NATAL
Para felicidade, ou não, de todos nós mais um ano se encerra e, com ele, somos quase obrigados a vivenciar esse grande surto coletivo que chamamos de festas de final de ano, principalmente as festas natalinas, que seguem um padrão de realização bem mais engessado, quase nos obrigando a passar horas extremamente bem vestidos na sala até dar o horário de fazer uma refeição desnecessariamente refinada, tirar as passas do arroz, se perguntar o porquê de terem colocado maçãs no salpicão e qual seria o motivo de comermos uma ave tão seca e sem sabor ano após ano sem acertar seu preparo.
É claro que o ponto-chave desse enorme momento de confraternização é passar horas e horas com aquele tio distante que critica seus hobbies caros e estranhos enquanto abre o segundo maço de cigarros do dia, ou aquele primo que critica todos os avanços sociais do último ano, chamando famílias inteiras de sanguessugas do Estado ao mesmo tempo em que ele está numa fase difícil há uns 15 anos e ainda mora com os pais.
Enfim, perdoe-me se o exemplo inicial possa ser pessoal demais; acredito que sirva, em partes, para muitos aqui, mas devo confessar que tem sido cada vez mais complexos esses encontros familiares nos últimos tempos, uma vez que um simples diálogo pode se tornar uma enorme discussão. Por mais que você leia, estude, tente se informar e ter dados para conversar com paciência, muitas vezes não é o que encontramos no outro lado, onde ataques pessoais, frases prontas e sofismas lógicos são usados com uma naturalidade que deveria causar estranheza.
Entretanto, Aristóteles há muito tempo já concluía que “o homem é um animal social” e, por mais que possamos ter o desejo de fugir de determinados momentos sociais, há a necessidade de estarmos juntos, de vivermos em sociedade.
Ultimamente tenho me perguntado quais seriam as possíveis maneiras de tentar reverter situações que poderiam ser negativas em meu favor, ao mesmo passo que poderia levar alguma semente de pensamento progressista aos que estão em minha volta e ainda são cegamente adestrados por esse sistema conservador e reacionário.
Este blog foi uma tentativa, não poderia mentir. Sei que não vou convencer ninguém com meus pensamentos e palavras, mas acredito que é possível ao menos criar uma dúvida em mentes tão ajustadas a simplesmente aceitar o que veem, tão cheias de convicções. E, partindo do pensamento de Nietzsche, uma dúvida poderia ser um princípio para quebrar uma convicção.
Assim, voltando ao nosso assunto, comecei a imaginar como isso poderia ser colocado nas reuniões natalinas desta semana e, fazendo testes recentes, posso compartilhar boas experiências em que percebi novas visões dos que estavam comigo.
As festas de final de ano são excelentes oportunidades de colocar pessoas próximas e distantes, jogadores e não jogadores, em mesas de jogos de tabuleiro, sendo provavelmente as melhores datas para trazer novos adeptos a este passatempo. Uma coisa que tenho notado é que, devido à nossa sociedade e seu comportamento coletivo, somos muito competitivos, acostumados a jogar com o único motivo de vencer, ter o sabor da vitória enquanto os outros saem derrotados, num excelente espírito natalino, certo? Algo que debatemos melhor em nosso texto COOPERATIVO (
https://ludopedia.com.br/topico/94037/cooperativo).
E penso que talvez essa seja uma dica que posso passar a vocês, leitores, para essas datas de festas. Que tal usar esse espaço propício para, ao invés de levar aquela vaza do momento ou aquele seu Euro pesado favorito, colocar na mesa algum tipo de jogo cooperativo, onde as pessoas possam ganhar ou perder juntas, deixando a competição de fora?
Aos que já se arriscaram assim, sabem que jogos cooperativos causam muita estranheza em não jogadores. Para eles, não há o menor sentido em se jogar algo se não houver pessoas que vencem e pessoas que perdem. Mas, nas experiências recentes que tenho vivido por aqui, é bastante interessante ver como o comportamento muda ao longo das partidas e como as pessoas começam a entender que é possível ser divertido passar momentos em que estamos nos ajudando.
Neste momento, preciso fazer ressalvas de que você, pessoa que está levando e explicando a partida aos demais, não pode deixar esse espírito competitivo te dominar e permitir que
Alpha Players possam estragar o momento. Como dica, acredito que jogos como
Entre Linhas, Ito, Só Uma, A Tripulação, Magic Maze, entre tantos outros, são ótimas pedidas. São jogos rápidos, divertidos e que dão aquela boa sensação de dever coletivo cumprido quando o objetivo final é conquistado, arrancando aplausos, risos e abraços acalorados em meio à vitória. Pode não ser um fim para entender a cooperação, mas talvez seja um começo.
Chego ao final deste texto desejando um ótimo Natal e excelentes jogas! Por favor, não deixem de seguir nossa página no Instagram: @pontocapitalbg, curtam, comentem e compartilhem esse texto com quem desejarem e, hoje, mais que nunca, lembrem-se: o mundo começa a fazer sentido quando entendemos que a vida é um jogo cooperativo!
Meeples do mundo, uni-vos!