O Dia das Crianças chegou!
Esse é um dia de muita alegria e comemoração para a garotada, quase como um segundo aniversário no ano, já que as famílias, culturalmente, associam o dia a dar presentes para os homenageados – pobre da criança que faz aniversário no 12 de outubro, feliz do bolso dos pais dessa criança!
O Brasil é o único país do mundo que comemora a data no dia 12 de outubro, devido a um decreto presidencial de 1924! Curiosamente, foi só em 1955 que o dia começou a ser realmente lembrado comercialmente, devido a uma promoção realizada pela Estrela (a empresa de brinquedos), chamada ‘Semana do Bebê Robusto’. Dez anos depois, a Johnson & Johnson embarcou na ideia junto com a Estrela e lançou um concurso de beleza para bebês (O.o!), alavancando o 12 de outubro de forma definitiva no calendário comercial.
Meio milhão de cruzeiros?... Será que isso paga uns boletos?
E comercial o Dia das Crianças permaneceu, tanto que o volume de presentes na forma de brinquedos só não é maior do que no Natal. Esses brinquedos, inclusive, são avidamente esperados e freneticamente aproveitados pelos pequenos. Mas se você convive com crianças, já deve ter percebido que, em geral, esse êxtase passa super-rápido. É claro que têm esse ou aquele brinquedo que a criança vai aproveitar mais, e com o qual vai se manter empolgada por mais tempo... mas não é incomum ver o brinquedo largado, esquecido, uma ou duas semanas depois, como se a alegria por tê-lo fosse uma bateria que descarregou.
Não me levem a mal. Vou falar o que estou prestes a falar
com o maior carinho: crianças são como gatos ou cachorros de rua. Quando você adota um gatíneo ou cachorríneo (se não é o seu caso, pensa naquela sua amiga que adotou), você quer fazer o bichinho feliz. Você quer que ele brinque muito e se mantenha entretido, ainda mais se você mora num apartamento e não tem condições de descer com ele tantas vezes por dia (pensando no cachorro, agora). E aí você compra uns brinquedinhos super elaborados, chiques, cheios dos paranauês e joga pro mamífero em questão brincar. Ele vai se entreter por alguns minutos, quicá algumas horas, mas no fim das contas vai preferir a caixa de papelão em que os brinquedos vieram. Ou uma sacola plástica. Ou os recibos do meu amigo Paulo. Ou a espuma dentro das almofadas do sofá da minha mãe. E eu vou te dizer uma coisa: o abençoado está certíssimo! Porque o importante mesmo não é o brinquedo, minha gente, mas o ‘brincar’.
Apolo e Jackie competindo pra ver quem come mais sofá
A criança funciona igualzinho: o brinquedo só vai continuar sendo interessante enquanto ele possibilitar uma brincadeira muito massa. Se de repente ela sentir que mais legal seria brincar de Tarzan em uma árvore, adeus mega-casinha-da-Polly. Ou então, aquele brinquedo eletrônico caríssimo que faz mil sons e só deveria ser usado dentro de casa, logo logo vai estar sendo arrastado pelo quintal como uma ‘prancha de surf espacial do Homem de Ferro ninja’ porque a brincadeira agora é essa! Já vi meu irmão de cinco anos ganhar um monte de brinquedos complexos e desistir deles de um mês pro outro porque é muito mais legal fazer machados e espadas medievais de papelão. E até minha filha de 11 meses outro dia largou no chão com desprezo uns bichinhos de apertar e fazer barulho porque viu uma garrafa PET e uma fralda descartável no outro canto do apartamento, e correu (leia-se: ‘engatinhou bem rápido’) para brincar com as bugigangas feliz da vida (ao funcionário do Conselho Tutelar que está lendo isto agora: eu juro que a garrafa estava limpa e a fralda só tinha xixi estava limpa também).

Ninguém forja armas de papelão como meu irmão
“Tá, onde você quer chegar, afinal, falando de brinquedo e fralda? Aqui não é um blog sobre jogo de tabuleiro?! Se ele falar que jogo é brinquedo eu vou...”
Calma. Acontece que eu e meus companheiros de Ludoteca acreditamos que os jogos de mesa – que não são brinquedos, pode largar essa barra de ferro! – são ferramentas poderosas do brincar. Os jogos podem apresentar novas realidades para uma criança se imergir, podem modificar as normas do mundo real, que a criança acha muito chato, podem estimular os recônditos cognitivos mais especiais do cérebro infantil, libertando a criatividade, o raciocínio lógico, a imaginação e até mesmo a moral e a ética – pois jogos têm regras. O jogo possibilita uma brincadeira ordenada, uma experiência rica de entretenimento com estímulos variados para a mente infantil: as cores das peças, os desenhos das cartas, a imagem do tabuleiro, os formatos das miniaturas, o barulho dos dados... ou o desafio que é desvendar como se ganha – e como se perde!
"Eu vou é fazer meu próprio jogo de tabuleiro gigante do Homem-Aranha Fúria-da-Noite"
E há uma vantagem extra dessa modalidade de brincadeira, uma que geralmente diferencia os jogos de tabuleiro dos jogos de videogame (não se esquecendo, claro, que existem videogames
multiplayer): os primeiros são coletivos! Sim, é fato que há jogos de tabuleiro com modo solo, mas em geral esse não é o objetivo primário da existência do jogo. O tabuleiro é pra ser compartilhado, a experiência envolve várias pessoas. Mesmo em jogos exclusivos para dois, você que joga não está ali sozinho, há uma outra mente envolvida, te desafiando e te estimulando numa competição saudável (espera-se!).
Se a gente junta essa característica do jogo de tabuleiro com a necessidade da criança por brincar – mais do que pelo brinquedo – o que nós temos? Sim, uma oportunidade inestimável de ter momentos lúdicos em família! E família aqui inclui qualquer aglomeração de duas ou mais pessoas, com parentesco ou não, que se amam e que fazem bem umas pras outras, combinado?!
Claramente uma família que se ama
O jogo de tabuleiro oferece uma alternativa ao individualizado uso do smartphone ou da atividade clássica e paradoxalmente solitária de assistir televisão todos juntos. Não quero ser radical aqui: é claro que haverá momentos de se usar o smartphone, e eu mesmo acho sempre muito divertido assistir filmes com minha família, especialmente se for
O Caminho para El Dorado, um clássico incansável. Mas a interação que o jogo de mesa proporciona é inigualável. Explodir doces coloridos sozinho em Candy Crush pode ser legal, mas explodir ingredientes coloridos junto com a família em Potion Explosion é mais legal ainda! Num filme, a família interage quando ri junto da mesma piada. Num jogo, a família interage a cada turno de jogador, a cada acerto sagaz, jogada inteligente e a cada erro bobo, jogada mal pensada (eu entendo que esse troço de interação pode não ser verdade se o jogo for um euro pesadão, mas você há de convir que em geral não vai ser esse o tipo de jogo mais ideal pra colocar em mesa com a família, né?)!
Nem Twilight Struggle, mas por outros motivos
Pensando em jogos infantis e familiares, sejam eles tradicionais como Cara-a-Cara e Jogo da Vida (aaargh!) ou modernos como Carcassonne e Ubongo, um dos aspectos mais positivos para a criança é justamente essa convivência com a família, a participação da família no brincar. Os jogos favorecem demais a conexão, a sintonia e a parceria entre crianças e seus familiares.
Quando os pais jogam com seus filhos, além de se divertirem juntos e criar momentos memoráveis, eles podem ensinar a criança sobre virtudes, sobre a importância de seguir as regras e de não trapacear em nenhuma situação. Quando irmãos jogam juntos, eles podem aprender sobre o valor de cooperar, ou de competir de forma saudável, sem tripudiar (às vezes leva um tempo xD ). Quando a família joga junto, vencer ou perder se tornam secundários, e a criança tem grandes chances de crescer entendendo que o mais importante é aproveitar o momento.
Família comprometida com jogo de tabuleiro é isso
Há jogos mais adequados para cada idade e cada um deles será capaz de auxiliar no desenvolvimento de habilidades e capacidades específicas na criança. Se prepara pra listinha, que ela não é curta: Se estamos falando de um brotinho de gente, desenvolvendo as habilidades motoras,
Animal Upon Animal é uma ótima! Para treinar reconhecimento de padrões e atenção,
Flap Flap é interativo e
Dobble é dinâmico. Raciocínio lógico e agilidade na tomada de decisões é com
Bolachas! e
Fantasma Blitz para os mais novos, e com
Pit Crew para os não tão novos. Esse último também é show para consolidar operações matemáticas simples, assim como
1, 2, 3, que por sua vez é uma excelente pedida para treinar a memória, bem como
Leo e
Cocoricó, Cocorocó!.
Ubongo estimula o raciocínio geométrico,
O Pequeno Príncipe estimula a lógica espacial (em ambos os sentidos xD),
Fábrica dos Sonhos desenvolve a contação de histórias e
White Stories e
Abracada...que?, de maneiras completamente diferentes, favorecem o pensamento dedutivo.
A Troupe dos Porquinhos, de forma muito simples, faz a criança confrontar escolhas estratégicas.
Fila Filo,
A Torre Encantada e
Dr. Eureka possuem elementos tridimensionais e além de treinar o raciocínio lógico, expõem a criança a princípios da Física e da Química de forma suave.
Imagine e o famoso
Dixit são fantásticos para estimular a criatividade e a imaginação. E por aí vai (eu poderia continuar, mas o parágrafo já está desesperadoramente imenso)...
Quero jogar TODOS com minha filha *-*
Acho que consegui mostrar meu ponto: são tantas opções, com tantas vantagens diferentes que, se couber no orçamento familiar, não há porque os jogos não fazerem parte do cotidiano familiar. Um dos nossos sócios aqui da Ludoteca, o Saulo, diz que o jogo de tabuleiro perfeito para a família é aquele que pode ser jogado cada vez com menos peças. E faz sentido, porque aquele jogo favorito vai ver tanta mesa, vai ser jogado tantas vezes, que inevitavelmente vai se desgastar. Mas tudo bem! É sinal de que a vida desse jogo terá valido a pena. E com certeza ele terá criado momentos de diversão e brincadeira inesquecíveis para toda a família.
Porque eu reitero: o brincar não deveria ser exclusivo das crianças. Não deveria ser visto como atividade infantil e ponto final. A brincadeira depende do outro. Quando são irmãos, a equação até consegue se resolver bem: eles brincam juntos, fazem companhia uns para os outros. Filho(a) único(a) é um pouco mais complicado. É claro que a criança brinca, mas, sem outras crianças por perto no dia-a-dia, até as brincadeiras são diferentes. Mas seja como for, quantas sejam as crianças em um lar, e qualquer que seja a frequência com que interagem com outras crianças, a participação dos outros familiares é crucial no processo de descoberta lúdica do mundo!
Uma das minhas famílias
(Pai, mãe, irmãos, mim disgurpem, as fotos com vocês estão no HD e acordaria a neném se eu tentasse pegá-lo!)
Quanto mais a família se envolve, melhor para o desenvolvimento afetivo e social dos filhotes! O pai, a mãe, o tutor, o irmão mais velho, a tia, o avô, a prima mais velha, todo mundo deveria participar. Não havendo incapacidade física, toda a família deveria brincar com as crianças, participando ativamente dos seus sonhos e aprendendo na prática como aquelas cabecinhas curiosas funcionam.
E como acreditamos que o brincar deveria ser apropriado pela família toda, nós da Ludoteca temos muito orgulho de ser parceiros da EBA Brincadeiras Criativas, uma iniciativa inovadora aqui de Brasília que busca aproximar os pais e seus filhos ao estimular o ‘brincar junto’ como parte fundamental do dia-a-dia do lar. A Lara e a Sarah da EBA são apaixonadas pela interação familiar e fabricam com todo o carinho e criatividade kits-surpresa temáticos mensais, que são caixas com materiais e atividades sugeridas, no estilo ‘faça-você-mesmo’, para a criança se divertir com os pais ao longo da semana e no final de semana, em casa e pela cidade. É simplesmente genial. Pense numa Mystery Box em que, ao invés de vir cheia de itens geek, vem recheada de brincadeiras! Para conhecer melhor o trabalho incrível – e necessário! – que elas duas desenvolvem, não deixe de prestigiar o
site oficial da EBA.
Esse dia foi superlegal 
É isso. Versão TL;DR (
“muito longo; nem li” em inglês) é basicamente: Dia das Crianças tá aí à brincadeira é mais significativo que brinquedo à jogo de tabuleiro funciona como uma brincadeira incrível à a família devia brincar junta à conheça a EBA Brincadeiras Criativas.
Ah! E é claro que eu sou suspeitíssimo pra falar, mas deixo aqui uma sugestão de Dia das Crianças a título de conclusão: Se quiser presentear uma criança hoje, não dê presentes, dê sua presença. Mas se mesmo presente você quiser comprar alguma coisa, porque não um jogo de tabuleiro?^^
Feliz Dia das Crianças pra quem curte um jogo de tabuleiro!
(Mentira, ele tava felizão era com esse lego)
[Crônica originalmente publicada em 12 de outubro de 2018, no Blog da Ludoteca - blog.ludoteca.com.br]