Bem-vindos de volta à série de posts com o título mais empolgante da Ludopedia! O impulso de clicar no link é irresistível, eu sei.
Duas semanas de trabalho intenso (e meu trabalho é escrever) me impediram de narrar as jogatinas mais recentes, que tiveram partidas excelentes de Fighting Formations, Rattus, Innovation, Clans, Taj Mahal, Scythe, Power Grid, Takenoko, Bohnanza: The Duel, Caverna: Cave vs Cave... Todos esses relatos se perderão... no tempo... como lágrimas... na chuva. 
Mas voltemos ao sábado. Foram cinco jogos -- dois da minha sacola, dois da sacola do Ricardo (Gamapol) e um do acervo da Ludoteca. Quórum baixo de três jogadores (além de nós, estava por lá o grahal), mas o caldo foi engrossado nas últimas duas partidas pelo André Segóvia, um dos sócios da loja.
Pra iniciar, uma partida com a minha cópia de Masons. Leo Colovini é meu designer italiano favorito: ele faz jogos meio abstratos, com uma arte bem peculiar (muitos diriam FEIA), mas eu adoro tudo nos jogos dele, inclusive a arte. Como ele também é filho de Deus e precisa botar leite na barriga das crianças, alguns dos seus jogos vêm sendo reimplementados, pra atingir um público mais jovem. Clans, de 2002, virou Fae, lançado inclusive no Brasil. E Masons está prestes a ser relançado como Castello Methoni.
O jogo acontece em um tabuleiro onde os jogadores vão construindo casas, palácios, torres e muros. Quando uma área é cercada, acontece uma rodada de pontuação, na qual cada um pode jogar uma ou duas cartas de objetivos -- configurações específicas desses quatro tipos de construção que dão um número variável de pontos. Regras simplérrimas num jogo que lembra um pouco Ticket to Ride, no sentido de que cada jogador tenta inferir que objetivos os outros estão tentando atingir e busca atrapalhar esses objetivos o melhor possível, ao mesmo tempo em que busca atingir os seus. Venci o Grahal pela diferença de um ponto, com Ricardo em terceiro alguns pontos atrás.

(Foto: Ricardo)
Na sequência, jogamos a cópia do Ricardo de Saga of the Northmen, um controle de área simples e relativamente rápido. Comecei mal: meus dois objetivos envolviam os bizantinos, mas minhas cartas de vikings e de drakkar não me ajudaram. Demorei a pegar o jeitão do jogo, e o primeiro round foi desastroso: eu tinha um ponto, enquanto Grahal e Ricardo já estavam nadando em disquinhos amarelos. No segundo round, fui melhor, pois consegui concentrar minhas forças nos locais onde precisava vencer batalhas: em Bizâncio e na Saxônia. Levei a pior na Saxônia e só consegui cumprir o objetivo bizantino, mas os outros também não foram lá essas coisas. Perdi muitos homens, mas todos foram pra Valhalla e ganhei muitos pontos de infâmia, que usei, no terceiro round, pra colocar todos os meus três líderes no tabuleiro. Melhorei meu desempenho, mas era tarde demais: Grahal levou a melhor; não me lembro quem ficou em segundo -- provavelmente o Ricardo. Não fotografamos o tabuleiro, mas aí vai uma foto do BGG (crédito: imagem 3555726):

O terceiro jogo da tarde foi King of Siam. A editora Histogame, especializada em jogos com fundo histórico, lançou apenas cinco jogos (dos quais tenho três, com o desejo de ter todos), mas todos são impecáveis: Napoleon's Triumph, Wir Sind das Volk, Maria, Friedrich, e este König von Siam. É um jogo delicado, que exige um cuidado extremo: você terá no máximo oito ações em toda a partida, e cada uma tem que dar um recado. Percebi que Grahal começou a investir em um final britânico (ingleses dominando 4 das 8 províncias da antiga Tailândia), enquanto Ricardo investia em seguidores vermelhos (Lao). Eu decidi esperar pra me posicionar, e fui me preparando pra um possível final britânico, equilibrando meus seguidores entre as três facções. Grahal mudou de estratégia nas rodadas finais e conseguiu a vitória apostando nos Rama na sua última carta; eu, com a última carta do jogo, só poderia jogá-la se ela me desse a vitória, o que não aconteceu. Fuén.

(Foto: Ricardo. Ficamos devendo o foco pra próxima)
Queríamos mais. Ricardo tinha Forum Trajanum na sacola, mas não sentimos a vibe de jogar um Feld médio-pesado. Ficamos então com As Torres de Arkhanos, localizado no extremo oposto em termos de peso e complexidade. Joguinho leve de drafting de dados, lembra Sagrada (o que não é bom), simples até demais na minha opinião. André jogou com a gente e, se bem me lembro, venceu. Não vi graça.
Agora precisávamos de mais uma partida. Eu queria terminar a noite de forma épica. Sugeri Tigris & Euphrates, meio que de brincadeira: apesar de saber que é o jogo favorito do André, não achei que Grahal e Ricardo fossem topar. Toparam. Eu e André explicamos as regras pros dois e começamos a jogar. Tinha tempo que eu não jogava T&E presencialmente, mas a cada lance eu ia me reapaixonando por essa obra-prima do Reiner Knizia. Ricardo e Grahal bateram cabeça, como é normal numa partida inicial de T&E, e eu calculei errado o resultado de uma guerra, joguei a vitória no colo do André e fiquei com a segunda colocação, mas nada disso apagou o brilho desse jogo que é impecável, perfeito, um clássico absoluto.

(Foto: Ricardo)
Que bela forma de terminar uma jogatina extremamente proveitosa. Terça tem mais, e depois parto para 10 dias de férias nas ilhas britânicas. Fui!
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