Olá! Eu sou um meeple. E vou contar um pouco da minha história nesta região localizada ao sul da França, um local propício para o desenvolvimento geográfico, porém marcado por intensas disputas que levaram a frequentes mudanças territoriais na disputa pelo poder.
Cheguei nesta região chamada Carcassonne com meus seis companheiros. A estrada principal era uma divisória: um lindo campo verde de um lado e uma área murada de outro. Resolvemos explorar as construções logo de cara, e o que vimos foi um lugar pequeno, porém com muito potencial de desenvolvimento. Não havia uma classe dominante no local e ao longo dos anos ganhamos tanto prestígio e respeito com a população, que nossa influência nos levou ao poder. Enquanto um de nós governava a cidadela, os demais saíam em busca de expansão territorial.

Uns eram direcionados para traçar rotas comerciais pelas estradas, outros começaram a levantar seus próprios muros e logo verdadeiros castelos eram erguidos no interior da cidade. Como disse, formamos um grupo de sete meeples influentes em Cascassonne e vivíamos tranquilamente observando a região prosperar.
Conforme nossas construções se expandiam e novas estradas eram abertas, nosso domínio despertou a atenção de meeples rivais. E eles chegaram com tudo. Em igual número, os sete meeples invasores chegaram tomando nossos castelos, entraram nas rotas comerciais pelas principais estradas e, contrários à nossa ideologia e crença, tentaram impedir a expansão das igrejas e monastérios — sim, em nossas divisões de atividades, atuávamos tanto na política expansionista e territorial quanto na religião, construindo monastérios para manter a fé da população.
Engana-se, porém, quem pensa que essas disputas eram violentas. A batalha dos meeples seguiu por muitos e muitos anos e não era raro que grandes construções, sendo iniciadas em lados opostos em determinada área, se juntassem. Como então resolvíamos os conflitos? Quem dominava o local? A solução: os meeples que chegavam em maior número tinham o controle! Abdicávamos do poder caso o adversário concluísse suas construções em maior número que nós e vice-versa. Caso chegássemos em três, contra apenas um ou dois dos outros meeples, ficávamos com o controle daquele local. Essa era a lei pela disputa pacífica! E no caso da construção de uma cidadela ou nova estrada ser concluída e dominada por um meeple de cada lado, ambos nos retirávamos, compartilhando os ganhos. E aí partíamos para a próxima empreitada! Carcassonne se tornou um lugar multicultural!
Assim seguíamos nós, meeples, contra os meeples adversários, expandindo e nos encontrando quando nossos interesses conflitavam. Mas sempre na paz. Ainda assim, algum de nós precisava ser declarado o Senhor de Carcassonne. Mas como, se as construções eram intermináveis?
Os campos... Ah, os verdes campos... As cidades cresciam, as estradas davam voltas e se bifurcavam, os monastérios agregavam mais fiéis… Os campos não podiam ficar abandonados! A Lei dos Meeples pode parecer estranha para humanos, mas, em nossa sociedade, ela funciona. Qualquer um de nós que estivesse cansado das disputas materiais, se julgasse que sua contribuição nos castelos e vias de acesso tivesse sido suficiente, poderia atuar nos campos, supervisionando cada muralha conectada ao gramado externo. Logo, o meeple deitado na relva que se estendesse ao maior número de castelos, este sim, poderia ser considerado o mais feliz, o Senhor de Carcassonne!
Nossa história nunca virou um filme ou série ou é contada em livros didáticos. Mas foi registrada também de acordo com as nossas leis. Meeples ensinam a história interativa de Carcassonne, contada e recontada através de um jogo de tabuleiro, onde jogadores humanos nos personificam e recriam as batalhas peça por peça, contruindo castelos, estradas, monastérios e campos. A cada vez que a história é contada, o resultado do confronto é sempre diferente, mas isso não importa. Na história dos meeples de Carcassonne, impera a alegria e domina a diversão.