Linauro::Ticket to Ride é um elegante jogo de construção de rotas ferroviárias em que os jogadores competem para conquistar rotas de trem no mapa dos EUA, conectando o maior número de cidades que seja possível. No presente texto, destaco, particularmente, o excelente fluxo que o designer Alan R. Moon conseguiu imprimir na estrutura de Ticket to Ride: em seu turno, os jogadores podem comprar Cartas de Vagões, reivindicar rotas de trens na América do Norte ou comprar novos Bilhetes de Destino. Além disso, o jogo pode ser apreendido em poucos minutos e, apesar do pequeno número de ações possíveis, não deixa de proporcionar aos jogadores diversas opções estratégias e decisões táticas a serem tomadas a cada turno.

Em outro
texto, eu defendi que uma das principais características comuns dentre a universalidade dos jogos de tabuleiro modernos é que as regras tendem a ser balanceadas, no sentido de o máximo equilibradas - ou 'não quebradas', coloquialmente - que seja possível. A estrutura de Ticket to Ride é um bom exemplo disso. A manutenção do número de jogadores e a revelação da pontuação dos Bilhetes de Destino apenas ao final mantém o interesse de todos até conclusão da partida. A sorte é gerida de modo que a aleatoriedade da entrada das Cartas de Vagões e dos Bilhetes de Destino seja balanceada pelas mecânicas de gestão de mão e construção de rotas, mantendo a tensão e o engajamento dos jogadores. Não menos importante, a gestão do tempo no jogo é precisa ao entregar ações e turnos rápidos em partidas com duração de cerca de 1 hora.

Mas, o que eu considero mais importante, é que o equilíbrio da estrutura de Ticket to Ride favorece o sentimento de imersão na partida. Aspecto sobrelevado, ainda, pela agradável arte e simpáticas miniaturas de vagões de trem. O único detalhe que eu anoto é que o jogo realmente funciona melhor com a mesa cheia, o que possibilita preencher todo o imenso tabuleiro e aumenta a disputa pelas rotas ferroviárias. Ticket to Ride, portanto, equilibra-se perfeitamente entre um jogo leve, que serve até mesmo como jogo de entrada, e um jogo mais estratégico, que não abriu mão de apresentar refinamento na sua estrutura. Enfim, acrescento que as diversas expansões e caixas independentes lançadas acrescentam em experiência ao jogo. Ticket to Ride New York, por exemplo, é um dos prediletos aqui em casa, apresentando táxis no lugar dos trens.
Fotos: acervo pessoal.
Caro
Linauro
Parabéns pelo ótimo texto.
No mais eu acho que o Ticket to Ride é o jogo família por excelência. Ele é sucesso garantido, tal qual o Dixit, na minha experiência. Até hoje, de todas as pessoas que não conheciam board games, e que eu apresentei o Dixit e o Ticket to Ride, não houve uma única que não tivesse ficado encantada como todos os dois. Infelizmente esses dois jogos são muito caros para os padrões socioeconômicos brasileiros. E isso é uma pena, porque se eles fossem um pouco mais baratos (principalmente o Dixit) a divulgação do hobby seria muito mais fácil e eficiente, e hoje nós teríamos muito mais pessoas jogando jogos de tabuleiro modernos. Isso aumentaria exponencialmente a procura, aumentando por sua vez as tiragens, e provavelmente levando a preços mais acessíveis.
Um forte abraço e boas jogatinas!
Iuri Buscácio
P.S. Claro que são duas escalas totalmente distintas e incomparáveis, e isso certamente jamais acontecerá por uma série de motivos, mas, mesmo assim, já imaginou o Dixit vendendo igual ao UNO e o Ticket to Ride vendendo igual ao WAR?!?!