All aboard! Esse trem tem como destino a ilha mística de Emberheart!
Esse é o nosso primeiro texto de Primeiras Impressões de 2026 e está sendo escrito por mim, Vanessa, a pessoa que adora a configuração de dois jogadores e que é importante você levar isso em consideração.
Para Emberheart entrar na coleção, bastou eu ler “rescue and train dragons” no BGG. Depois disso, já fiquei eufórica querendo saber mais informações sobre o jogo, como era por dentro, as regras e convenci o Vinicius de que deveríamos reservar o jogo para pegarmos na Feira de Essen.
Como funciona o jogo
Emberheart é um Como treinar o seu dragão (uma das minhas animações favoritas), mas ao contrário, porque no jogo as pessoas da ilha já vivem em paz com os dragões e uns fulanos sem noção de outro local distante resolveram capturar os dragões. Quando tudo vai bem, sempre aparece um chato…
Dito isso, como um dos campeões do Rei, seu objetivo no jogo é recrutar uma equipe de heróis para resgatar os dragões e colocá-los em um local seguro.
Basicamente, você pode realizar 5 alocações durante a rodada e existem 8 locais disponíveis. Ou seja, você terá que escolher o que faz mais sentido para a sua estratégia e levar em consideração que um mesmo jogador pode alocar seus tokens num mesmo local mais de uma vez (se você pegar o marcador de primeiro jogador, é possível alterar um dos locais que você alocou seus tokens e isso pode ser uma vantagem considerável, caso você perceba que não conseguirá nada em um dos locais).
Ao final de cada rodada, existe uma batalha com os caçadores (os chatos que vieram atrapalhar a vida dos dragões). E essa é outra coisa importante para você considerar, porque no começo do jogo são abertas duas cartas, cada uma com uma “opção de batalha” (em geral, essas cartas dizem que você vai perder algo dependendo da quantidade de outro algo que você tiver). O jogador que pegar o marcador de defensor, escolherá qual das cartas será mantida e, consequentemente, qual será removida. Como a batalha só será resolvida no final da rodada e todos os locais de ação já terão sido resolvidos, é importante observar seu jogo como um todo (por exemplo, se a carta diz que você perderá rangers de acordo com o número de dragões azuis que você tiver e você percebe que pegará alguns dragões dessa cor nessa rodada, é interessante ficar de olho e entender qual das cartas te prejudica menos ou prejudica mais o outro jogador).
Em resumo, a ideia do jogo é você conseguir dragões valiosos, bons combos entre dragões e heróis (podem te dar vantagens no decorrer do jogo ou pontos no final da partida) e dragões e reservas (permitem avançar nas trilhas do seu tabuleiro de jogador. Cada trilha te dá um bônus diferente).
Arte e componentes
Quem assina a arte desse jogo é o Andrew Bosley (um dos mesmos artistas de Everdell e O Inconsciente) e é fácil de perceber as semelhanças de traços nas construções da ilha de Emberheart e no vale de Everdell.
Eu, particularmente, acho a arte do jogo bem bonita e gosto que ela não seja infantilizada. Na minha opinião, você consegue visualizar bem os ícones nas cartas, assim como as informações no seu tabuleiro de jogador e no tabuleiro central.
Meu único ponto de crítica, que pode ser uma picuinha, é que as laterais da caixa poderiam ter sido melhor trabalhadas. Em uma delas estão as informações básicas de número de jogadores, idade e tempo médio de cada partida, porém parece que os ícones dessas informações foram esticados e a imagem não ficou em boa qualidade, dá a impressão de que está meio borrado.
Com relação aos componentes, achei todos de boa qualidade. Acredito que a única diferença entre a versão que trouxemos da Feira de Essen e a versão nacional seja o material dos tokens de “ajuda” (aide tokens, de acordo com o manual em inglês, que eu me referi como marcadores ali em cima). Na nossa versão, eles são de madeira e isso foi um “bônus” da compra na pré-venda.
O que achamos do jogo?
Nessa parte, eu e Vinicius temos opiniões um pouco diferentes com relação à configuração de dois jogadores. Na opinião do Vini, o jogo não brilha em dois jogadores, porque é utilizado um terceiro jogador para bloquear alguns locais na ilha e os locais em que esse jogador fictício estará já são determinados no começo de cada rodada. De acordo com ele, é mais interessante ter a presença de uma pessoa que fará “um bloqueio por vez”.
Eu discordo disso, porque, no meu nível de ansiedade, saber no começo da rodada quais locais estarão bloqueados e construir a minha estratégia em cima disso, está excelente. Tenho menos coisas para me preocupar e tenho que me adaptar menos às variações de cada rodada. Caso você seja uma pessoa menos ansiosa e mais competitiva, acredito que você tenderá a concordar mais com a opinião do Vinicius.
Outra coisa que talvez possa incomodar algumas pessoas é que todas as cartas de dragões são utilizadas na partida. Depois que você joga algumas vezes (ou mesmo na primeira partida, se você já observou quantas cartas existem com pontuações mais altas), dá para perceber que é importante ficar esperto quando um dragão (ou mais) de valor alto aparece. E, caso eles já tenham aparecido, você já pode pensar em outras coisas ao longo do jogo (talvez os tokens específicos de guardiões da montanha não sejam mais tão importantes assim…). Enfim, é uma teoria a partir da minha experiência com jogo e que leva em consideração que eu joguei mais vezes em dois jogadores.
Aliás, em relação às partidas com dois e três jogadores, notei que em mais jogadores os combos de dragões e heróis se tornaram mais importantes do que nas partidas com dois jogadores, em que é possível quase esquecer dos heróis, dependendo dos combos do outro jogador e dos dragões que você está salvando. Ou seja, o jogo flui diferente em dois e em mais jogadores, na minha opinião.
No decorrer do jogo, dependendo das suas ações, você pode avançar ou retroceder seu marcador na trilha da chama. Achei essa trilha interessante, porque já jogamos nos preocupando com ela e não nos preocupando tanto e, para mim, ela oferece mais um caminho interessante de pontuação no jogo, principalmente, se o outro jogador não está se preocupando com os avanços.
Emberheart também conta com um modo de jogo assimétrico, em que seus personagens tem vantagens específicas (e bem interessantes). Mesmo já tendo jogado vários jogos, eu não acho que o “modo normal” deva ser ignorado. Gosto de ambos os modos e jogaria muitas vezes apenas com o “modo normal”. Lembrando que essa é apenas a minha visão. Não estou dizendo que essa é a verdade das verdades e que você está errado se discorda.
Resumindo
Para finalizar, eu gostei bastante de Emberheart, mas entendo que uma parte disso é por causa da associação com uma das minhas animações favoritas. Também gostei da forma como ele flui em dois jogadores (mais previsível), porém entendo que possa desagradar ou não animar algumas pessoas.
Em geral, nossas partidas foram bem equilibradas e eu notei que seguimos caminhos diferentes para obter os pontos, o que é algo bem positivo, a meu ver.
Ahhh, nós já temos vídeo com overview de regras e as nossas opiniões sobre Emberheart:
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Obrigado pelo review. Fiquei bem interessado nesse jogo pelo conjunto arte, tema e mecânicas, e dada a realidade do mercado atual, achei que o preço veio até razoável, mas dá sempre aquele medo de ser só um mais do mesmo embelezado.