Em Julho, os criadores do jogo The British Way, Joe Dewhurst (desenvolvedor) e Stephen Rangazas (designer) abriram um tópico de perguntas e respostas sobre o jogo no BGG. Estou trazendo aqui a tradução das principais perguntas respondidas até o momento.
- P: Acredito que os 4 mapas compartilham o mesmo conjunto de peças. E quanto aos player aids, todos eles são únicos? E sobre o número de jogadores, é o mesmo para todos os 4 jogos?
- R (Stephen R): Excelente perguntas. Diferentemente de jogos “multi-pack” antigos, todos os jogos nesse pacote são únicos e independentes que compartilham uma estrutura geral (uso de deck, sequência de jogo, como a vitória funciona) da mesma maneira que dois jogos da série COIN são similares. Os únicos componentes compartilhados nos 4 jogos são as peças de madeira e alguns marcadores (ex.: Tokens de Sabotagem/Terror). Cada um tem seu mapa, player aids, regras e cartas. Todos são de 2 jogadores. São como 4 jogos COIN em uma caixa que compartilham os mesmo componentes e mecânicas.
- P: Vai ter bots ou vai ser exclusivamente para 2 jogadores?
- R (Stephen R): Dada a natureza “multi-pack” do jogo (8 bots seriam necessários), The British Way não terá bots. Entretanto, a capacidade de solo dele é entre 7-8/9 na escala da GMT pois o jogo pode ser jogado por um só jogador “multi-hand” (cada mão jogando uma facção) mais facilmente do que outros jogos da série COIN por não ter tantas facções para gerenciar. Essa foi uma decisão difícil, sabemos o quanto vocês gostam de bots na série COIN, mas também queremos que o menor tempo de jogo, menor contagem de jogadores e menor complexidade signifique que as pessoas terão mais facilidade em achar adversários. Eu não sou contra bots no modo solo. Se os produtos “multi-pack” venderem bem e a GMT estiver interessada, um pacote de bots pode ser explorado no futuro, mas não no lançamento inicial.
- P: Esses jogos terão o mesmo nível de complexidade de Cuba Libre? Vai ser uma boa introdução do sistema COIN, baixando a barreira de entrada e tornando mais acessível?
- R (Joe Dewhurst): O nosso objetivo nesse jogo é oferecer uma introdução da série COIN para novos jogadores. Parte é simplesmente uma questão de tamanho: você só precisa aprender como duas facções funcionam em cada jogo e cada jogo pode ser jogado em 90 minutos desde que você saiba o que está fazendo, assim é mais viável de aprender e jogar em uma tarde.
Dois jogos são boas introduções para novos jogadores: Malásia introduz as “regras padrão” do sistema COIN, como “Suporte/Oposição”, “Varredura/Ataque”, “Reagrupar/Terror”, então seria um excelente passo para Cuba Libre ou qualquer outro COIN moderno para 4 jogadores. Chipre, por sua vez, é bem diferente de COINs já existentes, usando jogos mecanismos para representar pequenas ações (anti)terroristas em um ambiente urbano, e também com menos partes móveis do que os outros jogadores, então talvez seja mais fácil para um jogador completamente novo aprender. Quênia e Palestina modificam as regras de Malásia e Chipre, respectivamente, então seriam um excelente segundo passo após aprender os dois primeiros mapas.
Sabendo disso, os jogos são são “simplistas” de maneira alguma, cada jogo inclui características únicas que achamos que também serão interessantes para jogadores COIN experientes. Esperamos que esse pacote seja perfeito para aqueles que querem jogar um jogo rápido de COIN com um parceiro mais experiente e também ter uma gama de opções para introduzir novos jogadores na série (além de, claro, prover uma oportunidade de aprender mais sobre esses conflitos).
-R (Stephen R): A principal razão que cada um desses jogos são mais acessíveis (e caberem em uma caixa) é o formato para 2 jogadores. Eu diria que em termos de complexidade das facções em cada jogo, devem ser um pouco mais complexas do que em Cuba Libre, mas já que não há mais 2 facções para aprender a jogar, o jogo deve ser mais simples de ensinar a um novo jogador do que Cuba Libre. Estamos fazendo um jogo acessível, não simplista (parecido com Colonial Twilight, um jogo bem pesado do que a média da série COIN mas que é visto ser mais fácil pois só tem 2 facções).
Sobre cobrir cada conflito em partidas menores e baixa complexidade, eu escolhi especificamente esses conflitos britânicos porque eles eram menores e mais limitados (tanto politicamente quando militarmente) do que outros conflitos, como Vietnã e Argélia. Em outras palavras, eu quero que os jogos sejam menos intensos que Colonial Twilight porque isso reflete as diferenças da Malásia e Quênia com a Argélia. (Malásia é um conflito um pouco mais intenso do que os outros 3, há um cenário extendido para esse).
O trabalho já está sendo feito para o próximo jogo “multi-pack” e estamos focando em aumentar o tempo de jogo e complexidade nele para que seja algo um pouco mais complexo para o padrões COIN (mais espaços, peças e mecânicas) em cada jogo. Repito, eu escolho conflitos onde sinto que a maior complexidade combinando com os conflitos no pacote.
- P: Qual é o tamanho do deck em cada jogo?
- R (Stephen R): Dado o escopo limitado dos conflitos, achei que seria melhor que o jogo fosse mais curto. Em termos de tamanho de deck, cada jogo do The British Way têm 3 Campanhas de 6 cartas + 1 Propaganda, que é embaralhada com as últimas 2 cartas de cada pilha, ou seja, 18 eventos e 21 cartas totais. Cada jogo vem com um deck de 32 cartas para uma variação de jogabilidade nas partidas. Malásia, que é um pouco mais complexo que os demais, também tem um Cenário Extendido que adicionam 2 cartas para cada Campanha (totalizando 24 eventos).
Em jogos COIN de dois jogadores, as duas facções podem fazer o evento da carta, mesmo que os decks de The British Way sejam menores, eles ainda oferecem uma narrativa significativa nesses conflitos menores. Isso permite que os jogadores vivenciem cada um desses conflitos em uma partida relativamente curta (60-90 minutos) enquanto entendem o contexto histórico.
Colonial Twilight utiliza deck do tamanho para 4 jogadores, eu escutei de jogadores que o jogo pode ficar muito arrastado e repetitivo em cenários mais longos. O tamanho do deck é perfeito para o tipo de conflito representado no jogo. Já no The British Way, por ter menor escopo, o tamanho do deck também será excelente.
-P: Minha preocupação é que esse deck menor faça com que os evento sejam mais impactantes. Um benefício de série COIN é que não já muitos eventos que você precise memorizar para se dar relativamente bem no jogo, diferentemente de outros “card-driven games” como Twilight Struggle. Um deck menor, significa cartas saindo mais consistentemente, causando repetição nas partidas.
-R (Joe Dewhurst): Entendo a preocupação e acho que o que importa é o tamanho relativo total do deck em cada jogo comparado com as cartas que você joga. Cada jogo têm 32 cartas no total, mas apenas 18 são jogadas na partida (um pouco mais da metade), isso significa que é mais improvável de ver uma carta no jogo, tornando a memorização menos útil.
Compare com Cuba Libre, que usa um deck de 48 cartas no jogo normal, e tem eventos muito poderosos que você muito provavelmente irá ver. O jogador do Governo, por exemplo, deve assumir que ele vai perder o Suporte em Havana em algum ponto do jogo (por causa de cartas como Echeverría), então um jogador que conhece o deck pode esperar até essas cartas saírem antes de colocar Suporte em Havana. Essa situação não pode ocorrer em The British Way, já que você não tem como garantir que uma carta deve sair em cada partida.
Outro ponto de mitigação nesse ponto é que, assim como em Colonial Twilight, você não pode ver a próxima carta de Evento e ambos os jogadores podem estar elegíveis em qualquer evento, então não é garantido que você vai jogar os eventos que são mais favoráveis para sua facção.
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The British Way está em pré-venda no formato P500 no site da GMT e está em fase de testes. Previsão de lançamento é em 2022.
O tópico original em inglês pode ser visto no BoardGame Geek: https://boardgamegeek.com/thread/2697239/british-way-available-p500-pre-order-q-here