Por Kevin Talarico e Samanta Talarico
Referências & Identidade
—– Atenção! Este
Diário do Designer é o segundo capítulo da série de Café Express e é repleto de Gatos, Batatas, Jogos, Café, ou quase isso!
E não deixe de ler também o diário anterior de nossas aventuras.
Olá novamente, humano! Eu, o tubérculo mais cafeinado dessas bandas, o Gato Batata, volto para continuar a desvendar o caminho emocionante que está sendo o desenvolvimento de
Café Express. Depois de estruturarmos nossa ideia, seguimos adiante com o projeto, e nos primeiros esboços já começamos a busca por uma identidade para o jogo, algo que eu adoraria (e vou) compartilhar com vocês.
No começo deste ano (2017), depois de alguns testes e refinamentos de mecânica, eu e meus pais chegamos à conclusão de que
Café Express tinha potencial para seguir em frente. Foi nesse momento que entramos em contato com
Jéssica Lang, para convidá-la a fazer parte desse projeto como ilustradora e designer gráfica.
Jéssica esteve conosco no fim da jornada de desenvolvimento de
Cartas a Vapor, sendo responsável pela diagramação dos manuais de regras e da caixa, artes da campanha no Kickante e ilustração dos brindes exclusivos aos apoiadores – como pôsteres, camisetas e canecas. E foi justamente pelo ótimo trabalho realizado e pela confiança passada que ela foi nossa primeira opção. Felizmente, não precisamos de uma segunda opção, pois ela embarcou conosco rumo ao Velho Oeste!
Algumas das artes e artimanhas de Jéssica Lang para a Potato Cat
O trabalho artístico de
Café Express era ainda uma incógnita. Tínhamos alguma noção de logotipo, uma ideia de ambientação rasa e uma pequena história que só mais tarde viria a servir de pano de fundo para os ilustres personagens do jogo. Por isso, a criatividade de Jéssica foi um ponto fundamental. Em suas mãos, colocamos a responsabilidade de dar uma “cara” pro jogo, sem que houvesse um direcionamento mais preciso.
Em nossas primeiras conversas, falamos um pouco sobre os personagens. Queríamos uma representação de gêneros justa, então precisaríamos de um homem e uma mulher. Tivemos o cuidado de pensar, também, nos conceitos de bem e mal, herói e vilão, de forma a deixar essa representação justa ainda assim. No fim das contas, percebemos que tanto xerife quanto bandido deveriam ter a mesma carga de estrelismo e importância no jogo, afinal, eram os únicos personagens, e deixamos por conta da Jéssica escolher qual seria o cargo de cada um.
Essa interação entre game designers e artistas, na opinião dessa mera batata que vos fala, é crucial. Jéssica está conosco agora como diretora de arte, e não podemos simplesmente criar os personagens do começo ao fim e simplesmente pedir para que ela ilustre. Ela deve criá-los junto conosco, e o jogo deve se criar junto com ela. Uma liberdade muito maluca que têm funcionado super bem nos nossos projetos (fuinhas mafiosas e cidades destruídas que o digam!)
O resultado dessa experiência nos dava um pequeno roteiro e nos ajudava muito a criar uma primeira cena: uma primeira ilustração. Estou falando aqui da ilustração que vocês já devem ter visto algumas vezes, onde a Xerife, em primeiro plano, dá as costas ao bandido mais ao fundo, representando uma cena clichê de duelo faroeste.
Quando Jéssica nos mandou a imagem, ficamos boquiabertos. Adoramos o uso das cores, o dourado e os tons de marrom e amarelo. Os personagens transbordavam imponência, e isso era um acerto dos grandes.
Na imagem, já havia um logotipo também. A ideia inicial era usar as armas para compor o X de “Express”, mas por questões estéticas chegamos a outra solução. Essa, também, nada mal. Vou deixar vocês conferirem com seus próprios olhos, e vou querer opiniões a respeito depois.
E aí? O que acharam?
Com essa imagem, começamos mansamente a divulgar o jogo. Foi uma forma de dizer “oi, estamos aqui trabalhando” e ainda assim continuar focando no principal: o trabalhar.
A partir da imagem, detalhamos ainda mais nossos personagens:
De um lado, Xerife Melitta. Uma destemida mulher, séria, durona, e um tanto amarga. Sua dose de heroísmo deveria ser puramente profissional. Do outro, Pistoleiro 3 Corações. Um bandido abusado, com um humor açucarado e cheio de si. Sua vilania precisava ser mascarada por uma camada de comicidade que não existiria na adversária.
A referência dos nomes com as marcas de café foi uma ideia da Jéssica. Se o jogo queria ser icônico, nada melhor que começar encontrando os ícones. E dando continuidade a essa sugestão, pensei em criar uma ficha técnica dos personagens para apresentá-los a vocês. Algo bem temático, que deixasse as características deles bem visíveis.
Claro, é preciso tomar muito cuidado com referências. Além disso sombrear a identidade do jogo, que pode deixar de ser uma ideia original para virar uma simples cópia, direitos autorais não são brincadeira. Mesmo. Por isso – e também por questões de balanceamento -, alteramos o nome do bandido para “Pistoleiro 4 Corações”, e ainda estamos relutante com Melitta, apesar de ser um nome feminino como outro qualquer.
Isso é uma coisa curiosa sobre a criação. Muitas vezes você pode, mesmo que não intencionalmente, criar algo que pode facilmente ser associado a outro algo criado por aí. E depois as coisas combinam tão bem que fica difícil de separar uma parte da outra sem levar junto a identidade que você criou.
Mas no fim das contas, percebemos que tivemos boa recepção quanto aos personagens. E por isso seguiremos em frente com eles. Nossa ideia é chamar outras figuras para compor esse cenário, também cheios de referências cafeinadas e do velho-oeste. Eu adoraria que vocês fizessem parte desse processo criativo conosco, nos dando sugestões de personagens e nomes, então vou deixar esse ponto em aberto para discussão, ok?
E falando em deixar pontos em aberto, caramba! Como vocês me deixam falar tanto assim?! Meu tempo já está acabando e eu nem consegui falar sobre o que FAZEM esses personagens! Tudo bem, esse é um assunto um pouco demorado, então vai ter que ficar pra depois mesmo. Até porque tivemos que passar por um desafio muito grande nele.
Agradeço mais uma vez sua companhia por esses minutos de conversa, e espero imensamente que nosso DevLog esteja sendo útil de alguma forma. E se acharem que não podem esperar até o próximo, então acompanhem a gente na nossa página do Facebook.
Um abraço do Gato Batata e uma segunda xícara quente de café – porque no café, assim como nos jogos, não precisa moderar (tanto).
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