Voidfall
Nigel Buckle, Dávid Turczi, 2023
[a pandemia não acabou, se cuide]
O império galáctico caiu e fanáticos religiosos se espalharam pelos sistemas. Nós controlaremos uma das grandes casas que estão tentando se tornar a nova força hegemônica. Precisaremos controlar setores, guerrear com os fanáticos, desenvolver a nossa tecnologia, administrar as nossas forças militares e lidar com a corrupção.
Voidfall é um euro pesado que se propõe emular um jogo 4X. Caso você ainda não saiba, jogos 4X são aqueles que uma civilização precisa eXplorar o território, eXpandir seus domínios, eXtrair recursos e eXterminar seus adversários. Eu já fui muito fã de 4X, durante a minha vida certamente gastei mais tempo jogando Civilization no computador do que assistindo aula na minha graduação. Estranhamente o Sid Meier nunca me enviou um diploma.
O jogo tem 3 “eras”. No início de cada uma, o 1o jogador escolherá um entre dois eventos. Este tem alguns efeitos, entre os quais determinar quantas cartas serão utilizadas pelos jogadores. Na minha partida esse número variou entre 4 e 5, mas pode ser mais do que isso. Na sua vez, você precisará escolher uma carta entre as 9 disponíveis (8 na 1a era). Cada carta tem 3 ações disponíveis, a princípio você faz 2 delas, mas poderá fazer a 3ª gastando um recurso específico. Cada carta só pode ser usada uma vez por era, mas voltará a ficar disponível na era seguinte.
São, assim, 27 ações diferentes à sua disposição. A análise combinatória delas é imensa. O peso do jogo está principalmente neste ponto. Saber escolher as ações certas, na ordem certa, para fazer a sua máquina de pontos. Alguns exemplos de efeitos são: construção de naves; movimentação de naves (o que pode gerar combate); construção de guildas nos sistemas que você controla (que funcionam como prédios produtores); ativar as certas guildas para ganhar recursos (são 5 recursos diferentes); avançar em três trilhas de desenvolvimento; ganhar novas tecnologias; melhorar tecnologia que você já tem; adquirir mais poder militar; remover uma peça de corrupção; geração de pontos de vitória por distintos critérios. Achou muito? Isso foi só um resumo.
No final da era você ganhará pontos pelas suas cartas de agenda. Você começa com uma agenda e poderá ganhar mais ao longo da partida se fizer ações para isso. Os pontos podem vir por número de sistemas controlados, sistemas com muita população, determinadas guildas, avanços na trilha de desenvolvimento, entre outros. No final da 3a era temos o tradicional “quem tiver mais ponto vence” (e se faz muito ponto neste jogo).
Mas vamos à polêmica, é um 4X? No meu ponto de vista, não. De fato temos o eXpandir e o eXtrair, mas paramos por aí. A eXploração é irrisória. Quando você controla um território novo você ganha uns recursos aleatórios ou instala uma guilda no sistema. Poder-se-ia tirar isso e não faria a menor falta. A eXterminação é situacional, depende da configuração de mapa que você estiver jogando. Eu fui com o que estava indicado para primeira partida com 3 jogadores e não tivemos nenhum combate entre nós. Apenas lutamos contra os “barbaros”. Mas há mapas que colocam os planetas natais mais próximos, favorecendo os conflitos. O comportamento dos jogadores também afetará neste ponto. Mas mesmo com esses poréns, me parece que de fato ir para cima e exterminar o seu oponente não acontecerá em por aqui. Creio que Voidfall menos 4x que Scythe, por exemplo.
Aliás, o ponto fraco do jogo para mim é a falta de interação. Eu praticamente não olhei para o tabuleiro dos meus adversários. Temos apenas que disputar as agendas, mas ficam sempre 3 abertas, e as tecnologias, mas há sempre 2 cópias de cada. Isso poderia ter sido resolvido com disputas políticas ou comerciais, o que infelizmente não acontece.
Não ser 4X é um problema? Depende do que você estiver esperando. Se você estiver indo a procura de algo que lembre o Twilight Imperium ou mesmo um Eclipse, você provavelmente vai se frustrar. Acredito que a expectativa gerada por esse bando de miniatura bonita pode se transformar em insatisfação em 2023. Mas se você gosta de Trickerion, On Mars e de outros eurões temáticos, esse jogo pode ser para você. O que eu mais gostei dele foi a profundidade estratégica. Inicialmente eu pensei que os pontos viriam principalmente das agendas e que precisaríamos ficar correndo atrás desses objetivos, mas há muito mais do que isso. Dá para ganhar muito ponto conquistando territórios, subindo nas trilhas de desenvolvimento e escolhendo as ações de pontuação. Eu gosto muito de construção de motor e disso não se pode reclamar.
A campanha no Kickstarter está sendo um sucesso absoluto. A Grok já anunciou que trará para o Brasil, você está pensando em comprar?
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