Com base na minha vivência com amigos e parentes, cheguei à conclusão de que as pessoas não compram o War para jogar, mas sim para tê-lo na estante como uma espécie de nostalgia dos tempos de infância e adolescência.
No meu grupo social, são poucas as vezes que alguém que possui o jogo o coloca na mesa. A grande barreira aqui é o tempo de duração da partida e, quando jogam, são raríssimas as vezes em que o jogo chega ao fim, tornando o pessoal cada vez mais resistente a uma partida. E não estou falando de pessoas inseridas no hobby de boardgames modernos, muito pelo contrário.
Na minha família, não é de hoje que o War foi substituído pelo excelente Perfil. Puxando pela memória, lembrei que os adultos não jogavam War, éramos apenas eu e meus primos, todos mais ou menos na mesma faixa etária. Na minha opinião, o que ajuda o War a ainda ser um dos jogos mais vendidos com folga no Brasil é a nostalgia e os preços acessíveis. Outra coisa que venho notando no meu convívio é que as crianças de hoje em dia simplesmente não o jogam.
Dito isso, se você ainda tem um grupo de "pentelhos" que insistem em jogar War, vale a pena investir no divertido (Angus: Batalhas Medievais.) Salvo engano, é de autoria do Sérgio Halaban (o mesmo de Quartz). O jogo foi claramente inspirado no War e sua temática vem de uma trilogia de livros brasileira chamada Angus. Eu mesmo lembro de ter lido os dois primeiros livros na adolescência, por algum motivo, nunca achei o terceiro, com o tempo, acabei perdendo o interesse.
Mas, voltando ao jogo Angus, ele é um "War" muito melhorado e muito mais palatável por alguns motivos:
Ele tem fim: são 8 rodadas, salvo engano.
Sorte mitigada, existem cartas que você pode comprar para aumentar suas rolagens de dado. No fim, ainda há sorte envolvida, pois você precisa tirar cartas com valores altos.
Novos conceitos, existem templos que, se destruídos, podem te amaldiçoar (fazendo você perder tropas ou pontos de vitória, não me recordo agora). Existem barcos que levam tropas pelo tabuleiro com facilidade, ou seja, você não tem a obrigação de abrir caminho no mapa como no War para chegar a um determinado ponto.
Ataque dos bárbaros, são randômicos e servem para atrapalhar jogadores que se encaixam no evento da rodada.
Pontuação, o jogo é decidido por pontos e não exatamente por objetivos secretos como no war. A cada rodada, você pontua de acordo com seus locais e templos, o que também reflete no tamanho do exército que você recebe.
É um jogo bom para os dias de hoje?
Acredito que para os "cracudos" de boardgames ele já esteja datado, mas ainda cabe uma partidinha ou outra no ano, nem que seja para ter a sensação de War sem as rodadas infinitas. Ele quebra um galho enorme se aparecer algum novato querendo jogar um jogo "tipo war", Inclusive, nas vezes em que apresentei o jogo, todos gostaram muito. Fico sem entender como esse título não fez mais sucesso aqui no Brasil.
Abraços!