Olá!
Eu sou o Davi e você está no Análise Escrita.
Como vocês estão?
Por aqui tudo na paz.
Semana bacaninha, cozinhei bastante, li um pouco, dei sequência a uns desenhos que estavam parados, me diverti com a câmera nova.
Até joguei!
Ontem rolou um Innovation sensacional com a gata (e perdi para variar).
Joguei muito solo também, e anos depois de adquirir o jogo, finalmente fiz mais de 30 pontos no Palm Island (desgraça de joguinho) e desbloqueei a minha primeira conquista! (SIM, Risquei a carta)

Hoje vamos dar sequência a nossa série de entrevistas com o nosso penúltimo relato.
Trouxe uma entrevista muito legal com um grande amigo, parceiro de incontáveis jogatinas no bom e velho BGA.
Nosso amigo Eluba é um vizinho, um Argentino que compartilha do mesmo amor que nós temos pelos jogos.

Sem mais longas, fiquem com nosso entrevistado!
Meu amigo Eluba, é um prazer recebe-lo em meu canal.
Para começar, poderia se apresentar a nossa audiência?
E- Sou Eluba, tenho 50 anos, sou casado e pai de família (de duas belas filhas).
Sou professor de Matemática.
Sou um aficionado (ou doente?) por jogos de mesa!
E claro, sou Argentino.
E como começou no hobby meu amigo?
E- Desde criança sempre gostei de matemática, em minha casa meus pais davam aulas de matemática e quando chegou a oportunidade eu comecei a participar de olimpíadas de matemática.
Depois que me formei, meu pai viu um anuncio de que procuravam pessoas para formar a equipe Argentina para o campeonato mundial de Puzzles.
Eu já havia resolvido diversos Puzzles e resolvi participar, até que em 2007 consegui fazer parte da equipe que competiu no 16° campeonato mundial, ai mesmo no Brasil, no Rio de Janeiro.

(NOTA: Aqui entra um pouco da língua, Puzzles em pura tradução ao português, seriam quebra-cabeças, o campeonato em questão trata na verdade de jogos de lógica).
Os anos se passaram, fiquei velho e enferrujado e tive que diminuir o ritmo.
Descobri o hobby de jogos de tabuleiro através de Catan, e isso abriu um mundo totalmente novo, particularmente assistindo ao canal do YouTube "Jugando con Ketty" e pesquisando jogos que não estavam disponíveis na minha cidade.
Continuei aprendendo e, por volta da época da pandemia, o Board Game Arena apareceu no meu radar, É lá que jogo regularmente e foi lá que realmente desenvolvi um vício sério, conhecendo pessoas de todo o mundo através desta plataforma.
Conheci o Catan de um forma pouco usual inclusive: Jogava muito no computador e gostava de jogos que me faziam pensar.
Um dia descobri uma versão eletrônica de um jogo chamado Catan, ao qual nunca ouvi falar e comecei a jogar sem nem saber as regras.
Aos poucos me encantei com o jogo.
Um dia, caminhando em minha cidade enquanto levava minha filha no carrinho, passei em frente há uma loja e lá estava o Catan.
O dono da loja hoje é meu amigo, passo lá todo mês!
Poderia nos contar um pouco sobre sua cidade?
E - Moro em Toay, uma cidade de 20.000 habitantes, a 10 quilômetros da capital da província de La Pampa, no centro da Argentina.
É uma cidade central, mas longe de tudo, é uma cidade em rápido crescimento, onde você pode caminhar tranquilamente, passear pelas ruas e encontrar lojas para todas as suas necessidades.
Não temos uma vida noturna agitada, mas é um lugar tranquilo para morar e aproveitar o tempo com a família.
Parece um bom lugar para morar.
Já estive em Buenos Aires muitas vezes e, embora seja um ótimo lugar para visitar, não sei se me sentiria seguro morando lá.
Mas, pela sua descrição, Toay me lembra as pequenas cidades do interior do Brasil.
Atualmente, você se dedica apenas aos jogos de tabuleiro ou também tem uma coleção de jogos físicos?
E- Na maioria das vezes, jogo no BGA, porque gosto de ficar em casa (não saio muito) e, no meu tempo livre, tento estar com a minha família.
Durante o ano letivo, as meninas estão ocupadas e não há tempo para sentar e jogar, então o BGA é um bom substituto para as partidas físicas.
Tenho uma coleção modesta, talvez uns 30 jogos, principalmente Eurogames (os quatro pilares da minha coleção são: Catan, Ticket to Ride, Carcassonne e Alhambra), tenho vários jogos feitos em casa, e sempre os tenho disponíveis caso surja a oportunidade de jogá-los.
No ano passado, começamos a nos encontrar no El Molino uma vez por mês para jogar jogos de tabuleiro e RPGs (RPGs não são muito a minha praia, mas muitas pessoas também participam), e para aqueles de nós que gostam de Eurogames há pessoas com quem compartilhar e aproveitar os jogos.
Jogamos todos os tipos de jogos enquanto compartilhamos um bom Mate e recarregamos as energias para a semana seguinte.
E como Professor, utiliza jogos de tabuleiro nas aulas?
Já os utilizou para fazer uma ponte entre a matemática e as outras matérias?
E- Acho que os jogos de tabuleiro ensinam muito em qualquer tema mas principalmente matemática.
Não os uso formalmente porque acredito que é essencial se divertir, e o aprendizado vem como um bônus.
Não é que eu vá usar um jogo para ensinar uma matéria, em vez disso, vou jogar, e a matéria é aprendida ao longo do processo.
Não relaciono os jogos a outras matérias, mas devido à minha formação, meu designer favorito é Reiner Knizia, doutor em matemática.
Gosto muito de jogos aritméticos, jogos que envolvem adição e multiplicação. Jogos básicos que, com apenas duas regras, têm muita profundidade.
Embora eu goste de jogos de tabuleiro europeus focados em gerenciamento, gerenciamento de recursos, alocação de trabalhadores e estratégia, estou descobrindo cada vez mais que os jogos mais simples são os que mais me atraem.
Acho que Kramer e Kiesling formam uma excelente dupla, especialmente quando se trata desse tipo de jogo: Simples, com poucas regras e muita profundidade.
Mas, ao começar a trabalhar como professor, levei muitos jogos e os apresentei a muitos alunos que eu sabia que se interessariam por jogos de tabuleiro, mas que não os conheciam.
E ainda jogo com muitos deles hoje em dia, mesmo depois de terem se formado no ensino médio e até na universidade, e essa conexão, criada ou fortalecida pelos jogos de tabuleiro, permanece.
Houve até uma época em que ministrei uma oficina extracurricular onde nos reuníamos com os alunos do ensino médio (que queriam participar) para jogar, embora eu ainda não conhecesse muito bem esse universo.
Nós nos divertimos bastante, mas hoje o material que eu poderia trazer seria ainda mais rico.
E aqui pergunto (com conhecimento de causa), pois também sou professor.
Como professor, como é competir pela atenção dos alunos com as telas?
Você acha que as novas gerações têm menos paciência e mais ansiedade? Você vê as telas como vilãs no desenvolvimento de crianças e adolescentes?
E- Mesmo tendo 50 anos, fui muito exposto a telas quando criança.
Jogava muitos jogos de computador em casa e estudava assistindo Os Simpsons, tanto no ensino médio quanto na faculdade.
Eu tinha uma capacidade de concentração que não tenho mais hoje.
Entendo que as telas têm dois lados, São muito úteis quando usadas corretamente, mas, ao mesmo tempo, muito prejudiciais quando usadas em excesso.
Na minha área (matemática) o uso de calculadoras era muito debatido, e hoje isso não é mais um ponto de discórdia: é uma ferramenta que agiliza bastante as coisas, embora nos faça perder de vista alguns conceitos.
Computadores, até mesmo celulares, ajudam por causa de sua capacidade de cálculo, mas o raciocínio ainda precisa estar presente, E é verdade que doenças relacionadas ao uso de telas estão surgindo, mas isso se deve ao uso excessivo, não apenas ao uso em si.
Provavelmente você vai mencionar a IA em suas perguntas, e esta é a primeira vez na minha carreira que não sei como incorporá-la à sala de aula.
Sempre fui um ávido usuário e defensor da tecnologia na aprendizagem, Em particular (e aqui vou entrar em detalhes técnicos) o GeoGebra é uma ferramenta que uso há pelo menos 15 anos e que continuo a promover por ampliar a compreensão, Mas essas são ferramentas, não a solução.
Quando um aluno copia um problema, cola na IA e depois copia a resposta para colar como se fosse sua, ele não aprendeu nada.
Mas, pessoalmente, quando me deparo com um problema difícil, ou talvez um sobre um tópico que esqueci, uso a IA para me guiar, mas a uso de forma crítica, Encontro erros em muitas respostas, mas isso porque já conheço o assunto e sei o que está certo e o que está errado.
Acho que o discernimento é o que precisamos priorizar na educação.
Por fim, jogo muitos jogos em telas e ouço muitos podcasts, principalmente pelo áudio, mas eu já sou instruído, é mais difícil para as gerações atuais, que ainda estão sendo educadas competir com tanto tempo gasto em frente às telas.
Vamos falar um pouco sobre economia.
Sabemos que a Argentina passou por vários anos de crise econômica, em que tudo o que era importado era extremamente caro.
Hoje, a situação ainda é incerta, não se sabe se as reformas propostas serão suficientes ou mesmo eficazes a longo prazo.
Como a crise econômica Argentina influenciou a cultura local de jogos de tabuleiro?
Surgiu uma indústria local? Poderia nos contar um pouco sobre os hábitos de consumo do Argentino médio?
E- Não entendo muito de economia, mas existe uma frase que resume bem a Argentina: Se você sai por 15 dias e volta está tudo uma bagunça, mas se sai por 15 anos e volta está tudo igual.
Então, estamos acostumados com esse tipo de altos e baixos.
Em relação aos jogos de tabuleiro, houve uma época em que era impossível encontrá-los localmente, agora eles importam ou compram licenças para alguns jogos e os produzem localmente, mas tendem a ser muito caros e difíceis de encontrar.
As compras online, e principalmente as internacionais, facilitaram muito as coisas, e estou falando principalmente da minha região, onde a única loja especializada é a Ancar Juegos, onde o Diego tem uma pequena coleção desse tipo de jogo (a maior da província), porque não é um hobby muito popular na cidade.
Mas existem outros lugares como Rosário, que se autodenomina o berço nacional dos jogos de tabuleiro modernos, e lá há mais atividade, um cenário mais vibrante, típico de uma população maior do que a da região onde moro.
Em relação a jogos: você poderia recomendar alguns bons jogos de designers Argentinos?
E- Não costumo me preocupar muito se os jogos são Argentinos ou não, simplesmente começo a jogar e mais tarde descubro (ou talvez já saiba) que são Argentinos e têm um toque especial.
Mas não sou exatamente nacionalista nesse sentido, então não procurei jogos Argentinos simplesmente os encontrei por acaso.
Desde muito jovem, joguei Estanciero (a versão argentina do Monopoly), T.E.G. (a versão argentina do RISK) e Carrera de Mente (a versão argentina do Trivial Pursuit), mas um jogo muito original e tradicional é o Truco, um jogo de cartas com baralho espanhol, baseado em truques, muito particular, difícil de explicar em poucas palavras.
Mas, falando em jogos de tabuleiro modernos, encontrei dois jogos Argentinos (e hoje, revisando a lista, encontrei um terceiro) no BGA: Geek Out! Masters é um ótimo jogo de dados (que inclusive conta com um tutorial no meu canal do YouTube, mispartidasenbga), e é um jogo de Push your lucky.
Mas meu jogo favorito é o Argentino Mutant Crops (ou Culturas Mutantes), É um jogo de alocação de trabalhadores que gosto de descrever como uma versão mais leve de Agricola.
Além desse jogo, experimentei alguns outros Argentinos, mas não tenho muitos em casa além de LED e Zug.
Baseado na opinião de podcasters Argentinos, acho que Juanito Blockits é um jogo muito bom, Paso del Bramán também é bom, e Imperios Milenarios é outro que vale a pena mencionar.
Ainda não conheço muitos jogos especificamente da Argentina, mas é sempre bom jogar um jogo de que você gosta, um que você acha fascinante, e que por acaso seja Argentino.

"Foto enviada por Eluba: alguns jogos Argentinos".
Em relação a jogos e família: você conseguiu envolver sua família no seu hobby de jogos de tabuleiro? Ou acabou se tornando um hobby apenas para você?
E- Esse é um dos pontos principais, e um dos meus favoritos, Minhas filhas brincam muito comigo.
Minha esposa também costumava jogar Catan, mas agora prefere evitar jogos.
Ontem à noite jogamos Ready Set Bet, e quando terminamos, jogamos Sky Team com a mais velha, depois que a mais nova foi dormir.
Mas para chegar até aqui, precisei me esforçar bastante, Tudo começou com o jogo de Serpentes e Escadas quando elas tinham três anos, jogand0 com elas, ensinando-as a mover uma peça dependendo do resultado dos dados, como respeitar a vez de jogar e nos divertindo enquanto jogávamos.
Também jogamos MemoTest, ou o jogo da memória, e passamos tempo juntos: essa é a magia desse hobby.
Foi crucial, durante a pandemia, comprar quatro conjuntos de dados azuis, vermelhos, amarelos e verdes, além de um dado preto e vários dados brancos que eu já tinha.
Jogamos Ligretto Dice e Ligretto Cards, Qwixx, Qwinto, Ganz schön clever... Jogamos muito durante a pandemia, e isso nos ajudou bastante a passar pelo confinamento e a aproveitar as tardes juntos, jogando e compartilhando momentos.
Atualmente, elas jogam (e não estou falando de qualquer coisa), mas elas curtem jogos Euro, que é o que eu gosto.
Talvez eles prefiram jogos mais casuais, mas jogamos Ticket to Ride, Catan, Galaxy Trucker , jogamos praticamente qualquer coisa, sabendo que existe um jogo para cada ocasião.

Vamos falar um pouco sobre o tema favorito dos nossos leitores.
Vamos falar de comida.
Você cozinha?
E- Sim, senhor.
E eu imaginei que essa pergunta viria, então já tenho uma resposta em mente.
Comida típica argentina, asado, sem dúvida.
Mas de uma criação minha, embora não seja nada de especial, "Pico-Pollo": peito de frango em cubos, presunto, queijo e creme de leite.
Modesto e simples, mas minhas filhas adoram.
Compartilhe a receita com nossa audiência meu amigo.
E- Não é grande coisa, apenas corte o peito de frango em cubos pequenos e doure-os em fogo alto.
Depois de cozidos, adicione presunto e queijo, também cortadas em cubinhos.
Quando o queijo derreter, adicione o creme de leite e continue mexendo até o molho engrossar ao seu gosto.
Sirva quente com pão para aproveitar todo o molho delicioso.

"Churrasco que eu fiz sabadão em homenagem a matéria com meu amigo Argentino".
E que prato recomendaria para se comer acompanhando uma boa partida?
E- Com certeza os sanduiches de Miga que minha esposa prepara em todos os aniversários, algo simples e eficaz!
E claro, para toda partida um bom Mate!
Estamos no fim de nossa entrevista, gostaria de deixar uma mensagem final a nossos leitores?
E- Imagino que seus seguidores sejam todos jogadores de jogos de tabuleiro, então queria avisá-los que estou sempre disposto a jogar jogos por turnos no BGA (foi assim que nos conhecemos a alguns anos), Me convidem e aceitarei com prazer.
E quem sabe, um dia nos encontraremos em uma mesa de verdade para jogar um Eurogame e desfrutas de uns sanduíches da minha esposa, talvez durante uma das minhas férias no Brasil, que tem minhas praias favoritas.
Um abraço!
Senhoras e senhores, essa foi nossa entrevista da semana.
Semana que vem, teremos a última entrevista da série com Elizabeth Hargrave (Designer de Wingspan) não perca!
PS: Estou planejando fazer um guia DEFINITIVO de sanduiches para noites de jogos (Jambon - Beurre, Monte Cristo, Banh- Mi, Oklahoma Smash Burguer...e outros trens), se estiverem afim desse tipo de conteúdo, mandem um Amém.
Abraço!!