Tem muita gente sem noção em todo lugar! hehehe
Mas vejo aí duas linhas de interpretação que podem ajudar a responder essa pergunta.
1. Compreendendo a falta de noção como falta de bom senso ou de educação. Realmente, há pessoas assim no hobby, mas são a minoria pelo que eu vejo... Você comentou a respeito do futebol e curiosamente eu joguei muito durante minha adolescência inteira e inicio da vida adulta. Sempre pratiquei muitos esportes (natação, jiu-jitsu, basquete... acredite se quiser) e posso te garantir, sem qualquer sombra de dúvidas, que tem muito mais gente "sem noção" no meio do futebol que no meio dos jogos de tabuleiro. Inclusive, acho que esse comportamento "sem noção" é de certa forma "incentivado" nesse meio... mas esse é outro papo, que tem muito a ver com o contexto social da prática esportiva no nosso país. Foi por causa dessa falta de noção que eu acabei me afastando do futebol e de outros esportes coletivos. Hoje só prático esportes mais solitários, natação e corrida mesmo.
2. Compreendendo a falta de noção como alienação. E aqui cabe incluir a alienação política, no sentido amplo da palavra, porque é isso o que interessa. Nesse caso não tem como defender a nossa comunidade. A despolitização é generalizada no Brasil e o reflexo claro disso é a polarização maluca em que a gente vive, na qual a política é tratada como algo à parte da nossa vida e as pessoas muitas vezes brigam entre si sem nem mesmo saber pelo que estão brigando. O meio dos jogos de tabuleiro é completamente alienado da realidade brasileira. E não é que a galera não "entenda de política"... Muito pelo contrário, elas entendem. São pessoas muito inteligentes, em sua maioria! Só que de modo geral preferem se manter distantes, à parte de qualquer espécie de fraternidade, organização ou disputa política! É um modo de pensar as coisas e de viver a vida que tem tudo a ver com a classe com a qual essas pessoas se identificam como pertencentes. E curiosamente, muitos jogos de tabuleiro "treinam" essas pessoas para pensar dessa forma, para serem "gestores" da classe trabalhadora. Você já viu onde quero chegar, né? É engraçado pensar nisso pois há pessoas que juram que estou vendo coisas onde não existe. Realmente... tudo não passa de uma grande coincidência e eu devo estar apenas delirando.
Assino embaixo do seu comentário: os jogos de tabuleiro não estão descolados da realidade, como muitas pessoas acham. Mesmo que eventualmente eles funcionem como puro escapismo, no fim das contas a realidade se impõe de um jeito ou de outro. O que me deixa perplexo, na verdade, é que muitos se contentam com essa "distração"... e estão sempre a procura de uma dose extra de dopamina e serotonina como forma de prolongar o seu próprio prazer a despeito da comunidade. Eu não condeno as pessoas por necessitarem e desejarem se divertir! Eu me incluo nessa porque durante muito tempo não consegui me desvencilhar desse ciclo vicioso da compra de novos jogos, por exemplo, numa clara tentativa de compensar a minha insatisfação com outros problemas do dia a dia. Mas a gente precisa ir além, direto na raiz do problema, se quisermos de fato mudar as coisas. Os jogos de tabuleiro são boas ferramentais de aprendizado e ótimas fontes de diversão, mas são apenas uma parte das nossas vidas.