No último domingo combinamos com um casal de amigos que iríamos conhecer o último grande lançamento de Stegmaier:

Em Vantage representamos, cada jogador, um sobrevivente em uma espaçonave que cai em um planeta alienígena.
Como um grupo temos uma missão, as vezes irá aparecer uma outra missão que, se ambas concluídas, permitirão a vitória épica.
A mecânica é bastante simples: na tua vez tu descreves o local aonde tu estás, lé o texto na carta e em seguida realiza uma ação; caso já tenhas realizado uma ação naquele local, tens que te mover para um outro local. Podes até retornar, mas não pode fazer uma ação novamente, em um local que já passaste.
Um detalhe é que não existe falha, ou seja, em toda ação tu conseguirás realizar com sucesso a ação em si; entretanto o custo e resultado, podem não ser o que tu esperas.
A partida prossegue até um dos jogadores chegar a zero em um dos 3 "recursos " (vida, popularidade e um outro parâmetro que não recordo agora), ou completarem as 2 missões, ou um jogador baixar 14 cartas, ou simplesmente as pessoas não quererem mais jogar.

Talvez ainda mais que Scythe, Vantage dividiu opiniões. Há quem não o ache verdadeiramente um jogo já que, entre outros elementos, a condição de vitória é bastante aberta - se quiser os jogadores podem simplesmente terminar a partida, por exemplo.
Isso poderia implicar que Vantage não resistiria e se sustentaria em muitas partidas, já que não haveria, por exemplo, um fio condutor que permita mensurar e comparar cada jornada.
Ainda, jogadores competitivos em geral podem se sentir enganados por um jogo aparentemente descomprometido com o resultado final.

Já para outros, e estou nesse grupo, Vantage oferece uma experiência muito interessante de exploração, propiciando vivências muito singulares.
Por exemplo, eu pude interagir com vidas alienígenas, obter alguma informação sobre determinado elemento no planeta, conquistar amizade com um ser, ajudar outro em uma missão e ainda bancar o hacker ao interceptar um sinal em uma estrutura desconhecida.
Me lembro de determinado momento quando, ao caminhar um pouco mais, consegui ver melhor e em um ponto de vista mais favorável aonde eu estava e me senti realmente há muitos metros da minha posição original, como se estivesse em um plano 3D.
E incrível que isso realmente ocorreu e não foi uma imersão forçada de minha parte.
Ainda, é possível que muitas surpresas, que não vou entrar em detalhes para não estragar nada, estejam presentes. Uma delas nosso grupo descobriu, embora infelizmente não tenhamos conseguido decifra-la.
Por fim, a quantidade colossal de cartas torna praticamente impossível uma partida ser igual a outra. Claro, existem cartas parecidas entre si - minha esposa chegou a pegar 2 que eram praticamente o mesmo texto - mas isso não chega a atrapalhar e nem acredito que seja tão comum ocorrer.
Terminamos a jogatina com a vitória épica (ou seja, completamos a missão principal e descobrimos e finalizamos a secundária).
Pensamentos Finais
Acredito que o dono do Vantage gostou da partida e jogaria mais (foi a terceira dele e a primeira em quatro jogadores), embora tenha manifestado desejo em vende-lo futuramente.
Minha amiga acho que estava bastante focada nas escolhas das ações e pode não ter imergido no tema.
A esposa gostou mas não adquiriria ($) e manifestou predileção por mesas como de Arkham Horror: The Card Game (Revised Edition).
De minha parte gostei bastante de Vantage, seja pelas mecânicas incomuns, seja pela narrativa emergente. Jogaria novamente, compraria e por enquanto esse jogo é um 10 para mim.