Olá!
Eu sou o Davi e você está no Análise Escrita.
Declaro a todos que estou cansado.
Vivo atualmente uma rotina insalubre.
Acordo às 5, saio às 5:40, entro no serviço as 6:30, saio às 16, pego o bebê na creche às 16:20, chego em casa às 16:40, o bebê dorme as 19:30, saio para o Jiu jitsu as 20:40, volto às 23:00, tomo banho e me deito para repetir tudo no outro dia.
No fim de semana é limpar a casa, cozinhar e se sobrar tempo no fim da noite talvez (e só talvez) jogar algo que não seja muito longo.
A TV? Hoje é sexta, não a ligo desde domingo.
No máximo, no tempo que tenho na sala eu falo: "Alexa tocar CBN São Paulo".
Passo um pouco do meu tempo nesse fórum, um pouco jogando algo no BGA ou tentando a atenção de um ou outro amigo no Whatsapp ou Telegram.
Mas as pessoas também estão estafadas em suas próprias rotinas, então essa atenção muitas vezes não vem.
Trabalhava em dupla no serviço, isso era bacana porque me permitia falar sobre as mais absurdas barbaridades nos deslocamentos até às próximas supervisões, mas uma outra colega já está sem dupla a certo tempo e minha chefe achou melhor eu trabalhar sozinho por uns tempos (elogiosamente, me deixou sozinho porque "eu dou conta").
Curiosamente, esse foi um dos melhores meses de jogatina recentemente.
Longe de ser o mês com mais jogatinas, mas consegui estrear algumas pérolas paradas como Targi:

Joguei também o The Game

"Gentil presente do amigo filipes2375"
E conheci o incrível Brass: Birmingham, jogo maravilhoso que explodiu minha cabeça com suas mecânicas simples e elegantes.
Realmente incrível ver como um jogo tão simples pode ser tão bem amarrado.

Mas me sinto cansado com o Hobby meus amigos.
A quantidade de lançamentos, o bombardeio diario de informações, o melhor jogo do mundo que é lançado toda semana, tem me causado ansiedade.
O FOMO descontrolado, mesmo que eu não tenha comprado quase nada ultimamente, tem me enchido o saco a tal ponto.
Já nem me recordo qual era o melhor jogo do mundo, aquele que ia esgotar e você ficaria chupando o dedo porque não comprou.
Desde que entrei no hobby, esse jogo já foi Terraforming Mars, Ark Nova, Cofre Rush, Shackleton Base, Moon Colony Bloodbath, The Witcher, Sky Team, Clank, wyrmspan, todo jogo é um novo santo Graal para ser substituído por um novo santo Graal na próxima semana.
E isso cansa pra caramba meus amigos.
Cada vez mais, me dou conta de que não compro o tempo necessário para jogar aquele jogo quando ele entra na minha prateleira.
Minha vontade de jogar é alta, mas minha vontade de jogar algo novo tem sido cada vez mais baixa.
Estou comprando o papelão, o plástico, a madeira.
Mas não compro o tempo.
Quero diminuir minha coleção, mas quero antes diminuir meu apego por essa coleção que em partes me faz mal.
Outra coisa que me cansa atualmente é a IA, e o medo que ela me causa.
Não sou hipócrita de dizer que não a utilizo em imagens usadas neste mesmo canal.
Mas tenho medo do quanto ela está sendo usada em textos.
Acho que a IA nos desumaniza.
Sobretudo no ponto em que ela mata aquilo que nos torna mais humanos, a criatividade, a vontade de pensar, a vontade de fazer o novo.
Tenho medo de um futuro distópico onde a IA ocupe um lugar ainda maior em nossas vidas, onde ela decida por mim ou por você o que é ou não bom para nós.
Tenho medo de como sera o futuro do Joãozinho.
Ele vai pensar por sí próprio?
O Joãozinho vai escrever um texto simples como esse para Esternar suas angústias?
O Joãozinho vai escrever Externar propositalmente com S no lugar do X, pelo erro comum, ou pelo prazer de errar em algo?
Como será o amanhã?
E como é o seu hoje caro leitor?
No início do mês escrevi uma carta para o Papa e a postei nos correios de Monteiro Lobato - SP, aguardo resposta.
Pensei em enviar uma carta a Aílton Krenak, mas sua assistente pessoal me disse que ele é muito ocupado e provavelmente não terá tempo para me responder.
Não quero tomar o tempo de ninguém.
Um abraço caro leitor.
PS: Como o cansaço com o Joãozinho é gratificante.