Jairo Tx::Casts polêmicos sempre valem a pena, este foi ótimo!
Já começo deixando claro que sou a favor de difundir os jogos de forma mais acessível. O hobby é elitista e com jogos ao custo de um salário mínimo tem se tornado cada vez mais, concordo que existem jogos de custo baixo (inclusive xadrez de 20 reais), mas o hype pega o consumidor em fatores que agregam valor.
Sigo, trazendo algumas dúvidas. Estas questões são pra tentar entender melhor esta área cinza que o Toledo comenta.
A pirataria afeta autor/editora/Estado pois não gera renda a eles, e quando se revende um jogo? Outra cópia da loja está deixando de ser vendida e o autor/editora/Estado não ganham com isso.
Qual a principal diferença entre alugar um jogo e baixar um mod do TTS? A cópia física do jogo foi paga, mas no aluguel quem ganha é o dono do aluguel, no mod, nem isso e os dois são uma forma de descobrir jogos.
Creio que plataformas como o TTS são como maneiras de unir pessoas. Já tive o prazer de jogar com o Toledo e o Pedro (inclusive apresentar jogo meu), graças ao TTS que permite uma mesa com pessoas de qualquer lugar do mundo.
O que me parece é que o consumidor não está preocupado se o mod é pirata ou não, assim como tbm não se preocupa se o Netflix ou o Spotify estão em dia com quem vende o produto pra eles, só que o verdadeiro fã da música não vai querer só a conta do Spotify ele vai adquirir o vinil capa dupla com fotos e tudo mais. Isso também vai acontecer no jogo.
Como aspirante a designer de jogos, acredito que permitir uma forma simples de ofertar o jogo seja uma ótima ideia para difundir tanto o jogo quanto o hobby. Jogos como City of The big shoulders tiveram seu pnp oficial no BGG.
Porém não só pnp's são o suficiente, se existissem projetos de tornar acessíveis jogos dentro de escolas públicas seriam ótimo, assim como luderias itinerantes e eventos, afinal entendemos os benefícios de inserir jogos de tabuleiro no cotidiano e não só se ampliaria e se tornaria acessível o hobby como também a cultura.
Pra finalizar, a Nintendo só entrou no Brasil a primeira vez por causa da pirataria. O 8 bits da Gradiente ganhou tanto espaço na America Latina nos anos 80 que a única forma que a Nintendo encontrou pra resolver isso foi permitir a produção do Nintendo no Brasil.
Grande parte da nossa cultura de jogos não existiria se não fosse a pirataria, muitos games designers nacionais (ou aspirantes como eu), não existiriam se não fosse a pirataria, atualmente estamos mudando isso, mas só graças a Gradiente ter pirateado o console da Nintendo, os cd's de 3 por 10 nós camelô e a Estrela ter trazido Banco imobiliário, Detetive e alguns outros.
Mais uma vez, parabéns pelo cast.
Fala Jairo, muito obrigado por ter ouvido o cast e comentado por aqui.
Vou te dar algumas respostas pessoais e que levam em consideração toda nossa conversa no cast, digo pq ajudou a elucidar ou me por pra refletir a respeito.
Te respondendo sobre o lance da revenda. Os jogos tem uma tiragem e a expectativa é esgotá-la... vamos imagina que houve sucesso nesse quesito, então nesse caso a revenda não afetaria em nada uma vez que o plano do negócio foi completado. Porém se não é o caso e a tiragem encalha, um plano cauteloso poderia prever e ter alguma saída pra isso, até baratear o jogo para reduzir danos. Embora esse seja um caminho possível ele não é o esperado, se os estudos foram feitos para uma tiragem coerente isso não deverá prejudicar a cadeia de produção ou pode ao menos deixá-la preparada para tal. A revenda do produto usado ainda é de um produto que saiu dessa tiragem, que estava dentro desse plano.
Sobre a locação e TTS: entendo que ambos são um meio de levar os jogos a conhecimento do público e podem ser um atrativo para venda. No caso da locação o jogador fica por um período limitado com o título e se sentir necessidade de alugar mais vezes provavelmente se dará conta de que seria melhor comprá-lo. O TTS é uma ferramente excelente na minha opinião, pois permite conhecer os jogos, jogar em horários alternativos oferecendo oportunidade de aumentar o tempo de jogo, afinal podemos fazer de casa sem a necessidade de deslocamento de ninguém. O TTS oferece uma experiência do jogo que nos permite uma compreensão mecânica, mas ele não cumpre o fator sinestésico e social de se reunir para jogar. Sendo assim, tem sido comum que jogando pelo TTS me vejo no interesse de comprar o jogo pra mim... a possibilidade de jogar pela plataforma mais instiga a aquisição do que compete com ela. Ocorre comigo e com muitos dos meus colegas de jogatina.
Toda a sua avaliação sobre pirataria é isso mesmo. É comum encontrar esse posicionamento e histórico apontando o que ocorreu anteriormente nesse aspecto. Por um longo período foi impossível não participar da pirataria em algum grau.
Valeu mais uma vez Jairo!