Apesar de ser conhecida como Coffea arábica, seu doce aroma surgiu na África, mais especificamente na região onde se localiza atualmente a Etiópia, porém foram os árabes que espalharam pelo mundo o habito de beber café. O cultivo só chegou no Brasil no século XVIII, fruto de contrabando, de plantações francesas na Guiana, mas logo se adaptou ao solo paulista e o café brasileiro se tornou um dos melhores do mundo. Coffee Traders Tá na Mesa!
Coffee Traders é um jogo criado por Rolf Sagel e André Spil em 2021. De três a cinco jogadores, com duração média de 150 minutos, em Coffee Traders os jogadores devem ajudar pequenos cafeeiros pelo mundo e comercializar seus produtos.
- Então são malditos intermediários que lucram do trabalho escravo da plebe?
É uma visão válida. Mas também podemos considerar que são pessoas que querem investir em microagricultores, auxiliando na produção de café, desenvolvendo regiões remotas e contribuindo para um futuro melhor. Tudo depende se você quer continuar sendo esse céptico com alma carcomida de sempre ou tentar acreditar na humanidade. Coffee Traders é dividido em três rodadas, cada uma com cinco fases. Cada fase está bem explicada no tabuleiro individual do jogador, por isso mesmo sendo um jogo complexo, dá para entender sem muitos problemas de maneira rápida.
Basicamente o jogo segue o fluxo: melhorar as fazendas (Nota do Sr. Slovic: São seis, cada uma representando um grande produtor mundial –Colômbia, Brasil, Etiópia, Guatemala e Indonésia. Além de Sumatra, que segue regras especiais), contratar comerciantes, colher o café, cumprir contratos e vender à cafeterias.
As fazendas são coletivas, ou seja, todos podem construir cafezais e prédios em todas. Porém no fim da partida, pontua quem contribuiu mais do desenvolvimento de cada região. Coffee Traders usa uma mecânica interessante na segunda fase do turno, onde os outros jogadores podem seguir a ação do jogador da vez, a um preço reduzido (Nota da Sra. Slovic: Lembra Puerto Rico) e algumas ações ó podem ser feitas dessa maneira, como colocar um comerciante. Por exemplo, se o jogador da vez decide ter um comerciante no Brasil ou outros fazem o mesmo imediatamente ou não conseguem mais na rodada. E como a partida só tem três rodadas, é bom ficar esperto com isso.

O café produzido nas fazendas de Sumatra é especial por dois motivos: pode ser usado como um coringa e ele precisa de um felino conhecido como Civeta. Na área do tabuleiro reservado para a região não há espaços para construir plantações ou prédios. Nela somente pode ser colocados o meeple do civeta. Na fase de produção cada felino faz um grão, mas depois sé retirado do tabuleiro. E não é simples colocar ele lá.
- Cara, que nojo. Fui pesquisar sobre esse bicho e não gostei. Nunca mais tomo café.
Ficou com nojinho, é? Nunca te vi reclamar do mel. Enfim, a hipocrisia! Sabia que o Civeta é considerado o melhor café do mundo? A iconografia do jogo é bem simples e colorida. E para ajudar quem tem dificuldade com cores, cada uma está associada a uma figura geométrica. A pontuação final é baseada na quantidade de prédios construídos, nas vendas para só cafeterias e nos contratos realizados. No fim das três rodadas, quem fizer mas pontos vence a partida.

No geral, Coffee Traders é um ótimo jogo. São muitas regras e quando você olha para o tabuleiro se sente perdido, mas seguindo o que está descrito no tabuleiro do jogador fica fácil de entender. Os tabuleiros são gigantes (Nota da Sra. Slovic: É daqueles jogos que comem mesa) e bonitos. A arte ficou bem legal. O problema dele é que dependendo do número de jogadores, algumas regrinhas mudam, então é bom ficar atento com isso. Ele também não dá muita margem para erros. Apesar da partida ser longa, são só três rodadas. Qualquer deslise pode ser fatal. E como diria dona Florinda, não quer entrar e tomar uma xícara de café?
E é isso, Shishô!