De forma alguma criticando a sua opinião e visão sobre os fatos, mas apenas para trazer contrapontos (também individuais) sobre o que voce apresentou
Antes de mais nada, não existe mais Galápagos. Assim como não existe mais Twitter. A gente se habituou ao nome, mas a filosofia com certeza agora é outra. Se você buscar, aqui no mesmo no fórum, há uma publicação da própria Ludopedia com a última comunicação do CEO da Asmodee global. E em grandes linhas, sim é isso mesmo. Atender mercado de massa. LCG e party games. Eles abriram uma vertente no Japão para exportar os designs minimalistas de lá, inclusive. Do ponto de vista mercadologico, para uma empresa TÃO GRANDE como a Asmodee, é importante aproveitar a economia de escala. Eles PRECISAM fazer isso. Se não produzem em escala, os custos são muito altos, vide o exemplo da Expedição Escarlate sendo rechaçada pelos seus preços atualmente...
O ponto de traduzir o card game não me surpreende. É uma cópia do movimento da Wizards com o Magic. Eu OUSO dizer que Magic no Brasil é tão grande (se não maior) que o mercado de Boardgames (pelo menos enquanto tinha tudo em portugues). E mesmo assim, essa operação brasileira que ate onde eu sei, era gerenciada por pouquíssimas pessoas no Brasil e na América Latina, foi desligada da tradução. Se a Wizards tava tendo dificuldade em manter a operação de tradução pra algo tao conhecido como o Magic, imagine boardgames, onde cada jogo tem seu "glossário" proprio de nomenclaturas.
Thunder Road Vendetta realmente foi uma surpresa estranha. Eu ficava olhando o jogo de relance pensando se compraria e do nada uma expansão grande como essa. Li muito sobre ele e as expansões pequenas, tambem julguei pq nao vieram. Mas destilando melhor tudo o que li no BGG e Reddit, o jogo base é a melhor iteração mesmo. Motos ou o Caminhão alteram o jogo de uma forma ruim. Essa outra da Arena, tambem disseram, apesar das aparências, piorar aquilo que o base entrega de melhor... enfim, de todo o modo, lançar sem avisar é cagada de toda a forma.
Nemesis foi super criticado no lançamento pelo preco. Ele só foi sucesso depois que atolou no estoque e caiu o preço. Ou seja, o preço inicial praticado (o preço IDEAL pras revendas oficiais) não foi atingido. Hoje voce diz que é sucesso. Eu digo que talvez não. Até pq , COMO SEMPRE, cagaram na tradução, onerando ainda mais os custos operacionais da franquia e deteriorando a relação com a Awaken Realms na época. Ora ora, veja o problema da tradução novamente (e convenhamos, nao temos poucos exemplos nesse tema).
No varejo, temos um termo chamado CANIBALIZAÇÃO. Que é quando um lançamento come uma fatia de mercado de outro produto. Seja pela novidade ou por hábitos de consumo. O mundo de jogos de tabuleiro moderno é canibalizaçao pura. Seja dentro da própria Asmodee, seja com efeitos cruzados com outras editoras. Monitorar isso requer uma expertise operacional absurda que, vendo tudo o que acontece ao longo dos anos nesse hobby, honestamente parece que ninguém tem muito bem dentro de casa. É licença sendo trocada de editora de um lado pro outro, é expansão que não chega... É lançamento internacional demorando 3 anos pra chegar aqui, enquanto do nada algumas coisas acontecem ao mesmo tempo...
De todo modo, eu tenho uma opinião parecida com a sua. Parece que a Asmodee nao acompanha o proprio mercado. Os lançamentos de sucesso ficam perdidos. Essa hipótese nossa pode ser reforçada pelo simples fato de estarmos falando de uma operação que agora é GLOBAL e depende de produção GLOBAL. Não temos (ou temos muito pouca) producao nacional, portanto a economia de escala PRECISA ser aproveitada.
A gente acha que por viver todo dia na Ludopedia o mercado de tabuleiros é um sucesso. Mas não é verdade. Provavelmente é muito mais rentável investir numa fábrica de tecidos do que investir no mercado de tabuleiro. Ou virá empresa global aproveitando espaco de mercado. Ou é alguém "apaixonado pelo mercado" tentando sustentar sua empresa em algo que gosta (menos aquele cara que chama os clientes de BANDO DE INGRATO, não compro mais dele).
Orquestrar a tradução de um jogo para o portugues (dado o histórico de fracassos nacionais aqui) é complicado. Eles precisam fazer tudo isso ANTES das impressões acontecerem na China. E como não atingem esse timing, precisam ser capazes de prever quanto vão vender de cada jogo, pra justificar uma impressão exclusiva para o Brasil.
Pq eu chamei isso de contraponto, pq de todos os jogos que voce listou, o Nemesis eu tenho e comprei na desova de estoque. E o Thunder Road Vendeta só me interessei pelo base. Todos os outros, não vão entrar na minha coleção, pois não me interessam. Entende. A sua visão de jogo legal pra comprar é diferente da minha...
Veja o exemplo da First Turn Games, que não é editora. A galera cai de pau nos precos dos caras que SEQUER VEM TRADUZIDO. Um jogo como Middara, saindo a 2.500 a caixa base, sendo muito otimista, deve rentabilizar eles em quanto, após os impostos? Uns 700 reais? Que fosse 1.000 reais vai. Se os caras venderem 20 caixas, eles ganham 20.000 reais. E quanto eles vão gastar pra gerenciar essa operação? Não é fácil cara. Por isso o apelo do jogo ser "do povão" é relevante. Porem tem que equilibrar isso com a má gestão e a canibalizaçao. Não é fácil mesmo, mas deveria sim ser possível com trabalho eficaz e eficiente...