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  3. Azul
  4. Clássicos do Board Game - Episódio 3: Azul

Clássicos do Board Game - Episódio 3: Azul

Azul
  • avatar
    evieira09/01/26 10:30
    avatar
    evieira
    09/01/26 10:30
    778 mensagens MD

    https://cdn.bemcolar.com/media/catalog/product/cache/1/image/9df78eab33525d08d6e5fb8d27136e95/p/a/papel-de-parede-de-azulejo-portugues-para-cozinha.jpg


    Tema é um elemento super estimado nos board games.

    Eu sei, existem jogos narrativos. Nesses, o principal objetivo não é verificar quem vai ganhar, mas contar (ou vivenciar) uma história. Aí, com certeza, o tema realmente importa muito.
    (Ou talvez, nem tanto: quando eu jogava Neverwinter Nights no computador com uma turma, a gente entrava em um labirinto e saía destruindo tudo, ninguém parava para ler os itens de lore).

    Porém, nos jogos competitivos, onde estamos jogando PARA GANHAR, o ser humano rapidamente abstrai a questão temática para chegar no âmago: "como eu faço para ganhar"?
    Esse é motivo pelo qual todo jogo "tradicional"  é abstrato. Xadrez pode ter começado como um wargame, Gamão como um jogo de corrida, mas depois de alguns séculos o que sobra e vira assunto é a própria mecânica do jogo. O tema do Xadrez hoje em dia é... Xadrez.

    O tema para mim tem duas grandes funções: ajudar a explicar as regras, trazendo as metáforas do universo do jogo, seja real ou imaginário, para ajudar explicar os conceitos e a economia e, não menos importante, para permitir que o jogo seja apresentado de uma forma lúdica.

    Isso é tão importante que mesmo jogos que são tecnicamente abstratos usualmente são comercializados com um  tema. E aí o tema pode ser qualquer coisa, até mesmo uma coisa tão prosaica como parede de azulejos.

    E esse é o tema do nosso jogo de hoje o Azul. De autoria de Michael Kiesling (autor de grandes jogos como Tikal e Abluxxen), Azul foi lançado pela Next Move Games e trazido para o Brasil em 2018 pela Galápagos (hoje Asmodee) é um jogo relativamente recente (foi lançado há menos de 10 anos), mas que nasceu para ser clássico. Sucesso absoluto de vendas desde o lançamento, rapidamente se tornou uma franquia, com diversos jogos sendo lançados anualmente usando seu nome e suas ideias.

    Azul é tão popular que, vez por outra, aparece fora da nossa bolha: Anitta, relaxando em seu jatinho rumo a Nova Iorque, divulgou um momento de sua intimidade com o namorado fazendo algo bem mais prosaico do que poderíamos acreditar ouvindo suas músicas: jogando uma partidinha de Azul.

    Mesmo sendo o BGG muito tendencioso para jogos mais novos e pesados, pelo menos nesse momento em que escrevo, Azul se sustenta no top 100 do BGG com um potente 7.7 (que é uma nota altíssima para um jogo com peso menor que 2). Apesar disso, se você procurar achará com facilidade muitos vídeos e texto de gente criticando o jogo, a despeito de seu sucesso. Porque será? Será apenas o preço da fama?

    Como de hábito, vamos explicar como o jogo funciona, porque ele é tão bom, dar alguns toques sobre estratégia, avaliar o seu legado e por fim discutir um pouco porque alguns jogos que ficam famosos acabam sofrendo muitas críticas.

    Quem vira a laje primeiro?


    https://ensina.rtp.pt/site-uploads/2021/10/thumbnail_azulejo2-2.jpg


    A arte da azulejaria chegou a Península Ibérica através dos Mouros, os árabes do Norte da África que conquistaram essa região na alta idade média e que só foram expulsos dali quase chegando no Renascimento. Azulejo vem de Al-Zulaich (pequena pedra polida). Os primeiros azulejos vieram de Sevilha no século XV para enfeitar paredes de palácios. Setenta anos depois, 1560, já haviam em Lisboa olarias especializadas em produzi-los.

    É exatamente nesse contexto que Azul se insere. Manuel I, Rei de Portugal, depois de visitar o Palácio de Alhambra em Sevilha, se maravilha com os azulejos e os importa para decorar o seu recém-construído Palácio de Évora. Nós somos os artesãos responsáveis por entregar o melhor mosaico possível.

    Durante o jogo acumularemos peças e a transportaremos para o mosaico segundo as regras de colocação. Aquele que fizer o mosaico que gere mais pontos vence a partida.

    Estrutura do Jogo


    https://covildosjogos.com.br/wp-content/uploads/2021/11/azul_5.jpg


    Cada jogador possui um tabuleiro individual, onde existe um mosaico de 25 posições (5x5), cinco linhas para a colocação de peças, além do "chão" (onde se colocam peças perdidas) e da trilha de pontuação.

    Os azulejos são apresentados em 5 cores diferentes e o jogo possui 20 peças de cada um. O jogo oferece um saco onde se devem colocar todas as peças antes de iniciar o jogo.

    Não existe um tabuleiro central, o espaço comum é usado para a colocação das fábricas de azulejo (que podem variar de 5 a 9, dependendo da quantidade de jogadores). Cada uma das fábricas recebem 4 peças (que representam os azulejos). No centro das fábricas é colocada a peça de primeiro jogador.

    E esse é o setup do jogo (um dos mais rápidos do hobby, o que com certeza ajuda bastante na popularidade do jogo).

    Os jogadores então se alternam em turno. Na sua vez, o jogador deve escolher um conjunto de peças da mesma cor que esteja em uma das fábricas ou no centro da mesa e pegá-las. Se ele pegou numa das fábricas, as peças remanescentes devem ir para o centro da mesa. Se ele for o primeiro a pegar peças no centro da mesa, além das peças que escolheu deverá também levar a peça de primeiro jogador (que irá diretamente para o "chão").

    As peças escolhidas deverão ir para uma das cinco linhas do tabuleiro. Cada linha só pode receber tiles da mesma cor e não é permitido dividir as peças de uma jogada em duas linhas. Se não houverem espaços suficientes na linha escolhida, as peças que sobram deverão ir para o chão.

    Todos jogam até que todas as peças tenham sido adquiridas e então começa a segunda fase da rodada, a pontuação.

    https://miro.medium.com/v2/resize:fit:1400/1*jVTBFjNCTrPPpSn38dDR-Q.jpeg


    Cada jogador verifica, de cima para baixo, as linhas que completou. Se a linha está completa, ele pega uma das peças e coloca no lugar correspondente do tabuleiro (o lugar marcado com aquela cor, naquela linha). As demais peças são descartadas. Uma vez colocada em seu lugar, verifica se existem outras peças ligadas a ela na linha e na coluna. Se for o caso, cada peça valerá um ponto (a peça colocada pode ser contada duas vezes se tiver vizinhas na linha e na coluna, caso contrário, será contada apenas uma vez).

    Por fim, verificam-se quantas peças estão no chão e descontam-se os pontos relativos a elas (as peças são descartadas e a peça de primeiro jogador volta ao centro da mesa). As linhas que não foram completadas ficam com as peças que estão ali para a próxima rodada.

    Terminada a contagem, caso ninguém tenha completado uma linha horizontal, o novo primeiro jogador serve peças às fábricas (exatamente como no início do jogo) e uma nova rodada se inicia. Caso as peças que estão no saco acabem, pega-se as peças que foram descartas e coloque-as no saco para continuar a partida.

    O jogo acaba na rodada em que algum jogador completar uma linha horizontal (isso acontecerá no mínimo em 5 rodadas). Nesse momento, contam-se também os bônus de fim de jogo: cada linha horizontal vale 2 pontos, cada coluna vale 7 pontos e cada conjunto (5 peças da mesma cor) vale 10 pontos. Quem tiver mais pontos é o vencedor.

    Porque é tão bom?


    https://platform.vox.com/wp-content/uploads/sites/2/chorus/uploads/chorus_asset/file/13644089/azultiles.png?quality=90&strip=all&crop=0,0,100,100


    Antes de tudo, é preciso falar do aspecto sensorial e táctil desse jogo. As peças são bonitas e gostosas de manusear. Muito do apelo do Azul está no design das suas peças. Elas são de acrílico, de um tamanho legal e ótimas para manusear no jogo, chamando muita atenção de quem vê o jogo de fora da mesa.

    O bom do Azul é que sua estratégia é simples o suficiente para que todo mundo a perceba sozinho, mas a tática é super refinada e cheia de malícia. Ao escolher um conjunto de peças, você está abrindo mão dos demais e potencialmente criando novos grupos de peças para os adversários. Ganha o jogo quem consegue se ajudar melhor atrapalhando os amiguinhos ao mesmo tempo.

    E isso é o suficiente para gerar uma jogabilidade profunda, onde a dificuldade está não em desvendar a economia do jogo, mas em entender o que os adversários estão buscando e se aproveitar disso.

    Tática e Estratégia


    Azul é um jogo muito mais tático do que estratégico. Você normalmente estará mais preocupado com a situação imediata ou dos próximos 2 ou 3 turnos do que fazendo muito planos em relação ao fim de jogo.

    Existe uma estratégia comum: manter o jogo agrupado e priorizar as três primeiras linhas é a melhor forma de garantir pontos. Os bônus de fim de jogo são importantes, mas nem tanto assim: uma coluna cheia dá sete pontos, o que pode ser facilmente obtido com adjacências no meio jogo.

    A quarta e a quinta filas devem ser usadas com cuidado, é importante evitar ficar com as duas presas de uma rodada para outra.  Tente preenchê-las estrategicamente, colocando as peças da cor que completam uma coluna ou o grupo, ao invés de um mísero ponto solto.

    Como em qualquer jogo de draft, a iniciativa vale muito. O tile de primeiro jogador custa um pontinho, mas normalmente vale a pena pegá-lo se a jogada que permitir isso for razoavelmente produtiva.

    O principal não é tanto pontuar, mas evitar que os adversários pontuem  mais do que você. É isso que torna Azul um jogo extremamente competitivo. A sua escolha influi diretamente no que os adversários vão poder fazer depois e é importante minimizar as oportunidades deles ao mesmo tempo que você tenta adiantar o seu lado. 

    https://miro.medium.com/v2/resize:fit:1400/1*xFIrhnDdlDj2X_ohbGlLsw.jpeg


    No jogo de 3 ou 4 pessoas essa parte tática fica um pouco mais tranquila e se joga um mais construtivo (os bloqueios acontecerão mais naturalmente, pelo simples fato de que as pessoas precisam das peças) mas em 2 pessoas, Azul se torna uma luta de faca na cabine telefônica. O jogo se torna muito mais uma questão de marcar do que de tentar construir o seu lado.

    Legado


    https://i0.wp.com/www.theboardgamefamily.com/wp-content/uploads/2022/02/AzulCompare_All.jpg?ssl=1


    Azul foi um sucesso absoluto quando lançado em 2017  e rapidamente se tornou uma franquia de jogos. Todos eles se baseando na ideia de comprar peças de uma cor (ou padrão) e juntar as demais no centro, com o objetivo de formar mosaicos no tabuleiro individual.

    https://rihappy.vtexassets.com/arquivos/ids/2338481/image-e2e8c153decd4b0b85e6e9b396a0bc95.jpg?v=637771769234730000


    No ano seguinte, 2018, a Next Move lançou o Azul Vitrais de Sintra. O jogo trouxe várias mudanças, aumentando a sua complexidade, um número fixo de rodadas e opções para  montagem do tabuleiro individual, o que agradou ao público especializado inicialmente, mas o jogo depois se mostrou inferior ao original na minha opinião. As peças porém, que lembram as antigas balas soft, são belíssimas.

    Em 2019 lançaram o Azul Pavilhão de Verão, que possui mais cores em jogos e uma proposta menos punitiva que os jogos anteriores (você pode ir acumulando as peças durante o draft para só decidir onde colocá-las no final, além disso, você pode carregar até 4 peças de uma rodada para a outra. Embora seja um jogo aparentemente mais tranquilo, ele se torna um pouco demorado demais, pois tem mais peças e rodadas em jogo. Embora eu tenha uma cópia física, ela foi pouco jogada. Agora que  entrou no BGA e eu estou conseguindo jogar um pouco mais e pegando suas malícias.

    Em 2020 foi um ano mais calmo, com lançamento apenas de uma expansão para o Azul original, chamada Mosaico de Cristal. Basicamente ela traz mudanças no tabuleiro individual, gerando outros incentivos para colocar as peças que não apenas a adjacência. É interessante, mas não obrigatória. O melhor é o grid de plástico com relevo para que as peças não se mexam no seu tabuleiro se houve algum esbarrão.

    https://m.media-amazon.com/images/I/61q7ki+tqbL._AC_UF894,1000_QL80_.jpg


    Em 2021 lançaram o Azul Jardim da Rainha, também conhecido como "Azul Verde" (pois essa é a cor em destaque na caixa). Na minha opinião é o segundo melhor jogo da série (só perdendo para o original), onde precisa-se coordenar cores e padronagens visando maximizar os pontos. É um jogo bem mais complexo e sua experiência de jogar acaba sendo muito mais a de puzzle do que a de uma competição estrita com os adversários. Adoraria que ele chegasse ao BGA para poder jogar mais vezes.
    https://cdn.svc.asmodee.net/production-nextmove/uploads/sites/4/2025/02/Azul_duel_comp_slider1.jpg


    Por fim, nesse ano de 2025 foi lançado o Azul Duel, uma versão exclusiva para dois jogadores que consegue de maneira bem esperta aumentar a complexidade e ao mesmo tempo diminuir a questão punitiva do jogo original em dois, pois ele obriga os jogadores a escolherem diversas coisas sempre deixando algo interessante para o adversário. Ainda é um jogo de muita competitividade, mas bem mais construtivo do que destrutivo. Considero este o terceiro melhor da série.

    Esses são os 5 jogos principais da série. Para aproveitar a demanda, ainda foram lançados o Azul Chocolatier (que é o Azul original retematizado e com a mini expansão das fábricas) e versões portáteis do Azul original e do Pavilhão de Verão.

    É muito jogo para um só conceito e alguns deles (claramente o Sintra e o Pavilhão de Verão) foram claramente produzidos de maneira açodada para serem apresentados e vendidos rapidamente. Ainda assim, são plenamente jogáveis e interessantes, embora estejam longe do original.

    O maior legado porém não está na série de produtos e sim em quanto o jogo molda o gosto do público. Azul mostrou às editoras que existe um grande espaço para jogos abstratos, contanto que eles sejam bem produzidos e apresentados. Na esteira do Azul temos jogos como Sagrada, Reef, Dragon Castle (que usa lindas peças de Mah Jong) e, mais recentemente, Harmonies e Intarsia (que por acaso é do mesmo autor do Azul).

    https://uploads.comparajogos.com.br/original/2X/6/63f0128d91f6ab29fdf69d004c1471ac8d2486c6.jpeg


    Sempre que surge um novo jogo de colocação de peças, invariavelmente terá algum gerador de conteúdo bradando  "Esse vai desbancar o Azul!".
    Se isso vai ocorrer um dia, eu não sei (muitos insistem que Harmonies é melhor, eu discordo muito), mas só o fato dele ser o "jogo a ser batido" demonstra a sua importância para o mercado e o hobby.

    Porque o Azul é tão criticado?


    Como vimos na parte sobre a tática e estratégia do jogo, Azul é um jogo muito competitivo porque as suas ações influenciam diretamente o que os adversários poderão ou não fazer. Isso gera, principalmente no jogo de dois jogadores, o que se costuma chamar de "Hate Draft", que é quando você compra não o que é melhor para você diretamente, mas o que menos gera oportunidade para o seu adversário, ou pior, o joga no buraco, obrigando-o a pegar peças indesejadas e perder pontos.

    Mesmo entendendo que isso faz parte do jogo, que é a conclusão lógica das regras, muita gente reclama dessa característica. Elas se acostumaram com jogos onde os jogadores tem poucas formas de atrasar o jogo dos adversários e, quando jogam algo que permite isso, a estranheza aparece.

    A esse tipo de reclamação juntam-se outras coisas, como uma certa dependência de sorte (você não sabe como virão as peças na rodada seguinte, você pode até contar as distribuições, mas elas podem vir juntas ou separadas e isso faz bastante diferença) e o fato de que você pode ser atrapalhado por jogadas ruins de adversários (não é o hate draft em si, o cara simplesmente jogou mal e  te atrapalhou).

    Essas críticas possuem bons argumentos e elas não me incomodam, Azul não é um jogo para todos, como nenhum jogo o é. O que acho um pouco estranho é perceber que muita gente se incomoda com o sucesso que ele faz e se mexe para desvalorizar o jogo, seja através de críticas injustas ou empurrando qualquer jogo que tenha ideias ligeiramente parecidas como como o "sucessor do Azul".

    https://ludopedia-posts.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com/03c12_ckj6cl.jpg


    Tom Jobim dizia que, no Brasil, "Sucesso é uma ofensa pessoal". A foto da Anitta jogando Azul demonstra um pouco disso. Uma coisa que deveria ser puramente positiva (uma pessoa famosa mostrando ao mundo que gosta de jogos de tabuleiro) gerou uma série de comentários bizarros sobre a cantora e sobre o jogo. Eu não gosto do repertório da Anitta mas, e daí? Descobri que ela tem algo em comum comigo. Qual mal que há nisso?

    Seria fácil parar por aqui, mas eu acho que o problema não é esse. Existe um certo preconceito de geradores de conteúdo e de parte do público com jogos que não atendam a certos parâmetros (isso é, que não sejam euros médio pesados) e isso é uma percepção que tenho do hobby em geral e não só no Brasil.

    Já foi provado que existe um bias nas notas do BGG em favor de jogos mais pesados. As pessoas realmente veem valor na complexidade. Eu, pessoalmente, embora goste de jogos com bastante elementos, prefiro quando um jogo consegue ser profundo com o mínimo de regras possíveis. Azul consegue isso, na minha opinião.

    Conclusão


    Azul tem um papel muito importante na minha vida de jogador. Foi um dos primeiros jogos que comprei, o primeiro importado (um amigo do trabalho foi a Spiel Essen em 2018 e o trouxe para mim).

    Levei o jogo para uma viagem com a família. A tarde, eu e minha esposa estávamos jogando e minha sogra viu a partida. Ela perguntou se podia jogar, eu expliquei as regras e ela adorou! Tive que comprar uma cópia para ela.

    Muito por causa disso, Azul é o jogo que mais joguei presencialmente na minha "carreira".  Devo ter pelo menos umas 200 partidas presenciais e não sinto nenhum sintoma de enjoo. 

    Tendo em vista o meu elo no BGA (que varia entre 200 alto e 300 baixo), ainda tenho muito o que aprender. Para mim é como Buraco ou Damas. Sempre pode ser jogado.

    A despeito das críticas e eventuais defeitos, Azul para mim é um jogo que nasceu clássico e será jogado para todo o sempre. Em 500 anos, estará no panteão dos jogos, bebendo ambrosia a mesa junto com o Xadrez e o Go.

    É só uma questão de tempo.

    Nota 10/10

    -x-

    Resultado do "É Natal! Mande uma cartinha para o Papai Noel!"


    Depois de ler todas as cartinhas cheguei a conclusão que todos que entraram na brincadeira entenderam o espírito e fizeram cartinhas muito legais, onde deu para conhecer um pouco mais de vocês e o que pensam.

    Não me senti capaz de escolher uma carta e, para piorar, como eu conheço pessoalmente uma das pessoas, fiquei com medo disso influenciar meu julgamento de alguma forma.
    Por isso, decidi sortear. Seguem os resultados:

    Rome & Roll: Rafael Paz, Maricá (RJ)

    Forrest Shuffle: Rodrigo Santana, Goiânia (GO)

    Tiny Towns: Mariana Medaglia, Curitiba (PR)

    Com exceção do Rafael (que mora aqui no Rio e com quem combinei entregar o jogo em mãos), os jogos já foram enviados e espero receber fotos dos presenteados!

    -x-

    Doação do Mês


    https://cdn.awsli.com.br/2500x2500/2030/2030951/produto/133997315/ac016cb72c.jpg


    O jogo que vou doar em Janeiro será o Queendomino, de Bruno Cathala, lançado em 2017 e publicado no Brasil em 2019 pela PaperGames.

    O meu ponto com esse jogo é que ele é o exemplo perfeito do que eu chamo de "Raio Eurificador": pegar um jogo simples de sucesso e tentar transformá-lo em um Euro para agradar aos "hobistas".

    Dificilmente isso dá certo. Kingdomino é um jogo familiar quase perfeito (não há toa, ganhou o Spiel des Jahres) enquanto Queendomino acabou ficando complexo para jogar com jogadores casuais e muito simples para os cracudos. Não joguei os que vieram depois, não tenho como avaliá-los.

    Essa porem é apenas a minha opinião. O jogo é bonito, bem produzido e essa cópia, embora tenha sido comprada na época do lançamento, foi jogada pouquíssimas vezes. Se você queria ter a chance de conhecê-lo, ela está aqui!

    Escreva um comentário sobre qualquer tema do hobby que o interesse. Eu sortearei o jogo entre todos os comentários que forem feitos no Blog do Covil que não forem apenas "Ei, eu quero ganhar o jogo" e que não tiverem nada de ofensivo nem a mim nem a qualquer ente do hobby. Vou verificar com o Paulo a possibilidade de fazer o sorteio em uma Live Nórdica.

    - x - 

    Clássicos do Board Game é uma série de 10 artigos sobre os jogos modernos que, na minha opinião, venceram o teste do tempo e representam a Era de Ouro dos Board Games Modernos, que vem de meados dos anos 90 até hoje (para falar a verdade, não sei dizer se ainda estamos nela, o tempo dirá). Se você quiser ver os artigos anteriores, o link está aqui embaixo:


    Episódio 1 - Castles of Burgundy


    Episódio 2 - Ticket to Ride


    Episódio 3 - Azul






    https://covildosjogos.com.br/wp-content/uploads/2020/05/cropped-Eduardo-vieira-foto-80x80.png

     
    Eduardo Vieira

    Eduardo Vieira é analista de sistemas, e participa do Hobby desde 2018, mas vem tentando descontar o tempo perdido! É casado, mora no Rio de Janeiro e vive reclamando que não tem parceiros para jogar tudo que compra!


     
     

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    Por trás do Board: Hegemony: Conduza sua Classe à vitória
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    Comentários:

  • Ateu2025
    25 mensagens MD
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    Ateu202509/01/26 10:33
    Ateu2025 » 09/01/26 10:33

    O melhor "Domino" hoje é Moon River.

    1
  • clebercastilho
    1097 mensagens MD
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    clebercastilho09/01/26 23:45
    clebercastilho » 09/01/26 23:45

    Muito boa sua análise!

    Gosto bastante de azul, aqui em casa virou um dos queridos.

    Sua simplicidade engana. É um baita queima-mufa. Sua única decisão "de qual loja comprar" vai além de o que for melhor pra si. É sobre também não oferecer boa peças para os adversários, forçar pontuação negativa.

    Vale uma análise de queendomino também hein! Outro bom jogo, um passo além para quem curte kingdomino.

    2
  • clebercastilho
    1097 mensagens MD
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    clebercastilho09/01/26 23:48
    clebercastilho » 09/01/26 23:48

    Ateu2025::O melhor "Domino" hoje é Moon River.

    Cara, joguei uma vez no BGA e adorei!
    Esse podia vir pro Brasil também

    1
  • Tchoro
    1 mensagens MD
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    Tchoro10/01/26 11:36
    Tchoro » 10/01/26 11:36

    Excelente post!

    1
  • Todynho
    362 mensagens MD
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    Todynho13/01/26 16:21
    Todynho » 13/01/26 16:21

    Moon River ta anunciado pela Paper se não me engano =)

    0
  • Doidera
    1186 mensagens MD
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    Doidera26/01/26 18:15
    Doidera » 26/01/26 18:15

    Muito boa análise do Azul como um clássico que dificilmente será "destronável".

    Só discordo um pouco do otimismo em considerar que uma artista que só canta vulgaridades, influenciando negativamente até crianças, jogando Azul valorize o jogo.

    1
  • evieira
    778 mensagens MD
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    evieira26/01/26 18:58
    evieira » 26/01/26 18:58

    Doidera::Muito boa análise do Azul como um clássico que dificilmente será "destronável".

    Só discordo um pouco do otimismo em considerar que uma artista que só canta vulgaridades, influenciando negativamente até crianças, jogando Azul valorize o jogo.


    O que nós pensamos da artista é muito subjetivo. O que nós achamos vulgar muita gente acha maneiro, moderno, provocativo.

    Quando eu era garoto,  a musica que eu ouvia era chamada de ruído por muita gente. Hoje eu sou o adulto. Será que devo fazer a mesma coisa?

    Eu também não gosto da Anita, mas nesse caso específico ela não fez nada de ruim. A gente não precisa ficar se posicionando o tempo todo. Que bom que ela gosta de board game! Só isso!

    Sds,

    Eduardo

    0
  • Doidera
    1186 mensagens MD
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    Doidera26/01/26 19:12
    Doidera » 26/01/26 19:12

    evieira::
    Doidera::Muito boa análise do Azul como um clássico que dificilmente será "destronável".

    Só discordo um pouco do otimismo em considerar que uma artista que só canta vulgaridades, influenciando negativamente até crianças, jogando Azul valorize o jogo.


    O que nós pensamos da artista é muito subjetivo. O que nós achamos vulgar muita gente acha maneiro, moderno, provocativo.

    Quando eu era garoto,  a musica que eu ouvia era chamada de ruído por muita gente. Hoje eu sou o adulto. Será que devo fazer a mesma coisa?

    Eu também não gosto da Anita, mas nesse caso específico ela não fez nada de ruim. A gente não precisa ficar se posicionando o tempo todo. Que bom que ela gosta de board game! Só isso!

    Sds,

    Eduardo

    Se rebolar seminua ao som de letras que objetificam as próprias mulheres não for vulgar, o que seria vulgar então?

    Eu só me posiciono pra falar de gente que faz questão de se posicionar, o que é o caso da artista em questão.

    0
  • evieira
    778 mensagens MD
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    evieira26/01/26 19:41
    evieira » 26/01/26 19:41

    Doidera::
    evieira::
    Doidera::Muito boa análise do Azul como um clássico que dificilmente será "destronável".

    Só discordo um pouco do otimismo em considerar que uma artista que só canta vulgaridades, influenciando negativamente até crianças, jogando Azul valorize o jogo.


    O que nós pensamos da artista é muito subjetivo. O que nós achamos vulgar muita gente acha maneiro, moderno, provocativo.

    Quando eu era garoto,  a musica que eu ouvia era chamada de ruído por muita gente. Hoje eu sou o adulto. Será que devo fazer a mesma coisa?

    Eu também não gosto da Anita, mas nesse caso específico ela não fez nada de ruim. A gente não precisa ficar se posicionando o tempo todo. Que bom que ela gosta de board game! Só isso!

    Sds,

    Eduardo

    Se rebolar seminua ao som de letras que objetificam as próprias mulheres não for vulgar, o que seria vulgar então?

    Eu só me posiciono pra falar de gente que faz questão de se posicionar, o que é o caso da artista em questão.


    Você tem esse direito.

    Para lembrar outro caso famoso, meu problema com o Felipe Neto não era ele jogar Xadrez. O problema é que ele foi pego trapaceando. Aí ele mereceu críticas.

    Acho que já estendemos o que dava, né? Entendi seu ponto.

    Sds,

    Eduardo

    1
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Azul - Clássicos do Board Game - Episódio 3: Azul
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