Fala amigos, depois de 3 anos, estamos aí de volta com tesão pra escrever, e fazer crítica pesada (para o terror dos "você jogou quantas vezes pra fazer essa review?") e assim como no primeiro post, A Falta de Arte e a Falta de Mecânica, vou dar minha análise/opinião/traçar um paralelo entre o O Senhor dos Anéis: Jornadas na Terra Média e o Mage Knight Board Game.
Eu diria que ia começar falando bem desse último IP do Senhor dos Anéis, mas sinceramente, não tem nada que salve aqui. Talvez a arte e o manual. E o "falar bem" morre aqui.
Jogo bonitinho... Porém ordinááário
Eu, Bruno Fernandes, como qualquer (ou a maioria) dos fãs de Tolkien imaginou que o jogo seria bom. Há potencial de se criar aventuras e histórias no mundo da Terra Média sem destruir o que já foi criado, o que a FFG falhou miseravelmente em fazer. Rachei com os amigos. Coloquei na mesa. Joguei a campanha do início ao fim.
E o que eu posso afirmar aos senhores, é que esse jogo é uma das (senão a maior) pataquada que a FFG já deu em sua longa linha de jogos. Ele roda mecanicamente bem parecido com o Mansions of Madness, porém, com um adendo: aqui se trata de uma campanha. Campanha essa mega engessada, com pouquíssimo poder de decisão.
Lá pela aventura de nº 3, nós lidamos com um dilema; encontramos uma clériga, que foi exposta a um veneno na floresta as proximidades de Rivendell. E a sua missão é pegar uma rosa para fazer uma poção e com ela curar a dita cuja. Se você é conhecedor do mínimo de Tolkien, você sabe que a floresta que existe ali próximo é, em inglês, chamada de Trollshawls.
Antro de bandidos, e trolls das colinas, essa região é uma de difícil navegação. E nenhum desses seres é citado durante a missão. Basicamente, tudo é dominado pelos Wargs, goblins e orcs que vem em sua caixa básica. Enfim, nós trazemos a tal rosa e fazemos a poção. E curamos a clériga.
E aqui vem minha maior indagação. Se você se propõe em fazer um aplicativo, com uma campanha, porque c#r%lh0s você não perde seu tempo fazendo com que a campanha seja condizente a história de Tolkien, e boa?
Se você quer se propor a fazer um "RPG" (e esse jogo tenta o tempo inteiro fazer isso), porque c#r%lh0s não se faz? Ou é tão difícil assim ao invés de colocar uma linha reta (pegar a rosa, fazer poção, curar a clériga), dar a opção dos jogadores irem atrás dos elfos em Valfenda pra ajudá-la? Ou então carregá-la até a cidade para fazer um teste de diplomacia e tentar ajudá-la por lá?
O jogo é simplesmente reto e desanimador, e nem vou começar a falar sobre as discrepâncias no lore, porque a maioria aqui sabe que pqp, não era pra ter 90% dos personagens que estão nesse jogo e eles só estão aqui pra vender miniaturas de Aragorn, Legolas, Gimli e cia.
E agora eu vou pistolar firme:
Pra mim é de uma put4 má fé, uma empresa se prontificar a fazer um baralho de cartas de itens, onde existem 80 itens (item pra caralh0), e você faz uma p0rr4 de campanha inteira, e droppa 6 itens.
6. F0dend0. Itens.
A única explicação que eu vejo pra isso é: Os cara já tinham planejado esse cassinão e em suas próximas expansões eles simplesmente se prontificaram em fazer uma expansão que são 3 miniaturas de inimigo.
É isso.
Chegamos ao cúmulo do absurdo. E eu nem vou entrar no mérito do sistema "COMPRE UMA NOVA CAMPANHA VIA APLICATIVO E REJOGUE ISSO 473942794 VEZES", porque isso só comprova a estratégia cassinão.
A grande expansão que não posso deixar de perder...
Um adendo importante sobre esse jogo: Eu não duvido que pessoas que não são mega fãs de Tolkien se divertir com ele, inclusive, eu acho que as pessoas que só viram os filmes e nunca se aprofundaram (ou até que não tenham visto ou lido nada) vão achar o jogo decente e até bom. Mas se você é fã, passe longe. Você vai ter duas decepções, a primeira quando teus olhos caírem de jogar essa obra do capiroto e a segunda quando tu olhar tua fatura.
E mesmo com todos esses defeitos, vou chegar no ponto principal dessa análise: o manual.
Curiosamente, se não for o melhor manual da FFG que eu já li, tá no top 3 facilmente. Não vou entrar no mérito da tradução da Calango, porque como sabemos, eles tem um bloqueio pra contratar tradutores (tá faltando dinheiro na empresa, tadinhos).
Ele explica muito bem o jogo, é muito bem ilustrado, muito bonito e funcional. Não se alonga, e também explica todo o funcionamento do aplicativo muito bem.
E neste ponto, entraremos no próximo jogo.
Mage Knight Board Game é um jogo mas tão melhor, tão melhor que esse projeto de Senhor dos Anéis que não tem nem como comparar os dois jogos porque vai ficar feio.
Joguim legal.
O jogo é bom, consagrado, um deckbuilding bastante profundo, visualmente muito bonito, é equilibrado, e provavelmente o melhor jogo do sr. Vlaada (discussão para outro dia).
Porém, ele tem vários problemas. O primeiro deles sendo, a curva de aprendizagem. Ele é um jogo maçante. Em todos os sentidos. Ele tem muito componente, o setup dura um tempo do cac3t3, a chance de você jogar errado esse jogo na primeira, segunda (terceira, e porque não quarta) é alta. É realmente muita coisa pra absorver.
O segundo problema, ele gera um AP infernal em vários jogadores. A ponto de na caixa dele estar dizendo que é de 1-4 jogadores, e se alguém me convidar jogar pra 4 eu finjo demência. Joguei 1x pra 4. Terminei de jogar meu turno, fui de moto no Bob's do meu bairro. Voltei quase meia hora depois. Não tinha chegado minha vez.
É. Nesse nível.
As cartas são pica.
E ainda por cima dou preferência pra sempre jogar com pessoas que já sabem jogar o jogo. Pois a paciência pra ensinar ele me falta.
E terceiro, e maior problema do jogo sempre foi o manual.
Cara, eu sinceramente tenho dificuldade de explicar o que é esse manual. Ele é somente ruim. Ruim demais. Um dos livros te fala pra olhar uma mecânica no outro, aí você precisa pesquisar sobre como funciona uma token em específico, e aí ele tá no guia de referência, e sinceramente, se eu pegasse esse jogo pra aprender hoje, eu não aprenderia simplesmente porque esses manuais são um lixo completo. Tão ruins ao ponto de desanimar quem tá tentando aprender o jogo.
Os manuais são tão ruins que as minhas primeiras partidas o tempo de jogo deve ter subido mais do que 1h facilmente só porque eu tentava achar alguma coisa em um dos livros e simplesmente não conseguia.
Aí entra na internet, procura, acha FAQ, não acha a informação que você quer, passa raiva. E faz uso da grande técnica que todo grupo usa:
"EU ACHO QUE É ASSIM, PORTANTO, VAMOS FAZER ASSIM, DEPOIS QUE ACABAR A PARTIDA A GENTE PROCURA COM MAIS CALMA."
PQP QUE MONTE DE LIVRO RUIM
O que acaba criando um "ecossistema" meio bizarro no Mage Knight como um todo;
- Muita gente compra pra jogar solo e defende piamente que é o melhor jeito de se jogar (se por acaso eu comprar um BG pra jogar solo, alguém me interna por favor).
- Quem já sabe jogar o jogo não quer ensinar pra gente nova (como eu).
- Quem não sabe o jogo e quer aprender vai sofrer pra cac3t3 pra alcançar quem já sabe.
- Quem jogar pra 4 desavisado nunca mais vai jogar essa p0rr4.
Eu tenho amigos (e não é pouco não) que estavam na espera do lançamento da versão virtual para tirar dúvidas que tem até hoje do jogo, esse é o nível do quão ruim a situação é. Agora que ela foi descontinuada, nunca saberemos.
Enfim, o que eu falo pra vocês meus amigos é, sejam diligentes e fiquem ligados no que vocês compram.
Às vezes o jogo pode ser horroroso, e todo mundo na mesa se diverte.
E às vezes o jogo pode ser bom, mas é tão frustrante a primeira experiência que ele vai pra estante e fica lá pegando poeira.
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Errei algum fato? Manda PM.
Quer mandar elogio ou crítica sincera? Tmj.
Quer me dar um tema pro próximo? Manda PM.
Tudo nessa vida é equilíbrio, meus amigos.
EDIT: Palavrão.
#sextou