Parabéns pela review. Já deixando claro que estou escrevendo aqui como alguém que gostei muito do jogo, apesar de não ter tanta experiência quanto você.
Eu fiquei com a impressão de que a Catedral fornece muitos pontos porque ela é extremamente custosa, quase uma armadilha. Um jogador investe muitos recursos (ações) não apenas para subir, mas também para chegar em primeiro lá em cima. Se houver dois jogadores nessa corrida, tudo fica ainda mais "urgente". Por fim, essa é uma corrida sem saída. Ao alcançar o final da catedral, o jogador está muitas vezes sem recursos (e logo precisa gastar ações para coletar novamente) e sem cartas (sem planejamento) e precisando buscar um novo rumo para seguir, porque o jogo não acaba só construindo catedral. Esse custo de carta na catedral é muito importante!
Enquanto outros jogadores teriam que se contentar com 8 ou 13 pontos a menos na Catedral, penso que isso é possível de compensar/ultrapassar com construções. E estes jogadores que não estão envolvidos na corrida-Catedral têm melhores condições de organizar suas construções de forma mais vantajosa.
Agora, Arquitetos é sem dúvida um jogo tático. Antes de começar a partida, você pode escolher se irá correr para Catedral ou não (o principal custo são as cartas bônus), porque é possível subir depois e se contentar com 8-13 pontos a menos. Mas sempre será refém das suas cartas de construções e dos aprendizes, logo deve pensar num plano/tática que envolve o que está a disposição. Pelo menos, há um draft dos aprendizes. Mesmo que seja "lento" pela sua experiência com o jogo, ainda fornece 8 opções.
Falando sobre inovação do autor, eu acho que ficaram de fora duas coisas fundamentais (falando tanto de Invasores quanto Arquitetos). As mecânicas são simples (adaptando worker placement), mas trazem escolhas incríveis. Em Invasores, quando você realiza uma ação ao remover um trabalhador é incrível o peso dessa decisão quando você pensa que são trabalhadores diferentes! "Eu quero um trabalhador branco para ter minha próxima ação engatilhada, mas eu preciso pegar recursos cujo trabalhador é apenas cinza", esse para mim é um dilema inovador que traz Invasores.
E em Arquitetos, o dilema está no Centro da Cidade. Uma ação inteira para prender os trabalhadores de outro(s) jogadores? Isso vale as moedas que eventualmente posso ganhar? Mas essa ação é um pé no freio no jogo do adversário! Ele contava com duas ações para ter 5 madeiras e 2 ouros. Uma vez presos, para ganhar esses mesmos recursos ele precisa de 3 ações para cada. Nesse sentido, Arquitetos é um jogo muito interativo porque cada um controla o ritmo alheio. Mas é claro que isso o torna extremamente difícil de jogar também.
Na sua análise, fiquei realmente preocupado com a questão de dois jogadores. Não há nenhuma mudança no jogo base. Imagino que se torne um jogo de marcação forte, com cada um precisando correr para ter recursos e evitar uma marcação. Queria entender porque achou tornou repetitivo? Em sua experiência, ambos sempre focaram em construir Catedral primeiro e depois terminar o jogo? Muito obrigado. Esse jogo está na minha lista de desejo e agora vou tentar jogar algumas vezes com 2-3 jogadores para verificar se isso também me incomoda.