São tempos de vacas magras…
É fazia tempo que eu não escrevia algo, e hoje vai ser algo mais introspectivo,
meta-hobby raíz, quase um desabafo. Uns tempos atrás rolou uma
trend nas redes sociais sobre "faz primeiro e depois melhora", que apesar de achar bem válido acabo não aplicando pra mim. Tem
TANTO conteúdo na minha lista sobre coisas para escrever que no final das contas me sinto sobrecarregado e acabam nunca saindo. Fico esperando o momento de conjunção astral que vai me dar energias para tal. O momento que nunca vem. Vejam só o que estava guardado:
- Reviews do Ayar, Keyside, Great Evening Banquet, Railway Boom, Calimala, Yotei, 12 Rivers, Forestry.
- Entrevista com o Saashi da Saashi & Saashi (que foi feita, mas faz 6 meses que estou tentando legendar).
- Top/Bottom 5 com Cássio e Arthur.
É coisa! E é fato: não vou fazer eles (só a entrevista mesmo e o Top 5 eventualmente). Perdi o timing, perdi a energia. Foi tanta coisa que aconteceu nesse último ano na minha vida pessoal, que o Hobby em certa medida ficou em segundo plano. Um dos culpados foi o
maior desafio do adulto médio:
Fazer uma grande reforma na sua propriedade.
E ainda num país estrangeiro.
A Reforma
Que stress minha gente, rolou quase processo legal em terra estrangeira. Passei metade do ano morando num colchão em cima do piso e com praticamente 0 móveis. O único móvel relevante: uma mesa gigante fretada pelo meu amigo
Felipe Lanzendorf que veio me visitar no início do ano passado. Afinal, ainda tinha que jogar uns boardgames de vez em quando. Além disso, não iria comprar móveis sabendo que a reforma completa iria ser feita ainda, mas foi só em junho que ela começou.
E claro, longe de ser uma obra tranquila (existe tal coisa?).
Abaixo a foto do cano podre que tirei da parede:
E o condomínio me acusando de ter feito isso em 1 mês, alegando eu ter responsabilidade em consertar.
As obras terminaram no dia ANTERIOR da chegada do Cássio e Bob que vieram me visitar e fazer o combo da visita em Essen 2025 (que rendeu vários posts pelo próprio Cássio). Ainda assim o stress foi até as alturas, afinal, eu estava instalando os móveis que seriam utilizados pelos meus nobres amigos 24 hrs antes da chegada deles.
No final das contas, tudo deu certo. Ainda assim, apesar do shot intenso de boardgame durante a visita deles,
o hobby estava um pouco de lado.
Escravizei eles para me ajudar a jogar fora todo o papelão acumulado das entregas de móveis.
O Podcast
A criação do
Podcast do Spiel des Djows em certa medida era uma solução para essa minha vontade de estar conectado ao hobby, mas não ter que dedicar tanto tempo, que eu nem tinha, para a escrita. E correu bem, mas acabamos dando uma paralizada nele já que nem moradia própria eu tive durante um tempo. Fazer
lives direto da sala de estar do meu amigo que estava me abrigando não seria a melhor das idéias.
Provavelmente quem vai estar ocupado agora, é o Cássio, mas veremos o desfecho disso.
O Presente
Atualmente a vida está bem mais estável na esfera "residencial", mas em outras… nem tanto. Fica aí o mistério (risos), mas voltei a jogar mais com o grupo aqui da minha cidade na Holanda então o hobby continua respirando para mim, mesmo que de forma geral apenas 2x por mês.
O
meta-hobby pra mim hoje é quase o maior foco. Eu curto ouvir os relatos do Cássio que ele manda para mim via áudio (e boa penca desse conteúdo vira os posts dele de relatos). Acompanho o nosso grupo no WhatsApp com os jogadores de Tubarão, interajo pontualmente, mas me divirto "por tabela" com as discussões e os "babados" da terra tupiniquim.
Mesmo a 10.000km de distância é algo que me diverte bastante. De certa forma, sinto que estou lá na casa da @
Samaragiustina / @
Polenta fazendo parte das jogatinas quando vejo as fotos. Esses dias mesmo, o @
Patanga acabou visitando eles, vi no grupo, fiz uma
videocall breve, e me senti lá no meio do Tigris e Euphrates.
Algo novo para mim, de certa forma, é acompanhar
Kickstarters e comprar mesmo sem ver regra e nem nada.
"Só no feeling". Claro, luxo de viver num lugar que não serei vítima do
Buraco de Negro de Curitiba, nem ter taxas de importação exorbitantes. Continuo mantendo uma coleção enxuta e vendendo jogos quando ficam parados (minha teoria do Netflix de Boardgames), mas tem aí uma penca de Kickstarters engatilhados:
- Brass Pittsburg: dispensa comentários. Lancashire/Birmingham são meu TOP3.
- Nippon Zaibatsu (Chegou semana passada): comprei meio as cegas, mais pelo tema e pedigree. Joguei a versão clássica lá nos primórdios do hobby. Lembro claramente do Felipe PUTO explicando as regras pra mim e pro Cássio. Me senti um Neanderthal na época.
- Pax Porfiriana Ultimate Edition: Tive uma cópia do lendário@marciusfabiani, que idolatra o título. Achei "ok" apenas no final das contas, mas com potêncial. É a minha redenção.
- Manila: Amerigo do Feld. Preciso tentar um FELD todo o Ano, e esse é tetris, curto tetris.
- Arrival: Joguei na feira. Sou fã boy the Phil e Sci-fi, então só vem.
Outra coisa que bateu uma mini deprê é saber que grandes amigos ai da
Ludopedia acabaram "saindo da plataforma", bate uma deprê naquele estilo "parece que o nosso tempo passou". Sei que não foi todos, e cada um tem seu motivo para isso, mas colabora ai com o sentimento de não querer escrever tanto mais.
O Futuro
Vou largar a escrita?
Provavelmente não.
Vou escrever muito pouco?
Provavelmente sim.
O fato é que provavelmente vou mudar o meu estilo de entrega. Vocês me conhecem como o cara que escreve Review, e provavelmente vou começar a fazer algo mais light que demande menos pressão-própria, talvez virando algo na vibe do que o Cássio vem fazendo de
"jogados do mês". Deixo os reviews para a nova geração:
*olhando pro Arthur*.
Também tenho algum interesse (lá no fundo) de escrever para o BGG, mas aí seria em inglês, e certamente não tenho vontade de escrever a mesma coisa em duas línguas. Também não sei se confio (ou sequer curto) a ideia de delegar isso para IA (conservador aqui, quero manter minha arte [risos]).
Quem sabe no futuro eu volto com força total, mas atualmente quero realmente levar o hobby "mais casualmente" de uma forma geral. Assim que o
Cássio estiver disponível novamente, provavelmente focarei no Podcast. E sim
Arthur, te prepara para fazer parte desses podcasts também, chega de ficar escalando ai em Floripa.
Conclusão
"São tempos de vacas magras", mas temos que ver o mundo pelas lentes da realidade. É o que é. E vocês? Já tiveram tempos de vacas magras no hobby? Como foi?
Aquele abraço!
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