Aquaria: Bebendo água de barriga cheia
Depois do sucesso que foi
SETI, eu, você, e todo mundo que curtiu o jogo (
nosso review aqui) ficou de olhos nos futuros lançamento do
Thominho. Eis que o próximo viria com um tema inusitado: aquários.
"Não sendo sobre gnomos estou topando", pensei. Meu desejo: um joguinho com tema inofensivo, mas sangue nos zóios que nem
Azul. Apesar de gostar de SETI gostaria q ele fosse um pouco
mais apimentado. Vai que seria isso?
Obviamente nem havia lido sobre as mecânicas para alinhar meu desejo e decidi arrastar o
Cássio na
Spiel 2025 pra jogar esse comigo, e é aí que a meta-diversão começa. Vem comigo!
Fila > Jogo
Como é um jogo razoavelmente badalado por causa do seu
designer, havia uma demanda expressiva, e uma clara falta de mesas. Ao chegar lá vimos o jogo em andamento e perguntamos se já estava terminando.
30 minutos o tutor disse. Parece válido, tínhamos que ir atualizando nossas redes de qualquer forma. Os 30 minutos se passaram e nada. Perguntei de novo, e recebi novamente a emblemática
meia hora como resposta, já que aparentemente o grupo decidiu jogar até o final… uma escolha diferenciada. Na feira jogos grandes são jogados
só até a metade, afinal, você esta lá pra conhecer. Não foi o caso: eles queriam ir até as últimas consequências. Perguntei pro
Cássio se aguardávamos, e ele topou, afinal, já estávamos lá.
Vote Tiririca, pior que tá não fica.
Nunca um plano de dados foi tão abusado.
Eis que então um alemão
jovem idoso, nos seus 35~ anos, surge e pergunta se poderia se juntar ao nosso grupo e esperar para jogar conosco. Bora! E eis que o que era uma escolha já questionável de uso de tempo se tornou a prova viva, que nessa vida, o que importa são as pessoas.
Que cara gente boa! Começamos a conversar sobre jogos favoritos, tirar sarro do pessoal que não terminava a partida, falar sobre a feira e sofrer juntos na espera. Nesse meio tempo uma das pessoas que estava jogando, desistiu e o tutor teve que assumir, vi no semblante dos jogadores da mesa o puro desgosto (ou sofrimento) por tal ocorrido. Azar o deles, nós tínhamos
David "O Alemão gente boa" na fila, então não estar jogando era muito mais divertido.
Em dado momento a espera acabou, os jogadores saíram, fiz uma piada ácida sobre:
"pra ter demorado tanto, certamente vão comprar né?", talvez eu tenha sido rude, talvez as almas deles já haviam sido sugadas para as profundezas dos
Aquários de papelão. Não sei, mas a nossa vez enfim chegou.
David chamou um outro amigo,
Nils, igualmente gente boa e nossa jornada Aquática se iniciou.
Nosso único acordo:
vamos jogar só uma rodada e não cometer o mesmo erros dos jogadores anteriores.
O Técnico
Essa é a sessão que eu
tento não opinar, mas sim só apresentar alguns fatos sobre o jogo. Fora o tema é claro, já que esse realmente é difícil ser imparcial.
Sorte
- Draft/mercado de cartas. (In-game)
- Mão inicial de peixes. (Setup)
Se bem me lembro isso é a única fonte de sorte durante o jogo, todo o resto ja é informação aberta. Assim como
Ark Nova, você pode estar esperando por cartas de um tipo específico e não ver elas entrando em jogo.
Interação
- Ao escolher uma ação, o bônus associado fica mais "fraco" para o próximo jogador.
- Na trilha de "biblioteca", temos efetivamente uma corridinha já que quem chega primeiro, pega o token com bônus especiais.
- Não há nenhum bloqueio de espaços, ou penalidade por jogadores estarem no mesmo lugar.
Tema
- Existe toda uma mecânica sobre fazer seus "potenciômetros" apontarem para a cor correta no final da rodada. Talvez aquilo simule alguma coisa sobre ajustar o aquário? Não sei.
- As cartas tem fotos de animais reais (eu acho), mas nenhum texto explicativo (como há no SETI).
- Uma das trilhas, se chama "Loja de animais de estimação", e eu sinceramente, não faço a mínima idéia do porque aquilo tem esse nome, pra mim é meramente uma trilha de bônus.
- Você precisa alimentar seus peixes e essa parte parece temática (duh!). A comida dos peixes parecem pilhas AA coloridas no entanto.
Ícone de pilha. Digo, barríl de tinta. Digo, ração de peixe.
O Bom
…
O Ruim
- Multiplayer solitário raiz. Eu tinha zero interesse em querer ver o que os outros jogadores estavam fazendo, e a completa falta de bloqueios me BROXOU FORTE.
- Parece que o Thominho quis aplicar alguma direção de design para "não ferir o sentimento dos jogadores", então em vez de bloqueio, ou ter que pagar mais por algo, coexistir em algum lugar só faz tu ter um bônus "menos melhor". Que tistreza.
- Agora é oficial, eu tendo a não gostar de tableu building que você se beneficia por adjacências ortogonais. Fields of Green, Earth, Between Two Castles. Fábrica de tédio. Impressionantemente, meu jogo preferido (Pax Pamir), usa isso em apenas um eixo.
- Para o que o jogo entrega, acho que é até meio complicadinho, não é pra jogar com civis embora o tema poderia ser convidativo para alguns.
- Olha, fazia tempo que eu não via um jogo tão feio e visualmente desconexo. As cartas de peixe são bonitas e maneiras, mas todo o resto são meio cinzas/marrons. Bate até uma tristeza. Acho que até o Castles of Burgundy chama mais atenção.

Quem sou eu pra chamar um euro de visualmente chato, mas esse brilhou.
- A caixa Alemã do jogo é MUITO mais feia que a caixa internacional.
Alemã.
Internacional (Brasil/Mosaico)
Minha teoria é que a caixa com a
"tradicional família americana dos anos 50" pode ter uma conotação ruim no mercado alemão que é bem progressista entre os gamers. Fica ai a reflexão política, perguntei pro
Thomás e ele não soube responder (coisa da
publisher).
Conclusão
Quando o fotógrafo tem talento tudo fica estiloso.
Antes que os chatos comecem, sim, só joguei uma vez. Não, não vou jogar de novo. Absolutamente zero interesse, mas ao mesmo tempo, não é como se fosse ruim… só é… águado. O verdadeiro XUXU da indústria, um jogo insonço, as vezes até entediante, mas que no final das contas até não é ruim.
Definitivamente não é a minha praia. Mas agora vem o plot twist:
Me diverti muito.
"Oi?" — Leitor desnorteado.
Sim, me diverti demais. Inclusive jogamos uma rodada extra, pois estávamos curtindo a vibe.
Jogar esse jogo medíocre com um grande amigo, e dois novos amigos foi demais. Zoamos iconografia,
trash talk nas pequenas competições e até tentamos
rushar "só mais um turninho", pois no final das contas, bom mesmo é dividir felicidade com quem nos é importante. E a felicidade pode estar escondida no meio de uma fila para um jogo meia boca.
Dream Team Alemão-Brasil
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