arthurtakel::Olá, jovem.
Tem alguns jogos que a gente termina e esquece poucos dias depois. Outros ficam na coleção pegando poeira. Mas existem aqueles raros jogos que deixam marca na mesa, nas histórias e nas pessoas que participaram da campanha. E acho que esse canal sempre foi isso, uma daquelas campanhas longas que ninguém queria ver acabar. Durante todos esses anos, você fez muito mais do que falar sobre boardgames. Criou aquele sentimento que todo mundo do hobby conhece o de encontrar pessoas que falam a mesma língua quando o resto do mundo acha estranho passar 4 horas discutindo regra, estratégia, miniatura e sensação de jogo.
Enquanto boa parte da internet virou corrida por algoritmo, review apressada e hype da semana, aqui parecia diferente. Aqui parecia mesa de fim de noite depois da partida acabar, quando todo mundo continua conversando sobre o jogo mesmo depois de guardar os componentes na caixa. E isso não acontece por acaso.
Existe muita coragem em manter um projeto movido puramente por paixão. Continuar escrevendo textos porque simplesmente sentiu vontade de compartilhar uma experiência. Defender o “bom e velho texto” num hobby cada vez mais acelerado. Transformar um simples “gostei desse jogo” em reflexão, memória e discussão. Você sempre escreveu como alguém do hobby de verdade. Não como vitrine, ou, como catálogo de lançamento. Mas como aquele amigo empolgado tentando explicar porque determinada mecânica funcionou tão bem, por que certo jogo marcou um grupo, ou por que uma sessão específica virou história que seria lembrada por anos.
Uma das suas últimas histórias sobre o Caylus é um exemplo disso e como nos acontece o chamado efeito borboleta.
E talvez essa tenha sido a maior qualidade do canal honestidade. As pessoas percebiam que ali tinha alguém apaixonado pelo hobby, pela experiência ao redor da mesa e pelas histórias que os jogos criam. Porque boardgame nunca foi só papelão, meeple e regra mas também foi sobre pessoas e histórias a serem contadas. Você ajudou muita gente a enxergar isso.
Cada texto parecia um relato de campanha. Algumas vezes caótico, algumas vezes emocionado, outras completamente surtado depois de uma partida injusta, exatamente como o hobby deve ser. E, honestamente? Num cenário cheio de conteúdo descartável, isso foi raro. Talvez o canal nunca tenha sido o maior da Ludopedia. Talvez nunca tenha tido os números absurdos de outros criadores. Mas teve algo muito mais difícil de conseguir que é algo que só o baixo clero pode obter, a identidade própria.
Quem passou por aqui sabia exatamente o que encontraria, que é alguém disposto a escrever uma Bíblia inteira sobre um jogo porque ele simplesmente mexeu com você. Isso vale muito. Então fica aqui o agradecimento de quem acompanhou uma parte dessa longa campanha.
Obrigado por lembrar tanta gente do motivo pelo qual entrou nesse hobby em primeiro lugar. Por preservar aquele sentimento de comunidade que fez tanta gente permanecer aqui. Se este canal realmente encerrar sua jornada, ele termina como todo grande jogo merece terminar, com histórias para contar, memórias na mesa e pessoas felizes por terem participado da campanha, ou, parte dela.
Forte abraço, e obrigado por todos esses turnos.
Tem alguém cortando cebola aqui do meu lado.
Jovem, obrigado, de verdade. Sem querer diminuir a importância do carinho e dos depoimentos dos outros jovens que acompanham e dão vida ao canal, mas essa foi uma das respostas que mais me emocionaram. Covardia, jovem

. Obrigado

.
Você conseguiu traduzir o que eu sinto ao escrever esses textos de um jeito que nem eu mesmo fui capaz. É exatamente isso. Eu quis resgatar aquela fagulha que acendeu em nossos corações lá no comecinho, em tempos de inocência e descoberta, antes do hype e do FOMO.
Isso que você escreveu não tem preço, jovem.
Obrigado mesmo.
Abração,
Luis