Bem vindos ao sétimo episódio do Onboarding BG. Hoje é Domingo de Páscoa e vamos falar de Ierusalem Anno Domini na nossa série Game Of The Week! A #GOTW é a editoria de resenhas aqui do Onboarding BG.
Ficha técnica
Ierusalem Anno Domini é o jogo de estréia da designer Carmen García Jiménez desenvolvido e lançado pela Devir em 2023. Curiosidade: a autora é formada em Teologia e adentrou o universo dos tabuleiros modernos em 2015. Seu protótipo de Ierusalem venceu um concurso em Granada e um mês depois foi apresentado no Festival DAU, onde chamou a atenção de David Esbrí, editor e responsável pela iconografia do jogo.
O jogo comporta 1 a 4 pessoas com duração de 90 minutos e chegou ao Brasil no mesmo ano, pela Devir. Não possui nenhuma expansão ou promo. Entre as principais mecânicas estão alocação de trabalhadores, gerenciamento de mão, coleção de conjuntos, colocação de peças e movimento em grade. Se você não está familiarizado com estes termos, consulte nosso glossário.
Chegada em Jerusalém
Ierusalem narra os últimos dias de Jesus encarnado. Desde sua chegada em Jerusalém onde é recebido pelas multidões (Domingo de Ramos), passando pela Última Ceia (Quinta-feira Santa) e sua condenação à morte (Sexta-feira Santa).
Cada jogador representa uma tribo ou comunidade, que ao ouvirem a boa nova, vem ao encontro do Rei dos Judeus. Durante a partida, os jogadores precisarão ir ao Templo para conseguir mais seguidores, negociar recursos no Mercado, fazer Favores ao próximo, escutar Parábolas, visitar Apóstolos e então, ir à Última Ceia! Ao final do jogo, vence o jogador com mais Pontos de Vitória (PV).
A produção está impecável, seguindo o padrão de outros jogos da Devir, como Lacrimosa e Bitoku! O jogo possui uma arte belíssima da dupla Enrique Corminas e Olajide Ajayi com iconografia inspirada na arte bizantina de David Esbrí.
Os principais componentes são: o tabuleiro principal com os locais de ação, coleção de Parábolas, trilha de Favores, e a trilha do Sinédrio (que indica o fim de jogo). Cada jogador recebe 1 tabuleiro individual, 1 baralho com 10 cartas de ação, 1 marcador de Revelação, seus seguidores e 1 recurso de cada tipo da reserva. Marcadores de madeira e papelão se alternam na produção.
Ao todo são 118 cartas no formato 56x87mm—sleeve Padrão USA—, meeples representando os Apóstolos e a ficha de Jesus, que é posicionado ao centro da Santa Ceia. Além de cartas de ajuda do jogador.

Foto/Divulgação: Devir
O Senhor é o meu Pastor
O primeiro jogador é quem mais recentemente fez um Favor ao próximo—bem cristão, não? A partida não possui um número definido de rodadas mas a trilha do Sinédrio indica o fim de jogo. Essa trilha avança por ações de Sinédrio, ou caso todos os Apóstolos se sentem a Ceia, avança no inicio de cada turno.
Os turnos são estruturado em 4 fases: jogar uma carta de ação (obrigatória), visitar um Apóstolo (opcional), comprar uma carta Mahane (opcional) e por fim, repor a mão de cartas. O limite é de 5 cartas na mão e aplica-se ao final do turno. O mesmo vale para o limite de recursos—espaço no Armazém.
Os pontos de vitória são em 3 tipos, com iconografia que os difere: Instantâneos, de Apóstolos e Fim de Jogo. Os Pontos Instantâneos são obtidos imediatamente ao realizar determinada ação e simbolizado pelo valor dentro de um pentágono ocre. Os Pontos de Apóstolos são obtidos somente ao visitar um Apóstolo, na segunda fase do turno e simbolizados pelo círculo verde. E por fim, as ações que possuem pontuação dentro de triâgulos roxos, serão computados ao final da partida.
Como a temática sugere, o puzzle central do jogo é posicionar seus seguidores próximo a Jesus, na Última Ceia. O conceito é simples: ao redor da mesa, há espaços para alocação dos meeples em grade, com os respectivos custos. Quanto mais próximo a mesa, maior a pontuação ao Fim de Jogo daquele seguidor. Porém, seu custo de alocação também é maior.
Há alguns espaços nessa grade com alguns benefícios impressos, então, é comum você alocar um trabalhador numa área que não pontua tão bem, porém acaba sendo mais benéfico a curto-prazo.
Foto/Divulgação: Devir
Mas vamos voltar do início, e explicar brevemente as fases de Ierusalem. No inicio do seu turno, você deve jogar uma das cartas da sua mão. Aqui há alguns elementos que precisam ser observados.
As cartas devem ser posicionadas em uma das 3 áreas reservadas no seu tabuleiro pessoal. Essa decisão é importante, pois para visitar os Apóstolos—que irei falar adiante—você precisa juntar símbolos específicos de lugares.
Foto/Divulgação: Devir
Após isto, você poderá executar a parte superior e inferior da carta:
- Em cima: Ação de Lugar
- Embaixo: Ação de Seguidor
As Ações de Lugar te levam a localidades em Jerusalém e a grosso modo servem para gestão de recursos. Por exemplo, nas áreas de Deserto, Lago e Montanha seus trabalhadores produziram, respectivamente, pão, peixe e pedra. O Mercado é onde você pode negociar livremente suas mercadorias, tanto para compra quanto para venda, ou alternativamente, adquirir uma carta Mahane. E por fim, o Templo é onde você catequisa novos seguidores.
Foto/Divulgação: Devir
Na parte inferior da carta, Ações de Seguidor, possuem um ou mais símbolos que ativam efeitos mais poderosos e que irão te auxiliar a pontuar. Esses efeitos permitem que você ouça uma Parábola, faça um Favor, leve seguidores a Última Ceia ou reuna o Sinédrio e etc. No começo vai precisar da carta de ajuda para entender toda a iconografia.
A segunda fase do turno é a visita aos Apóstolos. Os Apóstolos não começam sentados a mesa. Eles são alocados pelos jogadores, após serem visitados. Isso permite que você beneficie—ou prejudique—os seguidores ao redor da Santa Ceia.
É neste momento que você pontua os valores das cartas usadas para criar o padrão de ícones necessários. Os 12 Apóstolos são divididos em 4 tipos e 3 colunas diferentes, mudando seu efeito e o custo para visitá-lo.
Os Apóstolos Roxos imediatamente convidam um seguidor para Última Ceia. Os Apóstolos Laranjas pontuam imediatamente os seguidores na coluna de seu assento. Os Apóstolos Brancos—vejam só!—permitem ao jogador trocar a posição de um de seus seguidores com o seguidor do adversário. E por fim, Judas recebe 5 Moedas e os seguidores próximo a ele pontuarão negativamente ao fim da partida.
Na terceira fase, opcionalmente, você pode comprar uma carta Mahane—mesmo que tenha comprado uma no mercado. Tanto essas cartas quanto as cartas 33 D.C. só poderão ser usadas uma única vez, voltando ao respectivo baralho ao final do turno.
Na última fase, caso você não tenha adquirido cartas no mercado ou na terceira fase, você completa sua mão até ter 5 cartas. Neste momento, se tiver mais de 5 cartas, deve descartar o excedente. Caso seja uma Mahane ou 33 D.C.—não sei por que você faria isso—elas voltam para o baralho.
Por fim, temos a trilha que representa o Sinédrio—ou Conselho Superior dos Judeus. Esta trilha, além de marcar o fim do jogo, pontua alguns critérios no decorrer da partida. Na preparação, são sorteadas algumas peças e colocadas em espaços da trilha. Sempre que um jogador avança até essa peça, esse critério é pontuado por todos os jogadores. Porém, apenas o jogador ativo pontua integralmente a peça. Os demais, pontuam apenas metade.
Está consumado!
Se você cresceu na parte ocidental do planeta, mesmo não sendo religioso, conhece minimamente Jesus. O jogo possui inúmeras referências ao cristianismo e apesar da temática não o trata de forma divina mas sim histórica e humana. Ierusalem se encerra com a condenação de Cristo.
Há passagens bíblicas em vários trechos do manual e ajudam a explicar ludicamente as mecânicas do jogo. Carmen entrega uma ótima experiência, conseguindo retratar essa passagem tão importante para os cristãos de forma bem implementada! Vale conhecer.