A caixa do jogo já começa a te colocar no clima de Ex Libris.
Em 2017 muita coisa demorou pra ser anunciada e pra sair, mas quando chegou a época de eventos como a
GEN CON e a
Spiel, as editoras resolveram desovar seus lançamentos.
Ex Libris foi um desses jogos que a gente só começou a ouvir falar bem perto do seu lançamento, na feira americana. Lançado pela
Renegade Studio, que chegou no mercado cheia de excelentes jogos, o jogo é do designer
Adam P. McIver e tem arte do próprio designer e dos ilustradores
Jacqui Davis e
Anita Osbourn.
No jogo, somos bibliotecários que precisam organizar nossas próprias bibliotecas da melhor forma possível para ganhar pontos com o inspetor oficial da cidade, uma vez que o melhor será escolhido para cuidar da
Grande Biblioteca da cidade. A melhor biblioteca não é só a maior, mas a mais diversificada, mais organizada e com melhor estabilidade nas prateleiras. Mas você precisa tomar cuidado também com os livros banidos, pois o inspetor está de olho. Mas ele também estará de olho em trabalhos proeminentes e na sua especialidade.
BIBLIOTECÁRIO DE PRIMEIRA VIAGEM
De forma bem sucinta,
Ex Libris é um jogo de colecionar cartas, com alocação de trabalhadores e gestão de mão. Na sua vez, o jogador tem 3 trabalhadores para alocar e pode realizar ações no seu próprio tabuleiro ou nos tabuleiros centrais, colocando um de seus assistentes. Entre as ações mais básicas possíveis, você pode comprar cartas para a sua mão ou colocar essas cartas na mesa, à sua frente, construindo sua estante de livros.
As seis diferentes categorias de livros no jogo.
No começo do jogo são sorteadas 2 cartas de categorias de cartas: uma de trabalhos considerados proeminentes — os favoritos do prefeito — e os livros banidos, aqueles pelos quais você irá perder pontos. Cada jogador receberá também uma dessas cartas e essa será a sua especialidade, ou seja, a categoria em que o jogador deverá focar para se destacar. São seis categorias diferentes —
Poções e Feitiços,
Ficção Fantástica,
Guia dos Monstros,
Códices Corrompidos,
Textos de Referência e
Volumes Históricos — , sendo duas reveladas na mesa e as outras 4 com os jogadores.
As cartas, por sua vez, contém diversos livros — geralmente entre 2 e 4 por carta — de categorias diferentes. Essas categorias podem estar misturadas nas cartas, sendo que algumas tem 3 ou mais categorias diferentes, outras, bem raras, tem todos os livros de uma mesma categoria.
A arte das cartas tem livros com nomes bem divertidos. Vale a pena perder um tempinho lendo alguns deles.
No entanto, o brilho do jogo está justamente no fato de que os tabuleiros da mesa são renovados a cada rodada, mantendo-se somente um (o de menor valor) e descartando os demais, comprando tabuleiros novos. Ou seja, os espaços de ação mudam o tempo todo e você precisa analisar a cada começo de rodada o que é mais interessante fazer. Nestes tabuleiros existem opções como a de trocar cartas de lugar, reorganizar uma fileira inteira, dar lances em um leilão por cartas específicas, entre diversas outras possibilidades bem interessantes.
COMO FAZER UM BOM TRABALHO?
O segredo em
Ex Libris é saber quando colocar suas cartas na mesa, ou melhor, quando colocar um livro na estante. Isso porque cada carta precisa estar organizada em ordem alfabética, de cima para baixo, da esquerda para a direita. A sua estante pode ter no máximo 3 andares, mas pode ter qualquer largura, desde que obedeça as regras de colocação das cartas: elas precisam ser colocadas de forma adjacente na ortogonal às cartas já colocadas no jogo.
Além disso, mesmo as cartas de mesma letra tem uma ordem, seguindo a quantidade de cartas daquela letra. Por exemplo, as cartas “O” vão de 1 a 4, enquanto que as “S” vão até 10. Você pode colocar as cartas em qualquer ordem no seu jogo, mas as cartas que estiverem fora da posição no final da partida serão viradas coma face para baixo e não vão contar para a pontuação final dos livros.
Colocando os assistentes pra trabalhar.
Para ter uma estante estável, você precisa tentar ter colunas e linhas fechadas, ou seja, formar um retângulo com as cartas na sua biblioteca. No final da partida, essas estantes irão pontuar por carta. Por exemplo, se na minha estante no final eu conseguir fechar um retângulo de cartas de 4x3, são 12 pontos.
Serão verificadas também as bibliotecas com livros considerados proeminentes, que irão render mais pontos para quem tiver mais cópias deles, e também os banidos, que tiram 1 ponto cada. Ainda precisará ser verificado quais as coleções são mais diversificadas; neste caso, aquela categoria que o jogador tiver menos cópias terá cada livro multiplicado por 3, o que praticamente te obriga a ter um pouco de tudo.
Uma baita estante, diga-se de passagem!
Por fim, os jogadores revelam suas cartas com suas especialidades, ou seja, as categorias em que deviam ter focado durante a partida, e recebem pontos pela quantidade de livros dessa categoria em suas bibliotecas vezes 2. Então se somam os pontos dos jogadores e o vencedor será o novo responsável pela
Grande Biblioteca.
UMA BIBLIOTECA PRA CHAMAR DE SUA
O tema do jogo está lá, bem pouco, mas de forma divertida. Os nomes dos livros contém diversas referências de cultura pop e outros trocadilhos e deixam a coisa um pouco mais interessante pra quem acha que precisa de texto nos jogos para ter mais imersão. A produção é fantástica, as ilustrações são muito bonitas e a caixa do jogo é bastante imponente. O jogo na mesa, ao final da partida, é lindo.
Além da arte, a produção de todos os componentes é de muita qualidade, desde os personagens de madeira até as cartas e tabuleiros. Só o tamanho das cartas que dá uma dor de cabeça pra achar
sleeves, uma vez que são tamanho
Yucatan, bem difícil de achar.
Como comentei antes, pra mim a parte mais bacana do jogo é o fato de que os tabuleiros para alocar os assistentes mudam a cada rodada, mas isso também pode ser um ponto bem negativo nas primeiras partidas. Isso porque cada um deles tem uma “habilidade” diferente em texto, sem nenhuma iconografia que te ajude a identificar qual é a ação do espaço, fazendo com que os jogadores tenham que ler os tabuleiros toda vez em que eles se renovam. E não é pouco texto, tem uns que tem habilidades bem complexas. Até que você decora o que cada um faz pelo nome, leva um tempinho.
Mas há outro fator que ainda não comentei no texto: as habilidades dos jogadores. Para a primeira partida, o jogo recomenda jogar com os lados dos tabuleiros dos jogadores todos iguais, ou seja, sem nenhuma habilidade especial, pra ficar mais fácil o aprendizado. Porém, existe o verso desse tabuleiro em que cada jogador pode ter uma habilidade única e um assistente especial, que pode ser uma bruxa, um fantasma, um golem, um cubo gelatinoso e etc. Ao todo, são 12 personagens diferentes com habilidades únicas e que dão uma rejogabilidade enorme ao jogo.
Os 12 diferentes personagens do jogo: assistentes com habilidades especiais.
Ex Libris não é o melhor jogo de 2017, mas está bem perto dos melhores. É um jogo com tema e mecânicas bem leves, familiares mesmo, fácil de aprender e de jogar, mas com muitas decisões e rejogabilidade muito bacana. Vale muito a pena conhecer o jogo e, para quem curte o estilo, vale demais ter uma cópia. Aqui, ele não sai mais da coleção.
Mais imagens do jogo: