Nem vou gastar muito tempo explicando as mecânicas, pois já é um jogo bem conhecido. Rapidamente, trata-se de um euro médio pesado de alocação de trabalhadores. As ações fazem com que os jogadores avancem em algumas trilhas, que proporcionam pontos no final de cada fase. Pode parecer simples numa primeira vista, mas tem muitas interações interessantes que podem ser feitas. O volume de pontos gerados cresce bastante a cada rodada, o que dá uma grande satisfação.
Eu já gostava do jogo original e essa versão Ultimate traz muitos módulos que só melhoram a experiência. Em especial gostei das indústrias asiáticas. No jogo original cada jogador possui uma linha industrial própria. Essa versão asiática faz com que os jogadores andem em uma mesma trilha comum, gerando interações bem legais.
Tematicamente somos, em tese, construtores de linhas ferroviárias. O jogo originalmente era ambientado na Rússia, mas já saíram expansões para redes da Alemanha, Estados Unidos e Ásia. Digo “em tese” pois acredito que o tema seja bem pouco presente neste jogo. Curiosamente, apesar da falta de tema ser sempre comentada pelos jogadores com os quais eu joguei, nunca vi alguém achar isso realmente um problema. Eu particularmente gosto bastante de temas bem desenvolvidos em euros desse peso. Acredito que o tema pode inclusive facilitar o entendimento das mecânicas e a visualização de boas estratégias. Railroads, entretanto, parece ser tão bem resolvido que prescinde de tema. Funciona nesse caso, mas é uma proposta arriscada que funcionará em situações bem específicas. Essa falta de tema te incomoda?
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O canal Um Nerd Raiz fez um vídeo de unbox do Dino Escape. Dá uma olhada.
Eu não me incomodo com a falta de tema quando o jogo funciona independente disso. Vários dos que eu gosto muito como Castle of Burgundy ou mesmo jogos bem abstratos como Azul ou Cascadia não falham em me agradar porque não tem um compromisso forte com o seu tema. Eu acho dissonância ludonarrativa dos jogos digitais é necessária também em jogos de tabuleiro, de modo que o tema precisa abrir espaço para a experiência de jogo, não ao contrário (na maioria das vezes, pra mim).
Mas não quero dizer com isso que eu não me importo com o tema, eu me importo e concordo que é muito bom quanto o tema torna o processo de aprender o jogo mais intuitivo. Mas só avalio um jogo negativamente pelo tema quando eu sinto que ele poderia ter sido mais aproveitado enriquecendo a experiência de jogo. Mas hoje em dia a maioria dos jogos tem algum tema recorrente/generico, então não dou muita bola. Mas eu sempre fico feliz de ver temas criativos sendo muito bem implementados. Um exemplo recente disso é o Castell, que conheci com um dos seus textos, eu acho a implementação de tema dele perfeita e cativante.