Bem-vindo a mais uma "Análise Do Nada'". Aqui você encontra a análise de um jogo que está perdido pelo mercado, ou até mesmo aí na sua estante. Uma análise inesperada, fora do hype. Hoje vamos destacar um jogo que considero único e que tem lugar cativo na minha coleção...
Sim, Telma. Acho que fosse outro jogo, né, abestado!
Concordo que talvez esse seja o jogo mais "bobo" que eu tenho, mas é aquele bobo do bem, propositalmente "bobo". Algo como o Taco Gato Cabra Queijo Pizza ou Jungle Speed.
Para quem não conhece, o jogo consiste em cartas com vários padrões coloridos que são distribuídas entre os jogadores. Os jogadores vão se alternando, revelando cartas à sua frente, até que ocorra um match (uma combinação)entre as cartas dos jogadores - o que inclui cartas meio a meio com dois padrões desenahdos - ou que apareça uma das cartas da Telma (essa mesma moça estampada na caixa do jogo).
Até aí, funciona como muitos jogos, a questão é o que os jogadores têm que fazer na hora do match. É aqui que Telma se torna único. No lugar do clássico "tapão" do Taco Gato Cabra Queijo Pizza, ou pegar um totem, do Jungle Speed, os jogadores têm que falar (geralmente gritar) um apelido escolhido pelo adversário no início do jogo. Na primeira rodada, esse apelido só têm um nome; na segunda, um nome e um adjetivo; na terceira e última, nome, adjetivo e um lugar de origem e/ou um gesto.
Vão surgindo uns apelidos bem estranhos e curiosamente coerentes com as pessoas que estão jogando ou o grupo de amigos. É daí que vem o nome do jogo, Telma, uma abreviação de "Tell My Name". Esse é o grande chamariz o ponto que os criadores focaram muito bem nas primeiras divulgações. Passa perfeittamente aquele clima de tiração de sarro para qual o jogo foi feito. Se torna, assim, um jogo que brilha com grupos mais escrachados, o que é uma característica marcante de amizades brasileiras.
Assim, Telma salienta algo que transpassa as discussões entre mecânicas e temas nos jogos: a experiência ou fenômeno que o jogo facilita. Essa experiência num jogo sempre é algo que dialoga com a cultura.
No caso, o brilho único dessse jogo vem de uma experiência arquitípica da humanidade desde que desenvolveu linguagem. De forma especial, a sociedade brasileira: o apontar o dedo na cara do outro e esbravejar antes que ele te ataque. "Cala a boca, seu playboy emgomadinho da Aldeota", poderiam dizer facilmente aqui em Fortaleza. Ou "fica na tua, seu Enzo torcedor do Morumbis", em São Paulo.
Calma, pessoal. Não peguem ar! É exatamente isso que esse jogo faz. Ele facilita, administra, como um curral de touros bravos, essa agressividade e, assim, toca numa marca visceral do ser humano (e do brasileiro). É assim que Telma, de forma "boba" chegou a sua 3a edição. E eu indico fortemente, ainda mais porque é um título que está saindo baratinho no nosso mercado nacional.
Se você curte um Taco Gato Cabra Queijo Pizza, mas tem um grupo de jogatina um pouco menos infantil e suficientemente escrachado, Vai de Telma (3ª edição) sem medo. Voccê vai gastar o mesmo, correr o risco de momentos de risadas histéricas e ainda fortalecer o game design nacional.