Daniel Portugal::Porém, é possível sim avaliar um jogo como bom ou ruim, clássico ou não, desde que se estabeleçam critérios.
Do contrário, não seria possível analisar nada (músicas, filmes, livros, jogos, peças teatrais, etc).
A definição mais básica de clássico: algo que atravessa muitos anos (gerações) sem perder seu valor, mantendo sua relevância. O que por si só deveria garantir algo de qualidade, mas NEM SEMPRE é o que acontece.
Sobre "como avaliar um jogo", existem inúmeros artigos e fóruns. Um que sempre achei simples e ao mesmo tempo bem funcional, foi esse:
https://ludopedia.com.br/topico/10328/como-eu-avalio-jogos
Onde o colega cria 4 critérios (originalmente ele criou 3 grupos, mas dividi em 4):
1- Design (arte, ilustrações, qualidade dos componentes e manual, mecânicas)
2- Mecânicas
3- Feeling (rejogabilidade, dificuldade, expectativa x realidade, interação, diversão)
4- Fator sorte e profundidade do tema.
É isso!
Obrigado pelo comentário, Daniel.
Você tocou em um ponto importante e que me traz uma certa ambivalência.
Por um lado, aprecio muito a ideia de se ter um método ou uma fórmula para seguir e avaliar assuntos de maneira mais objetiva. Uso isso muito no meu trabalho, inclusive.
Porém, por outro lado, temo que este modelos acabem engessando um pouco a análise e, também, eventualmente, resultando no mesmo feeling de gosto pessoal (porém um pouco mais refinado, agora o gosto pessoal é refletido em números matemáticos e em critérios específicos).
Eu entendo o que você disse que, se não houvesse critérios, não existiriam análises de músicas, filmes, teatro, etc. Mas, quantos críticos de cinema, artes, livros, etc, você já viu que criam uma tabelinha de critérios para avaliar uma obra? No máximo separam em tópicos, mas no geral, eles consideram a bagagem que eles tem (filmes que eles já viram, experiências que já viveram) e de maneira subjetiva, discorrem sobre a obra (inclusive gosto de críticos de cinema que preferem nem dar uma nota final para o filme, para evitar justamente essa quantificação).
É diferente se pegar um técnico de mixagem de som e pedir para ele avaliar se o som daquele filme específico foi bem captado.
Em suma, quando quantifico algo e tabulo dentro de critérios, eu sinto que estou avaliando um produto físico: uma geladeira, uma tv, por exemplo. E isso faz muito sentido para mim.
Quando estou avaliando um jogo, como em um livro ou filme, estou avaliando uma obra, mais do que técnica, eu avalio sentimentos, sensações, de acordo com aquilo que vivi e joguei. Não acho que tem como fugir disso e por mais critérios que se coloquem, no final, vai ser sempre a sua experiência e valores que contam mais.
Me alonguei muito, mas este é um tópico que gosto muito e que me faz refletir muito, não só em jogos, mas em filmes e livros, também!
Ps. isso me inspirou a colocar, no meu próximo texto de "clássicos", uma definição do que significa "clássico" para mim