Olá!
Eu sou o Davi e você está no Análise Escrita.
Parei para pensar um pouco esse fim de semana no porque do meu canal ter certa relevância.
Estamos em um site de nicho, somos um site sobre jogos de tabuleiro, e minhas análises/crônicas/desabafos falam muito pouco sobre os jogos em si.
Ainda assim, parece que o público em geral gostou do tipo de texto que tenho publicado, fico feliz em continuar com o projeto e agradeço a todos que doam um pouquinho do seu tempo nesse fórum/sala de terapia.
Ainda nesse fim de semana, parei para assistir um documentário chamado "Roadrunner" sobre Anthony Bourdain na Netflix (sairá do catálogo em 13/11 caso queira assistir).
Para quem não conhece, Anthony Bourdain foi um Chef de cozinha que ganhou fama através de seus livros e de seus icônicos programas de viagem, onde rodou o mundo mostrando lugares que não vemos todo dia na TV, como Congo, Libia, Vietnã, Líbano.
Mais do que comida ou pontos turísticos, Anthony mostrava pessoas, pontos de vista, histórias.
Seus programas eram intensos e enriquecedores.

Que alegre vida triste!
Quantos amigos, quantos lugares conhecidos, mais de 26 voltas ao redor do globo provando, conhecendo, conversando, sentindo novos aromas, vendo novos rostos, ouvindo novas vozes.

Nada é tão bom quanto sair de casa.
Mas nada é tão bom quanto voltar para casa.
Que sentimento agridoce, não?
E agora, aos 33 anos, eu que como muitos não entendi o porquê do desfecho imposto a si mesmo por Anthony Bourdain, me reconheço em vários sentimentos que provavelmente ele vivenciou.
Sempre o admirei e sempre invejei aquela vida de viagens.
Meus Mochilões em parte começaram pelo espírito aventureiro despertado em mim ao ver nesses programas tudo que me esperava além das fronteiras.

Mas sempre tive o prazer de voltar para casa, aparentemente Anthony não tinha esse prazer com tanta frequência.
O documentário cita uma média de 250 dias fora de casa por ano.
Para um cara que foi pai já na meia idade, isso era bastante.
Óbvio que cada realidade é uma realidade, para alguns essa rotina seria maravilhosa, mas aparentemente o Bourdain era um romântico incorrigível, queria estar com a família, queria estar com a filha.
Vejo o exemplo do meu irmão mais velho, é um Sommelier de relativo sucesso e tem uma rotina de viagens tão pesada quanto a citada acima.
Já terminou dois casamentos de forma dolorosa.
Novamente citando: cada realidade é uma realidade.
Me identifiquei também com a Agorafobia citada pelo próprio Bourdain.
Sou professor por profissão, já ministrei aulas para mais de 450 alunos de uma só vez.
Mas hoje sinto cada vez menos vontade (e me sinto cada vez menos a vontade) em lugares públicos.
Parece que minha fala se embarga, que as ideias não saem da minha boca como eu gostaria, evito ao máximo e me sinto muito ansioso com festas ou outras possibilidades de socialização.
Será que envelhecer é assim?
Se tenho tanto, porque me sinto tão vazio? Afinal, o "possuir" não era uma garantia de felicidade?
Vejo esse sentimento em muitos jogadores.
A euforia pelo novo, e logo o vazio quando aquele novo já não supre esse buraco.
Temos que aproveitar a vida.
Afinal, o documentário era sobre o Bourdain ou sobre mim?
O cinema tem o poder de nos deixar esses questionamentos.
E que filme senhores.
No fim, Anthony achou que não tinha mais jeito, e provavelmente em um momento de extrema agonia encontrou o fim que todos conhecemos, rogo para que tenha encontrado paz para seus monstros interiores.
Para não dizer que não falei de jogo nesse desabafo, vou falar de um Clássico.
O Jogo da Vida.
Minha esperança de dias melhores agora se renova.
No jogo da vida, descobri que vou ser pai.
Torço para que ele (ou ela) seja uma pessoa melhor que eu.
Será uma nova rotina, uma nova criação, e uma nova oportunidade de fazer tudo diferente.
Planos mudam, rotina se adapta, no final tudo vai dar certo.
Ou melhor: Já deu certo.
Meus irmãos é interessante a forma como a vida se molda e se manifesta com o tempo, não?