Betrayal at House on the Hill seria o Evil Dead dos BG?

BETRAYAL AT HOUSE ON THE HILL
O Brasil é um país reconhecido internacionalmente pela alta qualidade, tanto dos seus dubladores e dubladoras, quanto de suas dublagens, dos filmes, séries e programas de TV estrangeiros. Outra coisa que nos caracteriza enquanto povo é o nosso incomparável “jogo de cintura” e a nossa inesgotável criatividade, nem sempre para o bem. É por isso que filmes clássicos (outros nem tanto) como “Maltese Falcon”, “The Godfather”, “The Hangover”, “My Girl”, “Airplane”, “We’re The Millers”, “The Sound of Music”, viraram respectivamente, “Relíquia Macabra”, “O Poderoso Chefão”, “Se Beber Não Case”, “Meu Primeiro Amor”, “Apertem os Cintos o Piloto Sumiu”, “Família do Bagulho”, e “A Noviça Rebelde”.
NEM DO HITCHCOCK ELES LIVRARAM A CARA
No caso do Hitchcock, então, tirando Psicose e os Pássaros, quase todos os outros foram rebatizados. Assim, “Vertigo” virou “Um Corpo Que Cai”, “Rope”, virou “Festim Diabólico”, “North By Northwest” virou “Intriga Internacional”, “Strangers on a Train” virou “Pacto Sinistro”, “Family Plot” virou “Trama Macabra”, ”To Catch a Tief” virou “Ladrão de Casaca”, e por aí vai...
Porém, para quem gosta de filmes trash, e já tem “algum tempo de janela”, existe uma série que extrapola até mesmo os nossos padrões nacionais de non-sense, em termos de traduções discutíveis.
Em 1981, um ainda desconhecido Sam Raimi (aquele da primeira trilogia do Homem-Aranha da Marvel) escreveu e dirigiu, um filme estrelado pelo ainda desconhecido Bruce Campbell, chamado Evil Dead. O filme era para ser um filme de terror da pesada, e ele realmente tem umas partes bem aterrorizantes e outras bem chocantes. Porém, curiosamente, muitas pessoas acharam o filme engraçado, principalmente por conta da interpretação exagerada e histriônica do Bruce Campbell. Com isso, o segundo filme tentou manter alguma seriedade, mas com altas doses de humor, e o terceiro enfiou o “pé na jaca” e partiu abertamente para a palhaçada. Desse modo, a série Evil Dead acabou sendo uma das percussoras do chamado horror-farofa, ou dos “filmes terrir”, como o subgênero também é conhecido.
EVIL DEAD
Mas o que mais chama a atenção é o nome que foi dado aos filmes, no Brasil. O primeiro filme “Evil Dead” foi traduzido com “A Morte do Demônio”. Até aí tudo bem. Depois veio o segundo, Evil Dead II que por uma razão lógica deveria se chamar “A Morte do Demônio II”, mas parece que nossos tradutores e distribuidores acharam o nome muito pesado e resolveram mudar para “Uma Noite Alucinante”.
Eles só se esqueceram de combinar com o estúdio, para não lançarem um terceiro filme. Mas foi exatamente isso que ocorreu, e na hora de colocar o título, nossos brilhantes tradutores não queriam perder o link com sucesso que o segundo fez, e ao invés de optar por algo totalmente diferente, eles resolveram chamar o filme de Uma Noite Alucinante III. Mas como assim?!?! A série pula de “Uma Noite Alucinante” diretamente para “Uma Noite Alucinante III”, sem ter “Uma Noite Alucinante II”?!?!
UMA NOITE ALUCINANTE
Mais de uma década depois, os distribuidores aparentemente perceberam e resolverem arrumar a cagada, chamando os filmes de “Uma Noite Alucinante I, II, e III”. Mas que viveu a época, que sabe o que é fita VHS, e que chegou a assistir a série de filmes no videocassete, lembra muito bem que as coisas não eram bem assim.
UMA NOITE ALUCINANTE 3
Curiosamente existe inclusive um obscuro board game da série, lançado em 2016, que aparentemente apenas 5 usuários do Ludopedia possuem.
EVIL DEAD 2 BOARD GAME
A essa altura, se você chegou até aqui, então deve estar se perguntando, mas o que isso tem a ver com o Betrayal at House on the Hill.
Então vamos lá...
Um dia desses, eu estava dando uma pesquisada para um novo tópico, e me deparei com a seguinte situação. Em 2004 foi lançada a primeira edição do Betrayal at House on The Hill. Agora em 2022 está sendo lançada a terceira edição do jogo. Só que entre as duas não deveria haver uma segunda edição?
Eu vi em um post aqui do Ludopedia que em 2010 teria saído essa segunda edição, e inclusive há um anúncio dela na Amazon.com, além dela ter sido mencionada em diversos outros lugares na Internet. Por isso, certamente essa segunda edição foi lançada.
O que eu não entendo é o porquê, dessa segunda edição do Betrayal at House on The Hill, não ser citada, nem no BGG e nem no Ludopedia?!?! Só aparecem a expansão “Widow’s Walk” de 2016 e a versão “Betrayal at Baldur’s Gate” de 2017, a versão “Betrayal Legacy” de 2018, e a versão do Scooby-Doo “Betrayal at Mystery Mansion”.
Será que foi alguma edição muito mequetrefe e que não mudou nada, a ponto dela não ser citada? Será que foi algum esquecimento, ou mau funcionamento tanto do BGG quanto do Ludopedia? Será que o Betrayal at House on The Hill é o “Evil Dead” dos board games?
Por isso, peço a ajuda daqueles que sabem mais do que eu (e são muitos, sem falsa modéstia), para me esclarecerem esse enigma.
Com a palavra os especialistas...
Um forte abraço e boas jogatinas!
Iuri Buscácio