Foi na minha aldeia, Chodzież, que encontrei este protótipo do jogo. Ele trazia marcas de garras de tigre.
Ter um lar próprio é algo sagrado. É por isso que, quando o perigo surge no horizonte, os moradores de uma charmosa vila se unem para enfrentar o inimigo. Um inimigo que se move sob a proteção da noite, podemos acrescentar — para um efeito dramático. Weretigers pede aos jogadores que se unam contra as hordas de homens tigres que espreitam nas sombras. Suas armas? Pensamento inteligente, cooperação e... alguns dados indisciplinados.
Tigris homini lupus
Nosso palco é uma vila encantadora - Thamanthi. De um lado, ela se aconchega em um lago pitoresco; do outro, é cercada por um rio, montanhas e florestas. Desempenhando o papel dos antagonistas: homens-tigres furiosos — feras sanguinárias sedentas por presas humanas. E os protagonistas? Nós — os aldeões. Professores, caçadores, curandeiros, fazendeiros, construtores. Pessoas comuns, enfrentando um desafio extraordinário.
Ao longo de 26 rodadas, fortaleceremos nossa aldeia, montaremos armadilhas, descobriremos ameaças, recrutaremos aldeões para apoio e, por fim, lutaremos contra os homens-tigres até a morte. A jogabilidade gira em torno do uso de dados para desencadear ações simples. Às vezes, é necessário um valor específico, outras, uma soma total e, outras vezes, um valor mínimo. Cada jogador começa com o mesmo conjunto de quatro aldeões, mas, com o tempo, aumentaremos nossa equipe, aumentando nossas capacidades e introduzindo pequenas assimetrias. Depois de esgotarmos nossos dados, os inimigos jogam a vez. O Baralho da Lua encerra cada rodada com um pequeno evento. Novas fichas de ameaça — viradas para baixo — aparecem no tabuleiro, enquanto outras se aproximam, avançando lentamente em direção à vila. Nosso objetivo é revelá-las e eliminá-las usando as contribuições de dados combinadas de todos os jogadores. Caso contrário, as consequências serão... terríveis.
Uma Vila de pouca Especialização
Weretigers é um jogo com um nível de complexidade verdadeiramente família. As ações em si são simples, e a satisfação vem de combiná-las com habilidades. Precisará criar um pequeno mecanismo que responda agilmente a cada desafio. Um aldeão pode aumentar o valor do seu dado em 1, outro pode dobrá-lo e outro ainda pode permitir que traga alguns aldeões de volta da pilha de descarte. E isso não é pouca coisa — uma das condições de perda é ficar sem cartas na pilha devido a ataques. Os inimigos que conseguem entrar na aldeia matam um número definido de aldeões a cada rodada, até que eles próprios sejam eliminados. Esta é, no entanto, uma faca de dois gumes. Você pode ficar tentado a recrutar o máximo de aldeões possível — mas eles também servem como sua "barra de saúde", então é melhor fazer suas escolhas com cuidado. Quatro jogadores comprando cartas agressivamente é uma maneira infalível de tornar sua aldeia vulnerável a qualquer ataque.
O gerenciamento de dados introduz outra reviravolta inteligente. Até desbloquearmos dados adicionais — investindo (ou seja, bloqueando temporariamente) seis dados de valores crescentes —, temos apenas dois dados disponíveis por vez, além de uma pequena reserva. Somente quando essa reserva estiver esgotada poderemos desbloquear os dados colocados anteriormente nas cartas (mas não aqueles nos monstros ou na trilha de experiência). Isso cria uma pequena economia de dados, que frequentemente exige o apoio de outros jogadores. O espírito de resistência coletiva à opressão torna-se palpável por volta da terceira ou quarta rodada e não se acalma até o final. Lembre-se de que não pode lutar contra monstros à toa, assim que eles chegam ao mapa. Primeiro, as fichas precisam ser viradas para ver quais perigos elas trazem. Depois, você só tem um único espaço para lutar contra eles – o último antes de um ataque à vila ocorrer. Tem algum tempo para se preparar ou até mesmo bloquear os dados com antecedência (graças a uma carta de aldeão habilidosa), mas seu ataque deve ser cronometrado com muita precisão para evitar drama.
Lutar contra os homens-tigres exige cooperação, planejamento e sacrifício de todos os jogadores. Tarefas são distribuídas, responsabilidades são estabelecidas e todos os jogadores precisam trabalhar em uníssono para jogar com eficácia. Isso fica especialmente claro com os inimigos chefes, que precisam de impressionantes 18 pontos para serem derrotados. São muitos dados, mas se planejou bem seus movimentos... os tigres logo aprenderão que mexer com os moradores locais foi um erro.
Ó, Belo e Gentil Vilarejo.
A impressão geral deixada por Weretigers é, acima de tudo, de uma calma idílica. A arte encantadora e colorida e os dados robustos certamente ajudam a esquecer a chance remota de ser atacado até a morte por uma horda de tigres furiosos a qualquer momento.
O jogo é fácil de ensinar e as habilidades das cartas são em grande parte autoexplicativas. Os desafios cerebrais ficam em segundo plano em relação a um estilo de cooperação relaxado, quase tranquilo. As ameaças são reveladas cedo o suficiente para se preparar para elas — até mesmo os chefes, que só aparecem na segunda metade do jogo, momento em que os jogadores normalmente têm três ou até quatro dados por rodada e um esquadrão inteiro de Aldeões úteis. Weretigers é uma introdução agradável e quase sem estresse ao mundo dos jogos de posicionamento de dados e dos jogos cooperativos. Para jogadores mais jovens ou menos experientes, é fácil de entender e oferece bastante satisfação — seja repelindo outra onda de atacantes ou terminando aquela paliçada que a vila precisa desesperadamente. Para quem busca um pouco mais de desafio, há configurações opcionais no modo difícil.
Para todos, proporciona um tipo de alegria que pode ser realista, mas é ainda mais atemporal e universal por isso: a emoção de uma jogada de sorte e o triunfo silencioso quando um intruso indesejado cai direto na armadilha que acabou de armar.
Traduzido*** por Marcelo GS ***Todas as traduções são autorizadas pelos autores originais do texto • Todas as imagens são do post original ou publicadas pela editora.