Discussão interessante!
Cara, joguei muito a versão Invasores do Mar do Norte. Sem falar de muitos outros jogos onde rola isso, e ainda tem alguns como Scythe que terminam na hora a partida.
O Shem Philips é um designer experiente, o mais recente dele que chegou no Brasil tem a mesma regra. Arquitetos do Reino Ocidental chegou recentemente ao BGA com a mesma regra, estou com umas 27 partidas lá... Meu foco nas partidas não é ser o cara que quer terminar para ter o "turno extra", o foco é executar meu jogo da forma como planejei, o turno extra não é essencial. Em Arquitetos, também é comum nas partidas do BGA ver as pessoas menos experientes correndo na Catedral do jogo, como se fosse a melhor fonte de pontuação. A maioria das mesas que jogo as pessoas tem esse vício e raramente esse jogador ganha...Embora eu seja um jogador mediocre, as vezes que perdi foi contra jogadores que praticamente ignoram esse caminho porque entendem que ele não é tão forte quanto novos jogadores acreditam, e as vezes jogadores que só jogaram em um grupo com esse "vicío estratégico" vencem porque no seu grupo todos tem o mesmo vício (então de fato o caminho se forna o caminho mais forte).

(se eu terminei 3 partidas foi muito)
A vantagem do turno extra não é uma garantia de vitória, e como foi apontado pode ser um incentivo para se o jogador que faz o fim do jogo acontecer. Assim como no Scythe que termina imediamente após a condição ser atingida, esses jogos requerem uma leitura de mesa. Você sabe o gatilho, você joga com isso em mente e conforme o gatilho fica mais proximo você vai se preparando, adiciona uma tensão ao fim da partida que faz parte do jogo.
Novamente, outros jogos do designer (e vários outros jogos do mercado) usam isso, e o jogo foi balanceado com isso em mente. Eu geralmente assumo que o jogo passou por testes, então não eu opto por mudar as regras do manual. É claro que não raro jogos vão pro mercado com problemas de balancemento, mas no caso dessa regra em si, acho que o que pega é inexperiência dos jogadores.
Se você não gosta da regra, se ela não funciona pro seu grupo e você quer mudar, perfeito! Acho que você tem fazer o que tiver que fazer para aproveitar melhor o jogo que você comprou. Sobre questionar o balancemento disso, bom, nunca tive problemas e eu prefiro jogar da forma como está no manual.
Sobre o Shem Philips nunca ter respondido, olhei aqui os topicos no bgg e só achei um reclamando especificamente disso, sem muitas respostas (não estou dizendo que não tenham outros, só não encontrei). Muitos topicos sobre "end game trigger" são dúvidas sobre as regras. Então não sei o tamanho do problema para a comunidade.
Mas eu já vi ele responder criticas ao balanceamento dos jogos dele. No lançamento do jogo Viajantes do Sul do Tigris, um jogador somente leu o manual do jogo e já recomendou fortemente uma mudança nas regras, o Shem Philips respondeu:

Eu parto desse principio, que um bom designer testou o suficiente para que erros não existam em camadas mais superficiais do jogo.
Já em modos SOLO de alguns jogos esse turno extra pode ser uma vantagem poderosa para a automas, porque algumas tem ações muito fortes e geram pontos o tempo inteiro, enquanto que um jogador humano ele oscila mais entre pontuar e gerir suas ações. O jogador humano passa mais tempo criando a jogada que gera pontos, enquanto a automa faz com uma única carta. Eu por exemplo já perdi muitas partidas para a automa do Maracaibo por causa de um único turno. Então em jogos solo essa regra realmente pode dar uma vantagem para a inteligência artificial, mas na minha experiência é contornável.
Abraços