JedoLar::maueze::JedoLar::maueze::Quanto a explorar a china, eles estão muito bem na verdade, podem não ter a melhor gastronomia mas a qualidade de vida do operador médio certamente está num nível muito melhor do que você imagina.
Pelo visto, parece que você já deve ter visto vários jornalistas internacionais sérios e imparciais indo até a China e, com total liberdade, reportando o assunto, né? Mostre para nós onde estão essas reportagens que quase ninguém viu.
Aproveitando, indique reportagens também de como a isenção de impostos que atrai fábricas de todo o mundo para lá, ajuda a população de 1 bilhão de chineses. Pois isso parece realmente inacreditável, deveria ser aplicado em todo mundo. Ajude-nos trazendo essas fontes que aparentemente só você conhece.
A menos que seja falácia, daí pode responder qualquer coisa que eu vou entender.
Elias jabbour tem um livro estudando a china muitíssimo interessante, "China:socialismo do seculo XXI" recomendo fortemente a leitura, bem acessível.
Do ponto de vista de experiência anedótica, que tem pouquíssimo valor reconheço, tenho 2 colegas da universidade que passaram pouco mais de 2 anos em algumas cidades chinesas, notavelmente não eram cidades rurais isoladas.
Se você quer alguma reportagem mainstream precisa sair um pouco do eixo norte americano, BBC tem alguns especiais interessantes mostrando o dia a dia.
Agora percebi uma questão curiosa, você disse com total liberdade, e senti um viés recorrente nas críticas à cultura chinesa, é preciso entender que isso não é um valor relevante para a cultura deles, não faz muito sentido olhar um povo tão complexo e antigo impondo valores ocidentais.
Não sei se estará aberto a meus pontos, espero que ao menos tenha contribuído com alguns contrapontos para reflexão.
Quis dizer “liberdade” no sentido de liberdade investigativa de jornalismo, sem a qual uma reportagem ou livro não vale muito.
Mas quanto ao tipo de liberdade que você mencionou, eu entendo o que você quer dizer quando diz “não é um valor relevante para a cultura deles” e até onde isso leva, encerrado a questão pra você, assim como para outros que, por exemplo, defendem que não devemos impor uma cultura diferente para os índios brasileiros que, muito antes dos portugueses chegarem aqui, enterravam crianças vivas por alguma deficiência física. Antigamente, chamavam isso de barbárie, hoje muitos chamam de cultura, valores diferentes. Então, como pra mim, alguns valores são absolutos, estando acima das culturas, enquanto que pra você não, não faz sentido continuarmos.
Pelo seu raciocínio lógico (valores absolutos vs. cultura do outro) Talibã e Estado Islâmico têm todo o direito de nos matar (ocidentais) pois na visão deles somos todos bárbaros hereges. O nome do Boko Haram significa “educação ocidental é pecaminosa”. Para eles, valores do islã (vistos por nós como radicais) também são valores absolutos e provavelmente vc pratica algo na sua vida cotidiana que pra eles é punível com a morte. Assim como pra vc, eles também não se dispõem a sequer conversar sobre essas diferenças.
Então quando vc fala de "liberdade", de "cultura" e de "valores" do chinês, vc parece estar usando os seus próprios conceitos para estabelecer o seu desejo de distância em relação a eles, quando na verdade, eles usam outros conceitos.
Eu não quero dizer que nós devemos ser condescendentes com hábitos que nós já entendemos que são injustos, como por exemplo, o Estado não oferecer acesso à saúde a todos os seus cidadãos, ou uma pessoa ter a liberdade de ser racista. Não é disso que se trata.
Por outro lado, os nossos valores ocidentais parecem ser superiores aos de outros povos pq a gente só conhece esses, e pq nós estamos acostumados com eles serem empurrados goela abaixo de países de outras regiões. O detalhe macabro é que esses mesmos valores ocidentais tem aplicações totalmente diferentes a depender do país e de quem os reivindica. Países europeus são republicanos e democráticos até um passo antes do tema da imigração, por exemplo. Nós mesmos somos republicanos e democráticos até um passo antes da reforma agrária ou de uma diminuição da desigualdade social.
Então de certa forma, essa nossa alardeada liberdade é uma fantasia.
Não existe valor absoluto, assim como não existe direito absoluto. Nem a vida é um direito absoluto na constituição.
O que me parece ser absolutamente necessário na vida é curiosidade, silêncio para ouvir o que o outro tem a dizer e tempo para refletir sobre o que eu ouvi.