Muito está se falando se o jogo vem para o Brasil ou não, se as moedas/fichas valem à pena ou não, se o financiamento coletivo é caro, etc, mas... e o jogo? Tem alguém interessado em falar do jogo? Para assuntos não relacionados às mecânicas, peço a cortesia de utilizarem os outros tópicos que estão ativos no momento.
Vocês leram o que Brass Pittsburgh será como jogo? Estão animados para jogá-lo ano que vem? Eu particularmente sinto que essa será a experiência Brass definitiva. Minha expectativa é que ele traga a complexidade e profundidade que eu sempre senti faltando no Brass Birmingham, que mesmo assim é um dos meus jogos favoritos, sem precisar apelar a alguns estereótipos já clássicos dos euros modernos como poderes variáveis e cumprimento de contratos que trocam recursos por pontos. Dito tudo isso, levando em consideração o que li nos updates da campanha (enquanto o manual não está disponível):
O que gostei
FIM DO OVERBUILD!!! Sempre achei uma regra idiota, e um jeito muito forçado de aumentar a interação no jogo (que já é altíssimo em interação, não precisava disso);
Um dos lados do tabuleiro terá um mapa específico para dois jogadores, e isso é muito mais interessante do que a solução do Birmingham de remover algumas cartas. Não sei como será a regra para 3 jogadores, entretanto.
Dessa vez o tabuleiro de jogador funciona quase como uma tech-tree, liberando tiles extras (não os de construção, mas de pipelines e de heavy locomotives) conforme você vai construindo. Além disso, cada construção terá identidade própria agora; os benefícios por flipar um tile variam bastante entre tiles e não são só aquele padrão "renda imediata + ponto na virada de era". Sugiro dar uma olhada nessa página para ver do que estou falando. Isso é uma das coisas que, na minha expectativa, mais vai diferenciar esse título dos outros.
Corrida pelos tiles de pontuação bônus (as estrelinhas necessárias para obtê-los, suponho eu, estão presentes em maior quantidade em tiles indesejáveis, de forma a incentivar sua venda);
Gostei muito da possibilidade de termos links que são permanentes entre as eras (custando muito mais caro) e de poder construir dois links por ação já desde a primeira era;
O whisky em substituição à ação de coringa adiciona uma camada de tomada de decisão de quando construir um link que vai ter dar um whisky (ou qualquer outra ação que te dê o token, como realizar uma venda de uma indústria específica) para se beneficiar de um coringa no futuro, em vez de apenas jogar uma ação fora para ter acesso a isso. Me parece muito mais interessante;
Ter quatro tipos de commodities em vez de dois também me soa como exatamente o tipo de coisa que faltava no Brass para dar aquele punch extra de profundidade estratégica;
O óleo em substituição à cerveja, além de trazer um gosto do Lancashire de quantidade limitada de vendas, adiciona uma camada extra de tomada de decisão por conta dos tipos de links para refinarias. Isso me soa como uma ótima decisão de design. Ele pega o que deu muito certo com a ceverja no Birmingham e adiciona uma camada de tensão e aprofunda o espaço de tomada de decisão.
Além disso, colocaram também bônus em alguns links para evitar o que acontecia com o norte/nordeste em muitas partidas de Birmingham (que ficavam sem desenvolvimento do começo ao fim do jogo mesmo em partidas em 4 jogadores), de forma a incentivar a exploração desses locais.
Por fim, a variabilidade na pontuação por links também aumenta em muito o espaço para tomada de decisões na hora de construir, tanto para se beneficiar (construindo tiles que pontuam muito em locais onde você tem links) quanto para prejudicar os oponentes (construindo tiles que não pontuam em locais onde os oponentes têm muitos links).
O que estou curioso para ver como ficará na partida:
Os mercados espalhados pelo tabuleiro certamente adicionam (mais) uma camada de tomada decisões que definitivamente não estava presente em Birmingham (você só achava uma conexão fácil a algum mercado para acessar carvão e pronto, comprava do mercado central) porque cada mercado terá sua própria valoração dos commodities. Não sei se isso vai deixar o jogo fiddly ou se será só positivo em termos de espaço de tomada de decisão e interação entre os jogadores. Para mim esse ponto é de fato uma incógnita.
O que não gostei:
Por enquanto, nada. Estou 100% no hype locomotive. Mas só para não deixar em branco, me incomodou algo que não é diretamente relacionado ao jogo, mas a como está sendo markeateado: a Roxley está vendendo o Pittsburgh como o mais acessível dos Brass, porque há muita simplificação de regras em comparação ao Birmingham, e não sei se isso é verdade. O jogo parece ter muito menos exceções e edge cases, mas me parece que a extensão bruta das regras é muito maior. Isso, somado à profundidade estratégica acima exposta, me faz suspeitar de que será possivelmente o Brass menos acessível a novos jogadores. Suponho que será um jogo muito mais difícil de vencer e onde a diferença de experiência com o jogo tornará muito mais gritante a discrepância no placar final.
HYPE!!!