Cara isauraluiza
Eu agradeço a citação, e não é que eu queira me defender, até porque não me senti atacado de forma alguma, pela sua visão da minha forma de escrever. O fato é que gerar conteúdo na Internet, seja ele em audiovisual ou apenas escrito, é uma tarefa muito ingrata e cada vez mais difícil. Nesses trinta e poucos anos de Internet com acesso pelo grande público, muita coisa mudou, principalmente em relação a quantidade de informação e a rapidez com que essa informação é consumida.
A questão da velocidade chegou em um nível tal, que as pessoas desejam, porém mais do que isso, realmente acreditam que informação se adquire por osmose e de forma instantânea. Isso me lembra muito aquela cena icônica do Matrix (um filme icônico), em que de um momento para o outro o personagem Neo (Keanu Reeves), vira para o Morpheus (Laurence Fishburne) e diz "Eu sei Kung Fu". Isso seria ótimo, bastaria você parar um momento fazer o download de tudo que se há para saber sobre a Avalon Hill e no momento seguinte você conheceria essa editora tão importante e saberia de cor cada jogo que ela lançou.
Infelizmente a realidade não é essa, apesar do chatgpt dar essa impressão. Isso porque mesmo que o Chatgpt te forneça quase que instantaneamente um ensaio sobre a Avalon Hill, a pessoa ainda tem de ler esse ensaio. E uma coisa ainda mais interessante é que, exceptuando a leitura dinâmica, normalmente a leitura silenciosa (a leitura em voz alta é bem mais lenta) se dá em uma velocidade apenas um pouco inferior à leitura em que se fala, e não na velocidade em que se enxerga que é absolutamente mais rápida. Só que as pessoas querem sempre tudo para ontem. Para ter uma ideia, basta pensar que antes as pessoas assistiam filmes com duração entre uma hora e meia e duas horas. Depois isso passou a ser muito tempo, e as pessoas passaram a assistir séries, com duração de 45 minutos. Só que nesses mesmos 45 minutos as pessoas poderiam assistir quatro vídeos de 10 minutos no Youtube, então as pessoas passaram a consumir, esse tipo de formato. Hoje as pessoas, principalmente os jovens, assistem vídeos de um minuto e meio ou dois minutos no TikTok. Qualquer um que tenha filhos crianças ou adolescentes sabe o que eu estou falando.
Me parece que com a produção de conteúdos de board games funciona o mesmo esquema. O sujeito até quer a informação, ele só não quer o ter de fazer o "esforço", para adquirir essa informação. Todavia, até o momento em que se consiga instalar um chip de memória na cabeça, e uma porta USB para alimentar o chip, e uma conexão direta com o cérebro (alguém aí falou Johnny Mnemonic, outro do Keanu Reeves?), ainda estaremos presos ao processo de leitura, e arquivamento no cérebro biológico mesmo. Vale lembrar também que se você quiser saber mais, você tem de ler mais e guardar mais. Utilizando o exemplo da Avalon Hill, se você quiser saber o que esse nome significa em termos de jogos, basta saber que ela foi uma editora que fazia jogos. Mas é preciso ler muito mais (bem mais esforço), para saber por exemplo que a Avalon Hill foi uma editora que fazia jogos, fundada em 1954, pelo lendário Charles S. Roberts, o criador dos wargames modernos, na esteira do sucesso do Tatics de 1952, que ficou muito conhecida por produzir wargames na fase de outro desses jogos 1975-1985, e que foi adquirida em 1998 pela Hasbro (atualmente é uma subsidiária da Wizard of the Coast), e praticamente liquidada enquanto editora de jogos (hoje o selo quase que só existe no papel).
Por isso, cada vez mais eu penso que a produção de conteúdo de jogos vive essa grande contradição, porque o sujeito quer saber mais, porém quer ler menos. Isso me faz refletir se o Ludopedia, não esteja ficando incompatível, de certo modo, com a geração de conteúdo, porque caminha cada vez mais para se tornar uma rede social sobre jogos, e uma plataforma para venda e marketing de jogos, do que um site e um fórum sobre jogos, que era sua proposta inicial. Por outro lado, ainda existe um grupo de pessoas aqui que realmente se interessa por jogos, e que quer saber mais profundamente sobre jogos. Eu acho que para esses, quanto mais informação melhor, mesmo que os textos sejam excessivamente longos, como é o caso dos meus escritos. Isso meio que equilibra as coisas, pelo menos no meu ponto de vista. Fora isso, as pessoas evidentemente são livres para ler o que quiserem e para escrevem o que quiserem, desde que mantido o respeito, a urbanidade e o convívio social saudável. Quem acha que o Iuri escreve muito. que é muito chato, e muito "reclamão" e ranzinza (mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!!!!!!), basta não ler o que o Iuri escreve. Já quem acha que apesar disso tudo, o que o Iuri escreve vale a pena, então mãos à obra e vamos encarar mais um textão de cinco ou seis parágrafos. Como eu sempre digo, vamos tentar viver e deixar viver em paz, que isso normalmente dá certo.
Para terminar, respondendo à sua pergunta sobre a Avalon Hill, é preciso lembrar que, conforme eu escrevi acima, a editora praticamente não lança jogos novos há quase trinta anos desde que foi absorvida pela Hasbro. Atualmente, a Avalon Hill serve mais como um "selo de qualidade", para relançamento de novas versões e novos materiais de jogos clássicos, em especial a série Axis & Allies. Eu acredito que esse talvez seja o motivo da falta de conteúdo sobre a editora. Além disso, eu acho que isso ocorre também em relação à língua portuguesa, porque em inglês, inclusive no BGG, ainda se encontra alguma coisa.
Eu me despeço aqui, e peço encarecidamente que você IsauraLuiza entenda o meu ponto, e não se sinta de forma alguma ofendida, ou atacada, pelo que eu escrevi.
Um forte abraço e boas jogatinas!
Iuri Buscácio (o cara dos textões

)