Saudações colegas do hobby!
Deus é um dos meus jogos preferidos, já que trabalha bem a mecânica de construção de motor (engine building), que é uma das minhas favoritas, em um tempo relativamente curto de partida (1 a 1h30m).

Trata-se de um eurogame de peso médio criado por Sébastien Dujardin e publicado pela Pearl Games em 2014. É um jogo para 2 a 4 jogadores, com partidas de aproximadamente 60 a 90 minutos, focado em engine building, gerenciamento de recursos e posicionamento no mapa. Infelizmente este jogo não foi lançado no Brasil, porém outros títulos de peso do mesmo autor já foram lançados, como o Troyes e Black Angel.
Como se joga
O objetivo é desenvolver sua civilização e terminar a partida com mais pontos de vitória, como todo bom jogo euro.
Em cada turno, o jogador faz uma de duas possíveis ações:
1. Construir um edifício: para isto primeiramente se joga uma carta da mão, paga o custo em recursos, coloca o edifício correspondente no mapa e executa o efeito do novo edifício e também de todos os edifícios na mesma coluna em seu tableau, criando uma cadeia de efeitos (combos).
2. Fazer uma oferenda a um deus (descartar as cartas): escolhe uma ou mais cartas da sua mão e descartar, receber um benefício de acordo com a divindade representada (a carta de cima das descartadas), recompõe a mão para cinco cartas, recupera um edifício para poder construí-lo novamente.
Durante a partida os jogadores vão produzir recursos, movimentar exércitos, conquistar aldeias bárbaras, construir templos e fazer combinações entre as cartas para criar motores de produção cada vez mais eficientes.
A partida termina quando todas as aldeias bárbaras forem conquistadas ou quando todos os templo disponíveis forem construídos. Vence quem vier mais pontos de vitória.
Pontos positivos
- excelente jogo de construção de motor: o forte deste jogo é seu sistema de combos, pois cada novo edifício construído ativa ele e todos os demais da coluna, o que torna altamente satisfatório;
- regras simples: possui regras bastante enxutas, o que se torna fácil de explicar, pois são apenas 2 ações possíveis no jogo. A profundidade do jogo está em sua estratégia e não nas regras.
- diversos caminhos para a vitória: pode-se seguir o caminho da expansão territorial, foco no militarismo, na economia, na construção de templos, na produção de recursos e na pontuação das cartas. Isto aumenta em muito a rejogabilidade.
- pouca dependência da sorte: apesar da compra das cartas ser às cegas, você vai descartar diversas vezes as cartas para obter recursos e renovar a mão.
- bom tempo de jogo: uma partida gira em torno de 1 a 1h30m, o que é um bom tempo para jogar.
- escala bem em qualquer quantidade de jogadores: como o setup do mapa é diferente de acordo com a contagem de jogadores, ele funciona muito bem desde 2 a 4 jogadores.
Pontos negativos
- interação limitada: não existem conflitos e a interação neste jogo se limita em ocupar os espaços, bloquear a expansão e disputar as aldeias. Aqueles que gostam de conflitos podem ficar decepcionados.
- curva de aprendizado: é preciso jogar algumas partidas para entender a sinergia entre as cartas e criar combos eficientes.
- arte questionável(?): algumas pessoas podem se queixar da arte, mas isto é algo pessoal. Os componentes, apesar de ser em madeira, não são impressionantes.
Quem gosta de Terraforming Mars, Ark Nova, Race for the Galaxy e Wingspan com certeza vai apreciar este jogo!
Veredito
Deus é um dos eurogames mais subestimados de sua geração. Seu sistema de ativação em cadeia das cartas cria uma sensação muito recompensadora de evolução da civilização, enquanto as regras permanecem elegantes e relativamente fáceis de ensinar. Embora a interação entre jogadores seja moderada e a produção não seja tão luxuosa quanto a de títulos mais recentes, a profundidade estratégica e a alta rejogabilidade fazem dele uma excelente opção para quem gosta de jogos de gerenciamento de recursos e construção de motores. Muitos jogadores experientes o consideram um "clássico escondido" que merecia maior reconhecimento.