Olá pessoas, eu sou o Edu, criador do jogo Tá na Mesa!
Neste divertido jogo, cada participante toma o papel de um cozinheiro que aceita participar de um concurso de culinária caseira. Mesmo sendo um projeto um tanto quanto recente o jogo tem agradado a todos nos eventos por onde deu as caras. E eu gostaria de compartilhar com vocês, que ainda não o conhecem, sobre como foi o processo de criação e dos ajustes que o deixaram ainda mais saboroso com o tempo.
A concepção (receita) do projeto:
Tudo começou com a necessidade de incluir a patroa em minhas jogatinas. Ela não curtia muito jogar comigo (exceto na hora de me humilhar no Catan online na época), e talvez até por falta de um tema que lhe agradasse. Porém ela amava tudo o que eu fazia, mesmo que fosse com um cenário não tão atrativo para ela e por mais simples que fosse. Então decidi dedicar um tempo bolando algo que ela fosse mesmo gostar. Na época tinha uma coisa bacana e marcante que nós curtíamos juntos, assistir o Master Chef Austrália, nem tinha nada anunciado de uma edição brasileira ainda. O programa, como todos devem saber ou ao menos ter uma certa noção, é cheio de provas criativas e tem aquelas crianças super carismáticas que cozinham melhor que muito adulto, a gente adorava. Não demorou muito pra eu ligar o tico com o teco e fazer um jogo com essa temática. Com a pulguinha coçando na mente devo ter ficado umas duas a três semanas só imaginando como poderia funcionar pra depois colocar alguma coisa realmente no papel. E assim surgiu o primeiro dos protótipos.

A premissa básica era simples: trocar cartas de ingredientes por tiles de receitas (pratos, refeição, etc.). Mas teria de haver algo diferente, que não fosse simplesmente com fator de sorte. E assim foram surgindo os detalhes, as minúcias que forma deixando o jogo cada vez mais redondinho.
Assim como no programa, deveria haver três etapas bem estipuladas: coletar os ingredientes (aquele momento em que a criançada sai correndo que nem doidos para pegar o que precisariam), também a fase de cozinhar (e confesso que aqui eu parei durante um bom tempo e enchi de coisas, depois fui podando os excessos) e por fim deveria ter uma fase de apresentações dos pratos feitos, nesta fase eu pensei em vários métodos de fazer um puzzle, inicialmente haveriam pratos grandes e outros menores com diferentes formatos estilo Tetris (ou mesmo o Patchwork), mas foi sendo cada vez mais simplificado.
A etapa de cozinhar tinha tanta coisa que foi dividida em duas, criando uma nova fase onde temperamos as receitas. A princípio era feito uma espécie de draft de dados com faces coloridas, onde cada jogador tinha de juntar um conjunto de cores específicas que lhes garantiriam pontos. Para definir quais conjuntos valeriam tantos pontos decidiu-se fazer uma espécie de bancadas, nelas foram definidas diversas combinações fazendo com que cada jogador necessitasse de um conjunto de cores diferentes.
Após muitos detalhes reescritos e reestudados definiu-se uma versão protótipo inicial e um nome "À Moda da Casa".
As cartas (que já eram divididas em 5 naipes/tipos) receberam um upgrade no design e foram acrescentadas 5 cartas a mais, uma por cada tipo. As bancadas receberam ícones de ingredientes grátis para deixar mais fácil de cozinhar, pois em algumas situações o jogador ficava sem ter o que cozinhar em uma rodada o que desequilibrava a partida. Mas a maior mudança foi feita nos dados de faces coloridas, que foram substituídos por fichas (tokens) dupla face que eram divididos em 4 cores com uma face sempre diferente da face oposta, eles eram misturados e lançados no centro da mesa no estilo búzios e o draft agora seria com essas fichinhas com a possibilidade de poder virar para a face oculta da mesma após coletá-la.
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Até aqui o jogo não tinha muita pretensão de ser algo grande nem nada assim, eu como autor nem sequer imaginava o que fazer com ele, tentar um financiamento coletivo ou apresentar para alguma editora, enfim. Então o projeto foi ficando de lado por um tempo, enquanto via mesa apenas entre amigos.
No primeiro trimestre do ano acabei esbarrando com o Israel Berbigier no face, e papos daqui e dali decidimos mobilizar um pequeno grupo para se encontrar e jogar alguma coisa. Nesse primeiro encontro com apenas 6 pessoas acabei levando o "À Moda da Casa" e mais um outro protótipo (assunto pra outra conversa), a recepção foi muito melhor do que eu poderia esperar, e realmente deu no que falar. Dali o próprio Israel virou fã do jogo. Decidimos a partir dali fazer encontros mensais e, até agora, a galera dos encontros só vem crescendo (o último Joga Tchê teve mais ou menos umas 30 pessoas que lotaram a tabuleiria que nos recebeu), e em todos eles o Tá na Mesa (agora com o nome novo) fez bastante sucesso. Depois daquele primeiro encontro com 6 pessoas, a galera da Mamute jogos ficou sabendo do protótipo e demonstrou certo interesse, então o Pedro Grala (um dos sócios da editora) me liga no fim de um fim de semana perguntando sobre o jogo e dizendo que estava na minha cidade, eu já até estava deitado para dormir mas acabei dizendo pra ele vir. Depois de uma partida rápida foi que o Pedro viu o potencial do jogo e se apaixonou por ele.
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Hoje o protótipo está bem mais desenvolvido, os cozinheiros foram acrescentados e a variedade de estratégias aumentou ainda mais. Por hora vou parar por aqui, mas nos próximos dias/semanas vocês já poderão ter mais noção de como anda o Tá na Mesa e de como poder adicionar ele em sua coleção também.
Obrigado por lerem até aqui, espero que curtam o jogo e minhas ilustrações, fui...