as maiores tragédias possíveis antes de morrer. Quanto pior, melhor.
Esses foram apenas alguns que vieram à mente de bate-pronto. Você lembra de algum jogo cujo tema é “duvidoso”, mas que as pessoas adoram? Cite esses malditos temas legais, por favor!
Luciano Marques