Recentemente, o canal Shelfside publicou no YouTube o vídeo “What Happened to Fantasy Flight Games?”, levantando um debate que rapidamente ganhou eco entre fãs: o que aconteceu com a Fantasy Flight Games, editora responsável por alguns dos maiores sucessos temáticos da história dos board games?
Durante muitos anos, a sigla FFG foi sinônimo de jogos épicos, narrativas imersivas e componentes de cair o queixo. Títulos como Twilight Imperium, Battlestar Galactica: The Board Game, Arkham Horror (2ª Edição), Chaos in the Old World e Android: Netrunner - Revised Edition marcaram época. Se você esteve no hobby nos anos 2000 ou 2010, é quase certo que já tenha jogado ou pelo menos ouvido falar de um desses clássicos. Mas hoje a situação é diferente: na Gen Con de 2025, por exemplo, a empresa não anunciou nenhum jogo inédito, limitando-se a revelar apenas uma nova expansão para Twilight Imperium (4ª Edição). A sensação é de que o estúdio que já foi referência em ousadia perdeu seu brilho criativo.
Fantasy Flight Games na Gen Con 2016
O vídeo relembra como a editora, fundada em 1995 por Christian T. Petersen, passou de publicadora de quadrinhos a gigante dos jogos de tabuleiro com o lançamento de Twilight Imperium em 1997. Desde então, construiu uma reputação baseada em componentes de altíssimo nível, arte impactante, uso de grandes licenças como Game of Thrones, Warcraft, Star Wars e Warhammer, além de uma estratégia consistente de expansões que fidelizavam os jogadores. Também inovou em design, criando os Living Card Games (LCGs) e trazendo integração com aplicativos digitais em jogos como Mansions of Madness (2ª Edição). Na virada para 2010, a Fantasy Flight vivia seu auge, com lançamentos que ditavam tendência no mercado temático.
Mansions of Madness (2ª Edição)
Segundo a análise apresentada, o ponto de virada veio com o sucesso estrondoso de Star Wars: X-Wing Miniatures Game em 2012. O jogo foi um fenômeno de vendas, mas também alterou o foco da empresa, que passou a priorizar fórmulas seguras em vez de projetos arriscados. Pouco depois, a FFG perdeu a parceria com a Games Workshop em 2016, encerrando linhas icônicas. Somaram-se a isso problemas de gestão interna, IPs desgastadas ou mal aproveitadas, a fadiga dos jogadores com reboots e expansões constantes, a ascensão do crowdfunding, que abriu espaço para concorrentes como Awaken Realms(Nemesis) e Cephalofair(Gloomhaven), e o insucesso dos LCGs competitivos, que não conseguiam criar comunidades em lojas como os TCGs tradicionais.
Em 2014, a Fantasy Flight foi comprada pela Asmodee. A princípio, pouco parecia ter mudado — afinal, Twilight Imperium (4ª Edição) foi lançado em 2017 com grande sucesso. Mas a saída de Christian Petersen em 2018 marcou a perda definitiva da identidade criativa do estúdio. Hoje, a FFG segue ativa, mas restrita a poucos pilares: os LCGscooperativos como Arkham Horror: The Card Game e Marvel Champions: The Card Game, a continuidade de Twilight Imperium (4ª Edição) com suas expansões e o novo Star Wars: Unlimited de 2024, que aposta no modelo clássico de boosters.
Star Wars: Unlimited
No vídeo, o autor conclui que a Fantasy Flight Games não está morta, mas também já não é a potência criativa que um dia moldou o hobby. O mercado mudou, novos concorrentes assumiram o protagonismo e os fãs se tornaram mais exigentes. A metáfora usada pelo autor é clara: "a FFG é como um pistoleiro aposentado do Velho Oeste". Ele já não participa de duelos todos os dias, mas de vez em quando ainda mostra que sabe atirar. E embora já não seja o estúdio ousado de outrora, a empresa ainda é capaz de gerar momentos de entusiasmo, como no recente anúncio da expansão de Twilight Imperium (4ª Edição).
Ludopedia::
Em 2014, a Fantasy Flight foi comprada pela Asmodee. A princípio, pouco parecia ter mudado — afinal, Twilight Imperium (4ª Edição) foi lançado em 2017 com grande sucesso.
"Em 2025 a IP do Zombicide foi comprada pela Asmodee. A princípio, pouco parecia ter mudado, mas..."
Como ouvi uma vez no podcast do finado pesado ao cubo, muito da FFG no seu auge é graças ao Corey Konieczka.
O FFG deveria ser chamado de Corey Konieczka games kkk
Ludopedia::
Em 2014, a Fantasy Flight foi comprada pela Asmodee. A princípio, pouco parecia ter mudado — afinal, Twilight Imperium (4ª Edição) foi lançado em 2017 com grande sucesso.
"Em 2025 a IP do Zombicide foi comprada pela Asmodee. A princípio, pouco parecia ter mudado, mas..."
Oxe, mas nesse caso n foi a própria CMON quem se auto destruiu? A FF vai no máximo dar uma sobrevida a essa IP. Quem matou ela foi a CMON, sua ganância e modelos e mercado baseado em FOMO
Muito bom esse video, trouxe muitas memorias.
Comecei no hobby em 2010 mais ou menos, e muito, mas muito mesmo que comecei foi pelos jogos da FFG
Na epoca eram o apice da qualidade, nao existia ainda kickstarter, nem deluxes.
Eu ainda tenho aqui muitos desses jogos, classicos e nao superados.
Sentirei saudades da epoca de ouro da FFG, mas infelizmente o mundo eh assim, as coisas vem e vao.
FFG ja foi a referencia, e sempre vai ter lugar especial no meu coracao
Ainda estou pra ver uma empresa que sabe adaptar uma propriedade intelectual em um board game, como eles faziam
joicecris::Como ouvi uma vez no podcast do finado pesado ao cubo, muito da FFG no seu auge é graças ao Corey Konieczka.
O FFG deveria ser chamado de Corey Konieczka games kkk
Sem duvida. acho que os meus jogos favoritos da FFG a grande maioria tem a mao dele
Pra mim, o que acabou com a FFG foi a compra pela Asmodee, que tirou dela as linhas de miniaturas, como Star Wars: X-Wing e Star Wars: Armada, passando para uma empresa amadora (Atomic Mass Games) e enterrou Star Wars: Imperial Assault.
Eric AP::Pra mim, o que acabou com a FFG foi a compra pela Asmodee, que tirou dela as linhas de miniaturas, como Star Wars: X-Wing e Star Wars: Armada, passando para uma empresa amadora (Atomic Mass Games) e enterrou Star Wars: Imperial Assault.
Acho que eventualmente vai aparecer um "sucessor espiritual" do Imperial Assault. Pra mim é um jogo muito bom, mas que já podia ser bastante repaginado numa 2a edição ou talvez até terminado mesmo, mas nesse último caso só se uma continuidade já estivesse no forno.
Eric AP::Pra mim, o que acabou com a FFG foi a compra pela Asmodee, que tirou dela as linhas de miniaturas, como Star Wars: X-Wing e Star Wars: Armada, passando para uma empresa amadora (Atomic Mass Games) e enterrou Star Wars: Imperial Assault.
Acho que eventualmente vai aparecer um "sucessor espiritual" do Imperial Assault. Pra mim é um jogo muito bom, mas que já podia ser bastante repaginado numa 2a edição ou talvez até terminado mesmo, mas nesse último caso só se uma continuidade já estivesse no forno.
Eles meio que tem que resgatar o Descent e o Massion of Madness primeiro
Os jogos da FFG eram meu sonho de consumo quando comecei no hobby em 2010, o catálogo deles era impressionante naquela época. Hoje a empresa se limita quase totalmente aos LCGs, o que pra mim, que particularmente não gosto desse tipo de modelo de jogo, é totalmente lamentável. Uma pena ver uma empresa que já foi referência absoluta no mercado perder o brilho assim. Sinto falta daquela época do hobby.