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ESCOLHA

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    RedTMartins9327/05/26 18:00
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    RedTMartins93
    27/05/26 18:00
    64 mensagens MD

    ESCOLHA



    https://ludopedia-postagem.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com/5c878_i0hdeq.png



    Hoje, de um jeito inédito nesta página, iniciaremos nosso debate ensinando um antigo e despretensioso truque de mágica, desses que você pode aplicar mesmo sem muita habilidade manual.



    https://ludopedia-posts.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com/00603_i0hdeq.png



    Você precisará de 5 cartas diferentes, de preferência numeradas e em sequência, o que facilita o processo. Você pode usar as cinco primeiras cartas do seu Pega em 6!, do seu Trio, daquele Ito famoso da galera ou mesmo usar os personagens do Coup. Para a mágica acontecer, não há relevância no tipo da carta, inclusive é uma excelente desculpa para, logo após o truque, colocar o jogo na mesa. Talvez fique aí a questão do que usar.



    Das cartas possíveis, você escolherá uma e, previamente, escreverá em um pedaço de papel qual a carta selecionada, deixando esse bilhete escondido do observador, de preferência embaixo de algum utensílio ou dentro da caixa do jogo.



    Agora é a hora da ação. Num momento oportuno, pegue as cinco cartas e convide um amigo, ou inimigo, sem julgamentos, para um “jogo”. As regras são simples: disponha as 5 cartas na mesa e seu amigo começará, afinal, você é um gentil boardgamer e deixará que ele inicie. Ele escolherá duas cartas dentre as possíveis, e você vai escolher uma delas para ser eliminada do jogo. Depois é a sua vez: das quatro cartas restantes, pegue duas e peça para seu amigo escolher uma para sair da partida. Obviamente, se a carta que você selecionou antes de tudo começar for escolhida entre as duas do seu amigo, você pegará a outra para deixar na mesa. Quando for sua vez, nenhuma das suas cartas deve ser a que está anotada no papel, assim não existe risco de o adversário tirá-la do páreo. Seu colega jogará mais uma vez, você irá tirar outra carta, que não seja a sua, e então serão apenas duas cartas na mesa e será a sua vez de pedir para ele escolher uma.



    Aqui é onde você pode usar todas as suas falsas habilidades sobrenaturais e teatrais e, pedindo para ele pensar fixamente em uma das duas cartas por alguns instantes, deixe que ele faça o último movimento. Então a mágica acontece: independentemente da escolha final dele, peça para que ele pegue o papel escondido e revele seu conteúdo. Se a carta escolhida for igual à revelada, diga que desde o princípio você já sabia que ele ficaria com ela, por isso o papel com a previsão. Se ele deixar a sua carta na mesa, diga que sempre soube que aquela seria a carta final. Perceba que, independentemente das escolhas feitas, o resultado é a impressão de que você previu o futuro e sabia o que aconteceria. A mágica está feita.



    https://ludopedia-posts.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com/ba31b_i0hdeq.png



    Iniciei nosso texto hoje assim pois creio que isso dá um ponto de partida interessante para um dos argumentos mais utilizados pelos ferrenhos defensores do nosso sistema econômico vigente. Diante de todos os defeitos que uma democracia capitalista poderia ter, dizem seus discípulos que, definitivamente, a falta de liberdade não seria um deles, afinal, a beleza da sociedade atual está justamente nas inúmeras possibilidades de escolha que você teria.



    Assim como um meme famoso que ronda diversos espaços da internet, a pergunta que fica aqui é: será? Será que realmente nosso sistema político e econômico é tão rico em nos proporcionar escolhas diversas, sem nenhum tipo de viés e intenção secundária, dando ao indivíduo total liberdade de ação ou, e aqui fica a provocação, estamos diante de outra grande ilusão propositalmente fabricada para nos dar uma falsa sensação de escolha?



    O truque ensinado ilustra perfeitamente como essa falsa sensação é facilmente imputada ao indivíduo. Mesmo sabendo o resultado final, durante toda a mágica, permite-se que o outro faça escolhas, em teoria, aleatórias, dando o sentimento genuíno de que tudo ali está acontecendo de forma casual e imprevisível, de que o sujeito tem total liberdade para guiar os rumos do que se passa, mesmo sendo uma grande mentira.



    E isso acontece constantemente. Vá até o supermercado mais próximo da sua residência e procure comprar nas prateleiras produtos que não sejam de grandes marcas, como Coca-Cola ou Pepsico. Você verá que não é uma tarefa tão simples quanto pode parecer. Apesar de dar o sentimento de que existem diversas possibilidades, no fim você está adquirindo o produto de uma mesma empresa ou marca.



    Também não é difícil enxergar como isso afeta nossa comunidade de jogos de tabuleiro. Para além de acabarmos por consumir produtos de uma mesma editora, vale ressaltar um assunto já debatido no texto ESTÉTICA. Perceba quantos de nós acabamos por comprar jogos extremamente parecidos em temáticas e mecânicas, mas, no fim, acabamos justamente por adquirir praticamente o mesmo item.



    https://ludopedia-posts.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com/4b28c_i0hdeq.png



    Ao nos depararmos com os lançamentos, vemos aquele mesmo jogo de exploração espacial, com algumas alterações mecânicas, sendo colocado no mercado novamente, e imediatamente saímos em defesa dele e de nossa liberdade de escolhê-lo.



    Entretanto, a reflexão que proponho seria: podemos considerar liberdade de escolha quando nossa escolha é limitada e apontada para opções fabricadas? É escolher quando temos uma indústria cultural que normaliza um comprar pouco pensante e cria no consumidor necessidades ilusórias?



    E aqui fazemos então o caminho inverso. Se na maioria das vezes partimos de um problema geral para chegarmos até nossas questões tabuleirísticas, hoje faço o oposto. Entendendo a problemática da sensação de escolha, poderemos então deixar de colocar no indivíduo a total responsabilidade pelas consequências de suas escolhas.



    Tenho visto com frequência vídeos de neoliberais em malabarismos argumentativos defendendo as pautas mais absurdas sob o argumento de que o trabalhador está nas condições mais deploráveis possíveis porque opta por isso. Quer dizer, se uma pessoa acorda às 4 horas da manhã, pega duas ou três lotações antes das seis, trabalha em condições mínimas de respeito ao ser humano, chega em casa quase às oito da noite e mal consegue se alimentar antes de dormir, numa jornada que vai de segunda a sábado pelo valor de, com sorte, um pouco mais de um salário mínimo, com certeza é responsabilidade dele, e não de um sistema que sempre lhe deu duas opções: submeter-se ou morrer de fome. Quando as opções são limitadas a esse ponto, não estamos diante de uma sociedade libertária, mas opressora e adestradora. Tenhamos então a humildade e a coragem de reconhecer os fatos e lutar por suas mudanças.



    Se você chegou até aqui, espero que tenha feito sentido. Agradeço a leitura e peço, por favor, que se inscrevam no nosso canal da Ludopedia, assim como em nosso perfil no Instagram: @pontocapitalbg. Não deixem de curtir, comentar e compartilhar; vamos enriquecer o debate. E lembre-se: o mundo começa a fazer sentido quando entendemos que a vida é um jogo cooperativo!



    Meeples do mundo, uni-vos!



    https://ludopedia-posts.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com/45abe_i0hdeq.png







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    Comentários:

  • Junipero
    101 mensagens MD
    avatar
    Junipero27/05/26 20:11
    Junipero » 27/05/26 20:11

    Uma brisa agradável depois de um dia de treta! Agora, entrando no tópico… A biologia humana pede que gastemos o menos energia possível sempre que puder. Essa questão me assusta pra caralho, porque pode se desenvolver em muitas direções enquanto escolhemos nossas batalhas. E nisso, calma, prometo não cair naquela velha história do “o ser humano é intrinsecamente egoísta/burro e pronto” não, até porque seria certamente poupar energia pro meu cérebro dar uma descansadinha. Eheh.

    É que esse “gastar menos energia” vai escolher um galho pra crescer, e é num galhinho específico que percebo muita gente que prefere a síndrome de Estocolmo do que olhar ao redor e pensar “vixe… tá ruim mesmo essa organização social”. A negação é um belo de um escudo, e uma bela de uma rede te esperando depois do almoço. Reclamar do quê? Melhor que seja algo menor que eu possa bater.

    Se a gente puder criar uma frase pronta pra não resolver qualquer problema, gastamos menos energia. Só de perceber isso já me dá até coceira.
    Porque por mais que isso termine no indivíduo cansado, fodido, tendo que escolher suas batalhas no final do dia, isso não começa nesse indivíduo. Existe uma máquina plenamente eficiente gerando essa realidade, essa escassez, essa retórica fácil, e se beneficiando de nosso cérebro que ainda roda em moldes pré-históricos.

    E basicamente isso é só eu desabafando meus últimos pensamentos sobre a raiz dessa negação. A materialidade engloba a carne da que somos feitos, e ultimamente temos sido perfeitos pra ser enganados. Mas não precisamos terminar no negativo, o sistema atual foi tão manejado por mentes doentes em moldes pré históricos, que a narrativa amarradinha tem sido cada vez mais difícil de projetar na parede da caverna. É a enorme e maravilhosa chuva de contradições, e é nossa maior esperança.

    2
  • Junipero
    101 mensagens MD
    avatar
    Junipero27/05/26 22:26
    Junipero » 27/05/26 22:26

    Deixa eu só falar mais uma coisa. Nunca que eu pensei em ver um canal comuna na Ludo. Criei essa conta no começo dos 2010s +-, fui e voltei algumas vezes durante os anos, mas esse ano, voltei pros jogos analógicos com muita força, pra fugir o máximo que posso das telas.

    Que surpresa boa, cara. Sério, você definitivamente aquece meu coração. E foi de muita surpresa também não ver um monte de gente te achincalhando aqui no seu espaço. São tempos um pouco diferentes, né? Dá esperança. Você teve muitos problemas no começo?

    Muito obrigado por esse trabalho que está fazendo. Sempre que eu puder, vou colar. :)

    2
  • Cineastro
    24 mensagens MD
    avatar
    Cineastro27/05/26 23:47
    Cineastro » 27/05/26 23:47

    Ótimo texto camarada. Teço aqui pequenas observações que espero contribuir para o debate.

    A democracia burguesa, que você coloca como democracia capitalista, prega essa falsa sensação de liberdade realmente. Porém essa liberdade é irreal não apenas pelas questões de escolhas disponíveis (muito bem pontuado no texto) mas também pela questão econômica.  Você é livre, pode então pegar um avião hoje e ir para qualquer outro país curtir uma praia? Quem pode fazer isso, a qualquer momento?

    A classe média as vezes consegue juntar dinheiro ou iniciar um divida para fazer viagem de férias. Mas se deslocar a vontade e fazer o que quiser, apenas bilionários. Nosso problema é que grande parte da população entende que a liberdade contempla fazer escolhas cruciais, como faltar ao trabalho e arriscar ficar desempregado para fazer algo que quer, e naturalmente, após décadas de propaganda neoliberal é uma boa dose de meritocracia, igualando isso a um herdeiro que é servido por todos desde a hora em que acorda e cujas dificuldades estão em escolher como exercer sua liberdade.

    Hoje ainda muitas acreditam que um dia poderão estar nesse lugar de liberdade infinita, mas a cada dia que passa mais de nós nos libertamos dessa ilusão.

    Quando conseguirmos nos juntar, entender que as necessidades coletivas não apenas são mais importantes que as individuais, e canalizarmos nosso ódio para a real fonte deles, aí vamos encontrar a real liberdade. E esses que exploram nossa classe vão poder escolher entre abrir mão de sua “liberdade” e se tornar um de nós, ou virar história.

    Parabéns pelo trabalho!
    Abraços!

    3
  • RedTMartins93
    64 mensagens MD
    avatar
    RedTMartins9301/06/26 07:51
    RedTMartins93 » 01/06/26 07:51

    Junipero::Deixa eu só falar mais uma coisa. Nunca que eu pensei em ver um canal comuna na Ludo. Criei essa conta no começo dos 2010s +-, fui e voltei algumas vezes durante os anos, mas esse ano, voltei pros jogos analógicos com muita força, pra fugir o máximo que posso das telas.

    Que surpresa boa, cara. Sério, você definitivamente aquece meu coração. E foi de muita surpresa também não ver um monte de gente te achincalhando aqui no seu espaço. São tempos um pouco diferentes, né? Dá esperança. Você teve muitos problemas no começo?

    Muito obrigado por esse trabalho que está fazendo. Sempre que eu puder, vou colar. :)

    Muito obrigado pelos dois comentários, camarada! Peço desculpas pela demora a responder, mas quando recebo comentários que vêm para enriquecer o debate, não gosto de respondê-los com desleixo, penso que merecem uma atenção maior. 
    Entendo seu primeiro comentário. Realmente, biologicamente o.organismo tende a essa economia de energia. Entretanto, honestamente falando, fico receoso num positivismo científico que tende a reforçar estruturas criadas pelo próprio sistema. 
    O que penso é, num estado social e econômico em que o ser humano consegue, já com um bom tempo, superar o "natural" em tantas formas, porque não somos capazes de superar essa ideia instintiva de conservar energia? Penso que, ao contrário, o próprio sistema reforça o esgotamento físico e psicológico justamente para não restar qualquer reserva de.energia para pensarmos o contrário.
    Espero que entenda minha discordância, apesar de compreender o argumento. Realmente gostei muito do ponto levantado, só acredito que ele é mais artificialmente provocado do que naturalmente.
    Em relação ao segundo comentário, agradeço muito o apoio, de verdade. Quando a página foi criada, o intuito também era poder ser um contraponto num espaço pouco reflexivo, com ideiais bastante cíclicas que não buscavam muito aprofundamento.
    Confesso que pensei que teria até mais dificuldades. Mas acho que já estava psicologicamente preparado para o que viria e procurei não depositar expectativas além das necessárias ou algum tipo de produtividade oca e tóxica. 
    No mais, agradeço novamente comentário. Por favor, não deixe de opinar, acrescentar posicionamentos e ideias. Sempre me admira os diferentes caminhos que os textos podem levar, caminhos que nem imaginava.
    Um abraço,.camarada.

    0
  • RedTMartins93
    64 mensagens MD
    avatar
    RedTMartins9301/06/26 07:57
    RedTMartins93 » 01/06/26 07:57

    Cineastro::Ótimo texto camarada. Teço aqui pequenas observações que espero contribuir para o debate.

    A democracia burguesa, que você coloca como democracia capitalista, prega essa falsa sensação de liberdade realmente. Porém essa liberdade é irreal não apenas pelas questões de escolhas disponíveis (muito bem pontuado no texto) mas também pela questão econômica.  Você é livre, pode então pegar um avião hoje e ir para qualquer outro país curtir uma praia? Quem pode fazer isso, a qualquer momento?

    A classe média as vezes consegue juntar dinheiro ou iniciar um divida para fazer viagem de férias. Mas se deslocar a vontade e fazer o que quiser, apenas bilionários. Nosso problema é que grande parte da população entende que a liberdade contempla fazer escolhas cruciais, como faltar ao trabalho e arriscar ficar desempregado para fazer algo que quer, e naturalmente, após décadas de propaganda neoliberal é uma boa dose de meritocracia, igualando isso a um herdeiro que é servido por todos desde a hora em que acorda e cujas dificuldades estão em escolher como exercer sua liberdade.

    Hoje ainda muitas acreditam que um dia poderão estar nesse lugar de liberdade infinita, mas a cada dia que passa mais de nós nos libertamos dessa ilusão.

    Quando conseguirmos nos juntar, entender que as necessidades coletivas não apenas são mais importantes que as individuais, e canalizarmos nosso ódio para a real fonte deles, aí vamos encontrar a real liberdade. E esses que exploram nossa classe vão poder escolher entre abrir mão de sua “liberdade” e se tornar um de nós, ou virar história.

    Parabéns pelo trabalho!
    Abraços!

    Obrigado por aprofundar o debate, camarada! Estive sem tempo nos últimos dias para poder responder, mas agora consegui a atenção necessária para isso.
    Obrigado por pontuar a questão financeira no debate. De fato, era algo que gostaria de acrescentar, mas no decorrer do assunto senti que me alongaria demais para chegar nesse tópico, fugindo do propósito do canal. Manter-me fiel a ideia do canal é bastante difícil, confesso. Por vezes quero seguir o caminho da discussão, mas sinto que fugiria da ideia de proporcionar debates em textos mais simples e com jogos de tabuleiro de pano de fundo. Quem sabe poderemos debater mais sobre isso num texto mais a frente. Principalmente sobre a questão da coletividade.
    Agradeço muito o apoio de sempre! Seguimos juntos!
    Um abraço, camarada!

    0
  • Junipero
    101 mensagens MD
    avatar
    Junipero01/06/26 09:36
    Junipero » 01/06/26 09:36

    RedTMartins93::
    Entretanto, honestamente falando, fico receoso num positivismo científico que tende a reforçar estruturas criadas pelo próprio sistema. 
    O que penso é, num estado social e econômico em que o ser humano consegue, já com um bom tempo, superar o "natural" em tantas formas, porque não somos capazes de superar essa ideia instintiva de conservar energia? Penso que, ao contrário, o próprio sistema reforça o esgotamento físico e psicológico justamente para não restar qualquer reserva de.energia para pensarmos o contrário.
    Espero que entenda minha discordância, apesar de compreender o argumento. Realmente gostei muito do ponto levantado, só acredito que ele é mais artificialmente provocado do que naturalmente.


    Opa, camarada. Deixa eu acrescentar:
    Não sei se foi o que entendeu, mas em nenhum momento eu quis dizer que o capitalismo é o “natural do ser humano”, sei que muita gente fala isso. Eu acredito que o estado social seja extremamente importante, no sentido que ao mudarmos nossas relações com o mundo e nós mesmos, a questão biológica seria “um muro a pular”, pelo menos antes de evoluirmos ainda mais. A ideia instintiva de conservar energia é impossível de ser apagada agora neste >exato< momento, o corpo humano não entende abundância de recursos ainda, não entende que conseguimos recursos sentados numa cadeira.
    Tivemos um pulo tecnológico absurdo em menos de 100 anos e definitivamente não estamos prontos psicologicamente pra uma sociedade digital.

    O ser humano é extremamente sensível a sua narrativa interna e externa, isso quer dizer que precisa haver o cuidado em saber guiar a história, porque a narrativa é um ponto central do próprio corpo humano, vai reger até como um corpo libera seus hormônios. Por isso é tão importante o estudo. O problema é que, como Marx diz, as ideias dominantes de uma época são sempre as ideias da classe dominante.
    Mas nosso funcionamento “pré histórico” não é um obstáculo que paralisa a possibilidade de revolução, meu ponto é que o capitalismo aprendeu a usar nossa própria biologia de forma predatória contra a gente, como arma de guerra. Cientistas se reúnem em salas pra criar o algoritmo mais viciante pra META, tigrinho e afins. Bilionários predam cima do senso de comunidade, acabam com terceiros espaços, e  focam em criar um mundo cada vez mais atomizado, justamente por ser algo alienígena pra nossa espécie, pra nos deixar sem chão. O corpo humano já tende a priorizar, poupar energia, eles aproveitam isso a máxima potência sugando o trabalhador até a última gota, por isso falei que isso não começa no indivíduo, mas na máquina. A máquina só sabe utilizar as propriedades do indivíduo, exterminar seu tempo e colocar as ideas de seu tempo numa vitrine, fazendo com que lutar contra o sistema pareça menos importante.

    A questão é que precisamos fugir do idealismo do que é ser humano, não adianta a gente não entender do que a gente é feito e foi construído até agora biologicamente por milhões de anos, se não caímos em todas essas armadilhas. Precisamos entender nossos mecanismos pra construir nosso contra-ataque.

    Abraços!

    1
  • RedTMartins93
    64 mensagens MD
    avatar
    RedTMartins9302/06/26 08:39
    RedTMartins93 » 02/06/26 08:39

    Junipero::

    A questão é que precisamos fugir do idealismo do que é ser humano, não adianta a gente não entender do que a gente é feito e foi construído até agora biologicamente por milhões de anos, se não caímos em todas essas armadilhas. Precisamos entender nossos mecanismos pra construir nosso contra-ataque.

    Abraços!

    Opa, perfeito, camarada! Agora entendi perfeitamente o que você quis apontar. Realmente, entender os mecanismos biológicos, psicológicos, sociais e etc do ser humano como um todo, desde suas origens até os dias de hoje é fundamental para suas superações e para fugirmos de armadilhas muito bem implementadas. 
    Muito obrigado pelo aprofundamento do debate. Essa semana devemos ter outro texto! Por favor, nao deixe de comentar!
    Um abraço, camarada!

    1
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