Olá, jovens.
Tudo suave?
Este é um texto de primeiras impressões, eu não planejei nada. Eu literalmente comprei a caixa com os 4 baralhos pré-montados, chegou hoje, estava com um tempinho livre, então li as regras, assisti a uns vídeos, joguei 3 partidas, estou bastante empolgado e agora escrevo este singelo relato.
Sorcery acertou em cheio um jovem Perdomo de 2000 e bolinha com o fator nostalgia, admito. Por isso, fica aqui o alerta de viés.
Antes de falar do jogo propriamente dito, é inevitável a comparação com o Magic. TLDR: Sorcery é Magic no melhor estilo "copia, mas não faz igual", mas no bom sentido. Há quem brinque que o verdadeiro nome desse jogo é "Sorcery, the meeting", em paralelo a "Magic, the gathering".
Falaremos das diferenças mais ao final, o que faz com que Sorcery seja mais do que Magic, mas antes eu gostaria de falar do que me levou a escrever este texto, apesar de não estar mais tão focado em escrever nada por aqui compromissadamente.
O ano era 2003, e o jovem juvenil Perdomo tinha ganhado do pai a sua primeira pedra de o seu primeiro baralho de Magic.

Esse foi o culpado por 20 anos de puro vício, muito dinheiro investido, milhares de partidas, listas de decks competitivos, torneios. Não me arrependo de nada.
(Fato curioso, esse baralho foi comprado numa Blockbuster, os mais jovens nem devem saber o que é isso. A locadora perto da casa dos meus pais vendia Magic e outras coisas aleatórias além das fitas e DVDs. Meu pai, muito religioso, comprou esse aí porque os outros pacotes tinham imagens de uns capirotos feios, então ele achou que esse seria mais inofensivo hahaha. Eu enchi o saco dele para comprar um baralho, todos os amigos da escola estavam entrando na febre do Magic.)
Mas, eventualmente, Magic morreu pra mim. Foi uma série de fatores, de ambos os lados, terminamos o relacionamento em bons termos. Magic estava diferente, cheio de franquias, não falava mais comigo. Eu também já estava em outra, mais focado nos boards, sem muita cabeça para cenário competitivo, e eu nunca fui muito fã de Commander, apesar de respeitar bastante o formato.
Eu sigo o Elba do canal Fazendo Nerdice, e ali eu descobri um tal de Sorcery. A arte foi o primeiro aspecto que me chamou a atenção. Em um cenário cada vez mais repleto de IA, a proposta de voltar a artes à moda antiga me despertou um certo interesse sim.
Fiquei curioso, fui ver uns vídeos ensinando a jogar e...
"Cara, isso claramente é Magic!"
"Magic com um aspecto de tabuleiro!"
...
"Genial! Adorei!"
E ali voltou o Luis de 2000 e Brasil acabou de ser penta.
Eu abri os baralhos e o boosterzinho que vem na caixa, apreciando as cartas uma a uma, admirando suas artes e "avaliando" o power level das cartas como um iniciante novamente, só que dessa vez zero preocupado com o cenário competitivo. O jovem jovem Perdomo que adorava baixar um monstrão 6/6 atropelar que custava um caminhão de mana pra baixar, como se fosse o Yugi com todo o coração das cartas.
Tá, mas e o Sorcery Sorcery?
Para quem joga Magic: Haste virou Charge; Deathtouch virou Lethal; Fly virou Airborne; First Strike virou Strike First (lol) etc.
Por que em inglês? Infelizmente, até onde eu sei, o jogo não foi traduzido para o português. Eu comprei uma caixa de pré-montados aqui mesmo numa loja local, e estava tudo em inglês.
Eu sei, isso já desanima uma galera. Eu gostaria que o jogo fosse mais acessível, mas é o começo, né? Podemos sonhar.
Mas voltando. Eu lembro que o Elba do Fazendo Nerdice disse que "Sorcery era o TCG perfeito para a mesa de cozinha" ou "o segundo melhor TCG que alguém poderia ter", algo nessas linhas.
Por que "o segundo melhor"? Porque ainda não é um jogo super badalado como outros TCG's, mas é suficientemente bom. Ainda não tem aquela projeção toda, por isso um jogo para você jogar na mesa de cozinha com seus amigos.
Então o Luis não tão jovem do presente se deparou com essa descrição e pensou "Perfeito! É exatamente isso que eu quero mesmo! Cansado dessa vida de competitivo, e MtG já deu o que tinha que dar...".
Eu não quero sair caçando cartas singles superfaturadas para montar um baralho competitivo com uma lista feita por um pro player. Eu quero voltar a conjurar uma hidra 5/5 e matar uns ursos cinzentos 2/2.
"Tá, mas você ainda pode fazer isso com o Magic!"
Sim, mas agora entramos de fato na parte mecânica do Sorcery que diz "mas não faz igual".
Diferentemente do Magic, em que os terrenos são primariamente uma fonte de mana em paralelo, em Sorcery, os terrenos são terrenos mesmo. Sim, eles são fontes de mana, mas existe um aspecto de área no jogo: as criaturas andam pelos terrenos, você (na forma de um avatar) também; outras criaturas podem se esconder nos terrenos, escavando ou mergulhando neles (colocando sua carta abaixo do terreno para indicar isso); outras criaturas voam e se movem mais pelos terrenos; as magias e efeitos têm mais do que alvo, elas têm direção e intensidade (um raio de fogo atravessa uma fileira, e um meteoro cai sobre todas as unidades ao seu redor, causando mais dano no centro da área de impacto); o jogo realmente tem um aspecto meio tridimensional, se comparado ao Magic.
Você se lembra de zicar ou floodar mana no Magic? No Sorcery, você tem 2 baralhos: um de terrenos e um de mágicas, e você escolhe de qual vai comprar a sua carta na vez. Só essa melhoria já me vendeu ao Sorcery.
Curiosamente, até onde pude perceber, Sorcery, diferentemente das Mágicas Instantâneas do MtG, me pareceu mais lento. Você pode responder a uma jogada ou outra, bloqueando com suas criaturas no meio do caminho, mas os turnos são mais focados no jogador da vez. E isso também não é algo ruim.
O ritmo de Sorcery se assemelha mais ao de um board game. Se tivessem me vendido Sorcery como um board fechado, eu teria comprado do mesmo jeito. Na verdade, eu não pretendo jogar competitivo. Sorcery é meu Tash-Kalar 2.0, que eu também joguei bastante e tenho profundo carinho.
O nome todo de Sorcery, na verdade, é "Sorcery, contested realm", e os terrenos realmente têm um aspecto central nesse jogo. Além de serem a plataforma física para a locomoção das criaturas, você pode atacar os terrenos. E quem recebe o dano? O jogador. Então você precisa defender seu território com suas criaturas, os terrenos são uma extensão do seu corpo nesse jogo.
E aqui entra a parte mais interessante, que faz com que o jogo realmente tenha um sentimento de jogo de tabuleiro: você não morre quando chega a 0 de vida, você precisa chegar a 0 de vida e sofrer mais 1 dano direto, e para isso, não vale atacar terrenos. Em outras palavras: não basta matar, tem que tirar a vida também. Após reduzir a vida do seu oponente a 0, você tem que caçá-lo no tabuleiro para dar o golpe final presencialmente.
Eu falei que o texto ia ser pequeno, mas eu me empolguei. Acabou saindo mais um texto à moda antiga.
Encerrando os trabalhos, esse jogo é pra quem?
- Como disse mais acima, infelizmente, até o momento, esse jogo tem uma barreira de idioma. Isso já desmotiva um bocado. Se você se vira num Duolingo ou um inglês de videogame, ainda dá para pegar, não tem tanto texto assim, e os efeitos são fáceis de decorar, mas não é o ideal.
- Se você quer jogar competitivo, pelo pouco que eu vi, o cenário competitivo ainda está engatinhando, então também não me parece ser esse tipo de jogo, ainda (tudo bem pra mim).
- Esse jogo é para quem tá cansado do Magic, quer tentar algo "novo", mas com sabor de nostalgia. É suficientemente confortável pra quem joga Magic, mas tem inovação suficiente para gerar um desafio novo.
- E pra quem não joga Magic, mas curte uma fantasia medieval genérica com arte bonita e sentimento de duelo, pode experimentar sem medo.
Não, jovens, o canal ainda não voltou. Esta é uma cena pós-créditos. Estou cheio de coisas para resolver do casamento, quem já organizou um sabe como é. Quando o canal voltar de fato, falaremos de Sorcery e de outros jogos que surgiram depois do top 25, o atual estado da coleção etc.
Continuem jogando, continuem escrevendo.
Até a próxima.
Forte abraço,
Luis Perdomo