Depois de muitos dias, finalmente o barco chega. Mal dá para ver o porto da nossa distância, mas já é possível admirar a cidade, com suas grandes construções e as cúpulas das mesquitas reluzindo os primeiros raios de Sol daquela manhã. Meu tio já vinha para cá fazer comércio muito antes de eu nascer, por isso me contava várias histórias sobre a beleza natural do local, os costumes exóticos de seu povo e a arquitetura sem igual de seus prédios. Realmente não tinha visto nada mais admirável do que aquela cidade, principalmente a colina de Al-Sabika e suas construções. Realmente estava em uma cidade celestial. Sabika Tá na Mesa!
Sabika é um jogo de 2022 criado por Germán P. Millán. De um a quatro jogadores, com duração média de 100 minutos, em Sabika os jogadores são nobres que devem estabelecer novas rotas de comércio e construir prédios para o Reino de Granada.
- Tem granada? Então é tipo War.
Nem errado você está, 'ant ghabi. Sabika apresenta um interessante sistema com três rondeis (Nota do Sr. Slovic: Só eu que acha essa palavra estranha?) concêntricos, cada um relacionado a uma atividade na cidade. As regras são bem simples, você anda com seus trabalhadores no rondel e faz a ação. Se houver alguém naquele espaço, deve-se pagar um recurso ou dinheiro. Pareci fácil, não?
Até seria, mas com tanto o que fazer e com poucos trabalhadores disponíveis, recursos escassos e concorrência brutal na escolha das ações, se você conseguir realizar 33% de tudo que está planejando, considere-se no lucro. Aqui é mais que importante você ler a mesa e saber o que os outros jogadores estão fazendo, para seguir no outro caminho. Há muito o que fazer, já que Sabika é um jogo sobre construções, relacionamentos e poesia.
- Então não é mesmo War. É o jogo da Barbie!
Allah Yakhthek. Até onde a ignorância leva o indivíduo. Os jogadores constroem o mais belo monumento da cidade, que fica na colina de Al-Sabika e se chama Alhambra (Nota da Sra. Slovic: Conhece esse jogo que já é um clássico? Muito bom), onde há belas poesias estão incrustadas em suas paredes. E os relacionamentos são comerciais, feitos nos principais portos do Mediterrâneo. No rondel interno estão as ações relacionadas a criação e ativação dos poemas. No central, a navegação e o mercado. Já no externo, a construção das salas de Alhambra e prédios na cidade. E tudo está interconectado.
Mas falta um pequeno detalhe. Na época em o jogo é ambientado, ao Reino de Granada era exigido pelos Reis Católicos (Nota do Sr. Slovic: Já ouviu falar de Fernando de Castela e Isabel de Aragão? Boardgame também é história) um tributo. E por isso no fim de cada turno os jogadores devem fazer esse pagamento para são serem penalizados. Em cada uma das cinco rodadas o tributo aumenta e não é nada simples conseguir pagá-lo. Enfim, um jogo razoavelmente punitivo que não é do Uwe Rosenberg (Nota da Sra. Slovic: Agricola) ou Vlaada Chvátil (Nota do Sr. Slovic: Dungeon Lords e Dungeon Petz).
No geral, Sabika é um ótimo jogo. Não é para todos os públicos (Nota da Sra. Slovic: Eu não curti). Há muitos detalhes, o tabuleiro é enorme, mesmo a mecânica principal ser bem simples de explicar, há inúmeros detalhes. Ele é pesado em vários sentidos (Nota do Sr. Slovic: Por isso eu adorei). A arte é fenomenal, com detalhes nos meeples de construtor, comerciante e poetisa. Há muitos caminhos para percorrer, mas foco aqui não é o ideal. Tudo dá pontuação, principalmente no fim do jogo, por isso negligenciar comércio, poesia ou construção não é nada bom. Por outro lado, ser muito disperso não gera muitos pontos. Achar o equilibro é o essencial em Sabika. E o mais difícil de conseguir.