Fala Galera!
Você Conhece Matt Leacock?
Como assim não? Tem certeza disso? Olha, acho que você já jogou ou ouviu falar de um jogo muito famoso dele onde temos que salvar o mundo de doenças infecciosas. Ficou mais fácil?
Pois é, Matt Leacock é um game designer que talvez seja bastante conhecido pela sua criação mais famosa: Pandemic. Inclusive esse jogo tem até campeonato aqui mesmo no Brasil.
(E aí pessoal. Sou o Matt Leacock. Vocês gostam de música?)
Então, quem nunca conseguiu ou falhou tentando encontrar curas para doenças em Pandemic?
É, realmente esse jogo é bastante conhecido, seja na sua versão normal ou na sua versão Legacy. Mas e quanto ao seu criador? Vamos falar um pouco sobre ele.
Matt Leacock nasceu em 1971 na cidade de Saint Paul, Minnesota, nos Estados Unidos. E ele é um dos raros casos em que um designer conseguiu trabalhar com criação de jogos de tabuleiro. Em 2014, ele fez sua transição de Chefe de Designer na Sococo (e antes disso trabalhou bastante no Yahoo!, AOL, Netscape e Apple) para se dedicar exclusivamente em desenvolver jogos de tabuleiro. Sonho da maioria dos designers, não é?
Claro que isso também foi possível ao sucesso estrondoso que seu jogo Pandemic fez ao redor do mundo vendendo mais de 1 milhão de cópias. Vai falar que você não tem curiosidade de saber como é que esse projeto saiu do papel. Vamos perguntar para ele?
‘Olha, durante 3 anos eu levava meu protótipo do Pandemic para o Alan Moon e sempre o deixei revisado. No terceiro ano dessas idas e vindas, eu finalmente levei o jogo para algumas editoras que mostraram interesse nele. Dentro dessas editoras estava a Z-Man Games na pessoa do Zev Shlasinger. Eu peguei ele um dia, logo depois que ele saiu do aeroporto, e passei a ideia do jogo. Ele retornou logo depois falando que havia gostado do jogo e que o publicaria. Eu não esperava que uma conversa rápida dessa levaria a publicação do meu jogo logo depois’.
(A galinha de ouro do Matt)
Apesar do Pandemic ter sido lançado e ter sido um sucesso, Matt Leacock continuou a trabalhar em Pandemic trazendo novas mecânicas através de expansões. Mas sua grande sacada foi trabalhar em conjunto com Rob Daviau para introduzir uma espécie de campanha, onde as decisões dos jogadores em uma partida, trariam consequências para as próximas partidas. Assim nasceu o Pandemic Legacy Season One, jogo com um sucesso estrondoso que o alçou a jogo número 1 da BoardgameGeek por um bom tempo.
(Pandemic Legacy foi um sucesso. Já saiu a Season 2 no Brasil)
E como será que surgiu essa ideia de Pandemic Legacy?
‘Olha, eu acho que foi o resultado de um Brainstorm com Sophie Gravel quando eu visitei uma vez o escritório da Z-Man Games. Nós começamos a discutir várias formas diferentes de utilizar o sucesso de Pandemic e daí surgiram várias ideias incluindo um Dice Game (que depois seria chamado de Pandemic: The cure). Dentro dessas várias ideias loucas teve a de criar o Pandemic Legacy. Nós rimos muito. Eu não levei a ideia muito a sério, achei que foi devido a quantidade absurda de trabalho que estava acontecendo. Entretanto, anos mais tarde, eu comecei a escrever algumas histórias de como seria o pandemic caso ele tivesse uma campanha e rapidamente eu estava com várias páginas escritas em meu notebook. Então eu pensei: ‘Ei, isso pode ser realmente divertido.
Eu escrevi para a Z-Man procurando pelo contato do Rob Daviau para perguntar se ele queria se juntar a mim nesse projeto. Ele então respondeu com um simples e-mail onde estava escrito, de forma garrafal, a palavra SIM. Então começamos a trabalhar no jogo. ’
(Pandemic The Cure, um Pandemic com dados)
Pô PaladinoMonge, esse cara só fez esse jogo e suas variações?
Não, claro que não. Outro grande jogo dele é o Ilha Proibida (Forbidden Island) e sua continuação Forbidden Desert.
Sim, você já deve ter percebido que ele é bastante conhecido por fazer jogos cooperativos, não é? Vamos perguntar para ele o motivo dele criar esse tipo de jogo?
‘Minha esposa e eu jogamos o Lord of the Rings do Reiner Knizia em 2000 e o jogo simplesmente me fascinou. Eu fiquei surpreso com a quantidade de emoção que um jogo cooperativo pode gerar e eu adorei o fato de que, perdendo ou ganhando, eu passei um excelente tempo jogando ele. Isso me fez pensar se eu conseguiria criar um jogo que capturasse essa mesma mágica’.
Bom, não podemos negar que ele conseguiu, afinal, quem nunca vibrou quando conseguiu salvar o mundo em Pandemic, ou chorou quando saiu a carta de epidemia que fez com que a partida fosse perdida? Não sei vocês, mas eu concordo com esse mix de emoções que um jogo cooperativo traz na partida. Será que esses são os ingredientes certos para se criar um bom jogo cooperativo? É isso mesmo Matt?
‘Um jogo cooperativo bom gera muitas emoções e as põe em você. Pandemic, por exemplo, gera ondas alternadas de esperança e medo. Você realmente se sente desafiado. Aí você sente que tem tudo sobre controle até que você começa a perder cidades para as doenças e percebe que nunca teve esse controle todo. Claro que os desafios também precisam ser adequados aos níveis dos jogadores. Como game designer, você precisa criar esses níveis de dificuldades para que o jogador possa ter a opção de selecionar a dificuldade do jogo mais apropriada’.
(Forbbiden Island, um ótimo jogo pra apresentar os jogos cooperativos)
O cara sabe criar mesmo jogos cooperativos. Tanto é que ele tem muitos prêmios e indicações por seus jogos. Eis alguns deles:
- Em 2008, com seu jogo Pandemic, ele ganhou como melhor jogo família pela Games Magazine e foi indicado ao Spiel des Jahres;
- Em 2009, seu jogo Roll Through the Ages: The Brozen Age, ganhou novamente o prêmio de melhor jogo família pela Games Magazine e novamente foi indicado ao Spiel des Jahres;
- Em 2010, Forbbiden Island ganhou o Mensa Select, prêmio da BGG (Golden Geek Best Childrens Board Game) e novamente foi indicado ao Speil des Jahres. Em 2013, Forbidden Desert ganhou o mesmo prêmio e também foi indicado ao Spiel des Jahres.
(Um dos jogos menos conhecido do Leacock. Ou será que não?)
O mais bacana é que ele não se importa que alguns jogos peguem suas ideias no Pandemic e até as melhore em alguns pontos. Para ele, isso mostra o quanto Pandemic foi importante para os jogos cooperativos e também ajuda a venda, tanto do Pandemic quando desses jogos.
PaladinoMonge, eu tenho uma pergunta. Os jogos cooperativos trazem uma mazela para as mesas de jogos: o famigerado Alpha Player. Será que ele pensa em alguma forma de evitar esse tipo de jogador?
Bom meu amigo, infelizmente eu não tenho uma boa notícia para você. Ele já respondeu que não pensa muito nesse assunto quando está criando seus jogos. Para ele, essa é uma situação que é criada porque as pessoas não se conhecem muito bem ou não confiam muito uns nos outros. Claro que, como game designer, ele tenta criar mecanismos que auxiliem a não ter esse tipo de jogador, mas isso não acabará com esse tipo de jogador. Para ele, as pessoas precisam aprender que um jogo cooperativo é bom mesmo perdendo e que os caminhos seguidos por seus companheiros são tão belos quanto os seus.
(Forbbiden Island, terceiro jogo da série Forbbiden. Bonito ele e)
Um dos seus últimos lançamentos é o Pandemic Legacy Season Two, que já foi lançado no Brasil. Além dele, logo mais teremos o lançamento do terceiro capítulo da série Forbidden: Forbidden Sky.
E uma informação bem bacana que a BGG II conseguiu no Diversão Offline de São Paulo. Erik Lang informou que está trabalhando em um jogo com o Matt Leacock. Acho que vem coisa boa por aí hein?
(Mais um Pandemic vindo por ai. Esse parece ser diferente)
É isso pessoal. Espero que tenham curtido conhecer um pouco mais de Matt Leacock, um grande designer de jogos cooperativos.
Jogos de Matt Leacock
- Pandemic
- Pandemic Legacy Season 1 e Season 2
- Pandemic the cure
- Forbidden Island
- Forbidden Desert
- Forbidden Sky
- Pandemic Ibéria
- Pandemic Reinos de Chuthulu
- Pandemic Fall of Rome
- Roll Througth the Ages : The Bronze Age
- chariot race
- Knit Wit
- thunderbirds
- Mole Rats in Space
(Mole Rats in Space. Parece interessante hein)
Fontes: