Obrigado pela referência!
Que tarefa vocês me deram! Vou aceitar esse desafio respirando ares de Borges*.
A expressão "pau a pau" e a inglesa "neck and neck" são um caso de um caso de poligênese metafórica -- o que, fora do jargão acadêmico, pode-se para chamar de um cognato cultural": sociedades diferentes criaram metáforas análogas para o mesmo conceito de empate acirrado.
A origem inglesa é bem documentada: vem das corridas de cavalo do século XVIII (primeiro registro em 1799), quando cavalos cruzavam a linha de chegada com os pescoços alinhados, indicando uma disputa apertada. Em 1802, o jornal The Morning Post já usava a expressão para descrever uma disputa eleitoral acirrada em Kent, na Inglaterra, afirmando que os três candidatos estavam "neck and neck".
Enquanto isso, no mundo lusófono, especialmente em Portugal e seus domínios ultramarinos, o cenário competitivo mais visual e economicamente vital era o marítPowerimo. A competição entre navios a vela (por rotas comerciais, em manobras navais ou em regatas informais) era constante. A peça mais crítica e visível de um navio em confronto direto era a sua proa - a estrutura que "fura" a água. E uma parte fundamental da proa, a roda de proa, também chamada de bico de proa, ou "pau" no popular (fora da terminologia técnico-naval, referindo-se à peça de madeira saliente). Dois navios lado a lado, disputando metro a metro, estariam, portanto, proa a proa ou pau a pau.
No Brasil, essa imagem lusitana encontrou um terreno fértil na linguagem coloquial. Já era comum chamar proeminências corporais de "pau" (pau do nariz, pau da orelha, pau do pescoço). Assim, descrever competidores emparelhados como "pau a pau" soava natural, onde "pau" era uma sinédoque para a linha do corpo.
Portanto, não se trata de uma tradução, mas de um paralelismo. Ambas as culturas, observando cenários competitivos (hipismo e navegação), utilizaram metáforas concretas – uma do corpo, outra da embarcação/anatomia – para descrever a mesma tensão do empate. O intercâmbio cultural posterior apenas sincronizou o uso de expressões que já eram perfeitas equivalentes.
*E para quem não é familiarizado com Jorge Luis Borges, ele foi um escritor argentino conhecido por brincar com erudição, ficção e falsas genealogias - autor do realismo fantástico. Enfim, alguém como nós: sem excessivo compromisso com fatos, desde que a história seja boa.
Quanto ao Power Ranking, o que estou mais querendo jogar são:
1. Skymines - porque preciso tirar da estante da vergonha/oportunidade.
2. As Tabernas do Vale Profundo - por motivos de saudade.
3. Paleo - porque só falta uma missão para terminar a caixa base (e não joguei esse ano).
4. Gentes - saudades, né, gente?
5. Plotters, Inc. - porque desde que o Arthur Lacerda falou desse jogo, eu não paro de procurá-lo na internet.
Meu Power Ranking quase sempre é um power saudade.