RECLAMAÇÃO
E acabou mais um DOFF, este evento pelo qual esperamos por longos meses a fio, ansiosos para enfrentar filas intermináveis, sentir dores nos joelhos por mais tempo do que dura a feira e voltar para casa com menos jogos do que gostaríamos de ter jogado e mais jogos do que deveríamos ter comprado.
Se você leu meu último texto, FEIRA, sabe os apontamentos que tenho sobre todo o evento e seus respectivos problemas e objetivos. Este foi um ano em que procurei ir com as expectativas bem baixas, sem intuitos de jogatinas ou planejamento de compras, apenas para observar melhor o Hobby, encontrar alguns leitores desta página e poder, finalmente, dar uma voz aos vários rostos que conheci ao longo do último ano.
Partida de ROAM para começar o evento
Preciso dizer, inclusive, que o ponto alto do evento foi poder encontrar alguns dos nossos leitores (gostaria de ter tido a oportunidade de conhecer mais pessoas). Como disse no texto anterior, o DOFF acaba por ser um evento grande e temos poucas oportunidades de diálogos honestos com outros jogadores, mas os poucos que foram possíveis foram muito significativos.
Penso que se faz necessário também um mea culpa deste blogueiro de primeira viagem. Como já disse outras vezes, a ideia inicial era termos uma página sem um rosto definido, para que as ideias aqui se propagassem na abstração de não haver uma identidade pessoal do escritor. Entretanto, já concluí que é importante para nossas trocas que vocês me conheçam melhor, para formarmos de fato a comunidade relevante que esta página tem proporcionado. Garanto que em breve teremos novidades no canal, mas, de antemão, já gostaria de agradecer a oportunidade de conhecer cada um que tirou um precioso tempo de um evento tão rápido para conversarmos.
Agora, também preciso aqui, mantendo a honestidade intelectual que sempre busco com a página, fazer alguns apontamentos sobre o evento e talvez até algumas retratações francas sobre aquilo que pude presenciar durante a feira.
Um dos grandes desafios apresentados no ano passado pelo DOFF foi a imensa fila para a entrada e os espaços confinados nos corredores do evento. Tínhamos que nos espremer entre outros jogadores para andar de um lado a outro, filas se misturavam com outras filas e você demorava muito mais tempo para se deslocar pelo evento.
Ao menos tinha sensação de mais espaço
E temos que reconhecer o esforço da feira em corrigir o problema. Reconheço que fui somente no domingo, que costuma ter menos pessoas e filas, mas entrei até mesmo uns minutos antes da abertura oficial. Se comparada aos 90 minutos que esperei em 2025, foi uma melhora estrondosa entre as edições. Se houve melhoria, precisamos reconhecer o esforço.
Outro ponto que melhorou foram os espaços de circulação e as áreas de alimentação. Em 2025, como disse, a feira estava com corredores estreitos e poucos espaços de alimentação, mas, ao chegarmos às extremidades do galpão, víamos grandes buracos sem qualquer tipo de mesas, estandes ou food trucks, algo que neste ano foi bem corrigido e, se não ficou perfeito, ao menos proporcionou um conforto melhor ao participante.
E a grande surpresa que tive, que justamente contrariou pontos importantes do que trouxe no último texto, foram algumas editoras e lojas que finalmente trouxeram preços competitivos para o evento, além de pensarem os espaços com uma proporção melhor de mesas para jogadores, algo que estávamos vendo decair ano após ano no DOFF e, aparentemente, estamos conquistando melhorias.
Mas aqui temos justamente o nosso ponto de reflexão. Por diversas vezes durante meus anos como hobbysta (e por que não, até como ser humano), fomos aprendendo que o mundo dos jogos de tabuleiro tem seus problemas irremediáveis, que nada podemos fazer, que se não estamos satisfeitos basta não comprarmos, não irmos, não questionarmos.
Mais mesas para jogar
Justamente uma resignação que não nos permite buscar nenhum tipo de melhoria ao nosso querido passatempo e também à nossa sociedade. Estamos adaptados a nos calarmos diante de algumas questões para não sermos taxados de “reclamões”, chatos, saudosistas, iludidos, utópicos…
E aqui deixo minha última contribuição de hoje. Reclamem! Com consciência, com argumentos, com propostas de melhoria e intervenção, mas reclamem. Precisamos reclamar, apontar defeitos, buscar evoluir processos. Se diante de tantos casos dos últimos DOFF ficássemos apenas quietos e passivos, como poderíamos encontrar um evento melhor no ano seguinte?
Todos recebemos recentemente um e-mail para fazermos um levantamento e sugestões sobre a feira. Não deixe de mostrar seus descontentamentos, não de forma genérica ou passional, mas com as boas contribuições que sei que os leitores desta página possuem.
Aquele autógrafo que valeu a pena!
É claro, a organização do grupo ajuda muito no processo, então, se você e seus amigos têm pontos em comum, não deixem de se organizar e ter falas parecidas. Juntos conquistamos mais, mostramos nossa força. E também não deixem de elogiar aquilo que gostaram. Saber o que funciona e manter isso para os próximos anos é parte essencial de um DOFF que, se continua sem ter o jogador como objetivo final, pode ser um espaço de escuta e participação ativa da comunidade.
Se você chegou até aqui, espero que tenha feito sentido. Agradeço a leitura e peço, por favor, que se inscrevam no nosso canal da Ludopedia, assim como em nosso perfil no Instagram: @pontocapitalbg. Não deixem de curtir, comentar e compartilhar; vamos enriquecer o debate. E lembre-se: o mundo começa a fazer sentido quando entendemos que a vida é um jogo cooperativo!
Meeples do mundo, uni-vos!