Apesar de estar na Spiel por cinco dias a cada ano e sendo cercado por centenas de jogos novos e antigos, eu jogo apenas um punhado de jogos na Essen, e os jogos que eu jogo tendem a ser protótipos, porque eu tento ficar à frente do calendário de divulgação, a fim de fazer um serviço para você, gentil leitor.
Dos jogos que eu joguei, eu joguei um deles duas vezes em dias diferentes: o protótipo de Four Gods, que deve sair em 2016 do designer Christophe Boelinger e sua empresa Ludically. Four Gods me chamou a atenção no evento noturno da Asmodée que introduziu próximos jogos para seus distribuidores e grandes parceiros de varejo, graças à afirmação de Boelinger que este projeto é único pois leva menos tempo para jogar quando você tem mais pessoas na mesa.
No jogo noturno, eu assisti as pessoas jogando (como descrito abaixo), então tinha de experimentá-lo eu mesmo. Boelinger mais tarde trouxe o protótipo Four Gods para a cabine do BGG, e nós gravamos uma visão geral do jogo, bem como uma partida completa em dezessete minutos com pontuação.
Four Gods é um jogo de colocação de tiles em tempo real onde os jogadores criam um mundo - um tile por vez - antes de reivindicar para um dos quatro deuses de seu mundo e tentar ganhar seguidores ao enviar profetas naquele mundo.
Em maiores detalhes, os jogadores ficam fora da borda de cardboard que representa o limite do mundo. Cada jogador começa com dois tiles aleatoriamente pegos em sua mão, com cada tile dupla-face descrevendo 1-3 tipos de paisagem dos quatro tipos presentes no mundo.
Quando o jogo começa, cada jogador simultaneamente coloca tiles no tabuleiro; cada tile deve ser adjacente a dois lados para ser colocado, então inicialmente os tiles podem ser colocados somente nos cantos do quadro, com os jogadores construindo dai para dentro. Os jogadores podem colocar tiles em qualquer lugar, desde que seja legalmente possível (dois lados adjacentes ao quadro ou aos tiles previamente colocados e todas as paisagens combinando com as bordas dos tiles).
Ao invés de colocar um tile, um jogador pode colocá-lo em sua área de descarte pessoal, que pode ter no máximo dez tiles. Quando um jogador tem ambas as mãos livres, ele pode pegar dois tiles novos do saco; alternativamente, qualquer jogador com uma mão livre pode pegar qualquer tile em qualquer área de descarte e colocá-lo no mundo.
A qualquer momento durante o jogo, um jogador pode reivindicar um dos quatro deuses e os seguidores daquele deus. Cada deus é associado com uma paisagem especifica, por exemplo, o deus Tritão. Quando um jogador tiver seguidores, eles podem colocar um profeta em um tile que acabaram de colocar para reivindicar aquela porção da paisagem. Os jogadores podem colocar qualquer número de profetas em uma paisagem, desde que estejam colocando cada profeta em um tile que acabaram de adicionar no mundo.
A qualquer momento durante o jogo, se um jogador achar que uma parte do tabuleiro não pode ser completada com um tile, - por exemplo um espaço que está cercado por quatro tipos de paisagens - este jogador pode colocar um marcador circular de cidade naquele espaço. Então qualquer um pode reivindicar aquela cidade com um profeta. Se um tile que combina for achado posteriormente, um jogador pode “destruir” e reivindicar aquela cidade, substituindo-a com o tile.
Quando o mundo estiver cheio ou os jogadores concordarem que não há mais tiles a serem colocados, o jogo termina. Cada jogador fará 5 pontos para cada cidade ocupada ou destruída. Cada paisagem com um ou mais profetas vale um número de pontos para o jogador com mais profetas no local igual ao número de tiles naquela paisagem menos o número de profetas que lá estejam. A paisagem com a maior área recompensa seu deus com um grande bônus, com a segunda e terceira maior área recompensando seus deuses com bônus menores; similarmente, a paisagem que aparecer nos mais diversos grupos recompensa seu deus com um grande bônus, com o segundo e terceiro maiores grupos novamente recompensando seus deuses com bônus menores.
Cara, to trabalhando num jogo bem parecido com esse tanto na temática quanto nas mecânicas. Nele, os jogadores representam Titãs que estão terraformando um novo mundo. Essa "terraformação" consiste em colocar tiles da sua mão no tabuleiro (que começa vazio), até que o mundo esteja completamente formado.
Uma das principais diferenças é que no meu jogo, além de posicionar terrenos os jogadores também precisam populá-los com civilizações, que podem evoluir, migrar para outros terrenos e conquistar terrenos inimigos, além de coletar diferentes tipos de recursos (que, por sua vez, têm várias utilidades). Claro que existem várias outras regras pra definir ordem de jogada, pontuação dos jogadores, etc... mas o conceito é o mesmo.
A ideia surgiu a partir de um cenário de RPG que eu desenvolvi há muito tempo. (Em meus devaneios tolkienianos juvenis) Cheguei até a elaborar a história da criação desse mundo. Kkkk
Design de jogos é uma coisa que me deixa empolgado, mas sempre me frustro quando descubro algum jogo novo com um tema e/ou uma abordagem das mecânicas muito parecida com a dos meus joguinhos.