A Sorte é uma Eventualidade!
—– Atenção! Este
Diário do Designer é o quinto capítulo da série de Café Express!
E se você perdeu o começo dessa aventura, não deixe de ler o
primeiro, o
segundo, o
terceiro e o
quarto capítulos!

Eu sei, eu sei, faz um tempo que eu, o Gato Batata, não aparece para falar mais sobre o desenvolvimento de Café Express, mas é por uma ótima causa, eu garanto! Estivemos testando e preparando coisas novas e interessantíssimas para o jogo, como novos modos de jogar e novos personagens. O trabalho têm sido constante e, diga-se de passagem, emocionante
E o que eu venho falar hoje? Sabe aqueles filmes de Velho Oeste que são repletos de cenas mirabolantes, cômicas e heroicas em mesma escala? No Oeste Selvagem movido a café, esses momentos épicos e inusitados também existem! Por isso, o assunto de hoje são as cartas de evento de Café Express. Elas indicam um pouco de sorte e mudanças de planos inesperadas, mas além disso, são uma cereja no bolo, ou melhor, um chantilly no café da ambientação.
Imagine que o Pistoleiro avança velozmente com seu cavalo e para ao lado de um vagão do trem onde os grãos de café estão guardados. Ele chega mais perto e tenta se equilibrar no cavalo enquanto se estica todo, alcançando o grão. Mas então, não mais que de repente, seu cavalo tropeça em uma pequena pedra, desequilibra e o bandido cai, esborrachando-se no chão.
Parece cena de filme, mas na verdade, esse é um dos eventos do jogo!!
Mas que azar! O Fora-da-Lei tem que devolver o café que
estiver carregando, e ainda será forçado a andar para trás!
As cartas de evento sugerem exatamente isso: reviravoltas. O jogo conta com 9 cartas de eventos que narram pequenos fatos durante o trajeto de assalto ao expresso cafeinado, e que podem beneficiar ou prejudicar os protagonistas dessa história, dependendo do que for.
Essas cartas são pré posicionadas no início da partida, seguindo uma das 3 combinações possíveis: Tradicional (que favorecerá respectivamente autoridade, nenhum dos lados, fora-da-lei), Forte (que poderá favorecer qualquer um dos lados de acordo com a sorte), e Extra-Forte (que será desesperador para ambos os lados, com toda certeza!).
Durante o trajeto do expresso, a trilha de tempo do tabuleiro será traçada e, a cada 5 turnos, um novo evento será revelado. E o desafio todo esteve em criar eventos que não comprometessem a estratégia do jogador, mas que também não se tornassem inúteis ao jogo. Eles precisavam provocar tensão, alívio, susto e desespero na medida certa. Precisavam ser exatamente como nos filmes.
Há sempre esse negócio de dizer que a aleatoriedade de eventos quebram um pouco o teor estratégico do jogo, mas eu já acho que é exatamente o que dá verossimilhança a ele! A vida, os filmes e as aventuras são feitos de imprevistos, e o grande mestre da estratégia é aquele que sabe se adaptar a eles.
Para criar as cartas de evento, pensamos em algumas características essenciais: primeiro elas deveriam ser uma cena muito curta, ao mesmo tempo rasa em detalhes, mas que combinasse perfeitamente com a mecânica e a temática. Precisavam também ser lidas apenas com ícones, visto que toda a base do jogo se sustenta na iconografia. Também optamos por acrescentar um tom cômico a elas, pois isso combina bem com a proposta de Café Express.
Apesar de um pouco diferentes das cartas de ações, seguimos a mesma lógica para criar a iconografia dessas cartas:
Setas específicas para indicar movimento ou ordem; X sobre algo para indicar proibição ou perda; e os ícones já comuns das cartas de ação, como os meeples, as pegadas, as pistolas e os grãos de café. Ainda estamos testando essas iconografias e recebendo feedbacks, portanto, caso tenham alguma dica para nós, iremos ouvi-la – e talvez acatá-la – com um largo sorriso de agradecimento.
Alguns dos ícones que usamos para transmitir o significado do evento.
Como a iconografia nem sempre é suficiente, mas optamos por um jogo com o mínimo de dependência de idioma possível, imaginamos que ilustrações pudessem servir de apoio para a interpretação. Por isso, por exemplo, desenhamos o expresso em uma íngreme subida, na carta em que tudo o que está dentro do trem cai para o último vagão.
E por fim, criamos um título. Ele é o único elemento de texto em nosso jogo (fora escudos, manual e a caixa em si), e pode ser totalmente desprezado caso queiram. Mas decidimos mantê-lo, pois promove o mesmo efeito de apoio das ilustrações.
Aliás, é justamente por esses elementos que as cartas de evento não são tão pequenas quanto as cartas de ação. O que não foi problema algum, já que elas encaixam perfeitamente nos espaços reservados a elas dentro do tabuleiro!
Opa! Difícil se manter em pé nessa subida! Tudo vai pro último vagão!
(Ou pelo menos era isso que essa carta significava até os últimos playtests - Hehe)
Como o jogo aproveita
bastante da modularidade, decidimos, ainda, criar posicionamentos diferentes para as cartas, e várias opções de eventos, alterando o desenrolar de cada partida. Criamos assim 3 eventos neutros, 3 que favorecem as autoridades e 3 que beneficiam os foras-da-lei. Dessa forma, conseguimos criar uma métrica de equilíbrio, mesmo disponibilizando 3 formações diferentes de setup.
Essa é uma das coisas que considero interessante nas cartas de evento. Quando fomos criar essas formações diferentes, pensamos em algo mais ou menos como os setups de
Istanbul. Nesse jogo, os tiles que compõem o cenário possuem 3 indicações numéricas em seu topo esquerdo.
Fizemos algo bem semelhante nas nossas cartinhas, inserindo 3 caixas indicativas, uma para cada formação.
Istanbul tem preparações que te fazem precisar mudar completamente de estratégia.
Já no Café Express, é uma forma de tentar prever as probabilidades.
Com isso fica muito fácil pro jogador fazer o
setup do jogo e escapamos de preparações demoradas. Isso seria totalmente impensável para um
filler, não é mesmo?!
Imagino que já tenha explicado bem como essas cartinhas funcionam. Era pra ser surpresa, mas eu não consigo me segurar: estamos trabalhando em outras opções de eventos, e eles serão algumas de nossas metas estendidas durante o
financiamento coletivo. E bem, acho que já falei demais!
Vou ficando por aqui, mas em breve volto com mais um pouco de conteúdo sobre Café Express. O jogo já está tomando forma, então no próximo capítulo vamos ter uma conversa um pouco mais descontraída, falando sobre o tabuleiro do jogo e algumas manobras que podem acontecer.
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Um abraço batatoso,
- Gato Batata