Disclaimer: "o texto abaixo não é uma recomendação de compra ou necessariamente verdade absoluta. Ele tem apenas o intuito de colaborar com a comunidade sob a ótica de um player isento que acredita que sua opinião possa ajudar outras pessoas e enriquecer o hobby."
Venho aqui compartilhar com vocês uma história jogando Xingu. Aviso de antemão que não é um review. É quase um conto.
Minha sobrinha, à época com 13 anos, certa vez veio passar uma semana de férias aqui em casa. Sempre quando reuníamos em família, acabávamos por jogar um jogo ou outro e ela sempre jogava.
Nesta semana em específico que estava passando a semana aqui em casa, virou para mim e disse que queria jogar o jogo mais difícil que eu tinhe e que queria também jogar o Xingu, ela curiosamente não sabia que o Xingu era de fato o meu jogo mais difícil. No BGG ele tem nota 3.83 - no momento que escrevo.
Não sei se de fato, a nota do BGG seja relevante neste caso, visto que tenho muito conhecimento de como é a recepção deste jogo fora do Brasil, mas independentemente da nota do BGG, eu o considero o mais complicado da minha pequena coleção.
Eu expliquei para ela que o que ela queria realmente ia ser difícil, pois eu já havia tentado uma vez jogar Xingu com um amigo com mais experiência em boardgames pesados e ficamos em mais ou menos 3 horas e meia jogando, sofrendo com várias consultas ao manual sem aproveitar bem a experiência.
E como ela queria muito, fizemos um combinado de que jogaria com ela porém precisaria que ela jogasse alguns jogos mais complexos comigo antes dele para se acostumar (preparar na verdade) com o peso do jogo.
A experiência dela até então era: uma boa quantidade de partidas de Coup, The Resistance e Clue, poucas partidas de Pandemic, Whistle Stop, Tikal e King of Tókyo enquanto o jogo que ela mais jogou foi de Istanbul.
Eu achava que ela não tinha tanta experiência assim para jogar o Xingu, então demos uma passada por alguns jogos mais complexos da minha lista até chegar em Xingu, pois eu também tinha medo dela se frustrar com o jogo em vários aspectos, inclusive, já que ela tinha lido na capa do Xingu: "Eles tinham paz, mas o homem branco trouxe a guerra" e o jogo não é lá a guerra que se imagina ou que parece ser no enunciado do título.
Passamos a semana jogando gradualmente alguns jogos mais complexos da minha coleção até que na sexta feira a noite, preparei a mesa, dei uma recapitulada nas regras e após comermos um sanduíche, com a barriga cheia, iniciei o cronômetro ao começar a explicar o jogo, as regras, como jogar, os personagens, os componentes, repassei alguns pontos, tirei várias dúvidas, reexpliquei algumas coisas, como regras e ação de personagens, dei alguns exemplos, pulei a pontuação e as cartas bônus nesse momento, enfim, após 52 minutos de explicação, esboçamos a primeira rodada para ela entender como funcionava tudo que eu expliquei da forma mais didática que eu consegui.
Simulamos a primeira rodada, depois resetamos o tabuleiro e começamos a partida de verdade. Fiquei surpreendido de como ela pegou o jogo bem, de como ela assimilou algumas mecânicas do jogo comparando com outros jogos que jogamos. Ela percebeu coisas que eu não tinha percebido. Ela me ajudou a entender melhor o jogo e ter uma experiência melhor de quando joguei pela primeira vez.
Jogamos algumas regras erradas até metade do jogo, mesmo eu consultando por várias vezes o manual. De certa forma, pode ser minha culpa em não estar tão preparado para repassar todo o manual e lembrar de certos detalhes e outras vezes eu abri mão para o jogo ficar um pouco mais flexível.
Jogamos até quase duas da manhã, o cronômetro chegava em quase seus 240 minutos quando o jogo terminou. Fizemos a pontuação final e ela ganhou.
Agora que a história acabou, vai ter review? Talvez a parte do meu review (que não é um review) comece a partir daqui:
Depois de duas partidas, ainda não consegui aproveitar o jogo como ele é e sinto que estou longe disso. Não consigo também avaliar se é um jogo bom ou não, no entanto, sinto que é um jogo que não dá para falar que é ruim. Estou trabalhando para digeri-lo mais vezes. Jogando em dois jogadores parece que não dá para apreciar a pegada do jogo além de que tive a sensação de que em dois ele demora mais, já que só dois jogadores podem comprar cartas de recursos disparando doenças e escravidão, mas dá para perceber que é de um potencial incrível.
Tenho algumas considerações após jogar o jogo mais pesado da minha coleção. Quero jogá-lo ao menos umas 10 vezes antes de fazer uma análise coerente do jogo, porém me diverti mais dessa segunda vez do que da primeira. Quem tem experiência em jogos pesadões, é assim mesmo, só vai percebendo a medida que vai jogando?
Vou descrever o que ela me explicou sobre o que achou do jogo ao final da partida: o tema chamou demais sua atenção, ela gostou de como os personagens são trabalhados, gostou da lógica que as etapas de escolha do personagem e ação acontece. Quando descobriu que a linhas telefônicas estavam ali para importunar ela, assim como o "homem branco"... ficou invocada comigo e disse que teria volta.
Sobre as fases de doença e escravidão é uma pitada de tempero no jogo, que com mais jogadores e aquele planejamento para conseguir disparar na hora certa, se prejudicando o mínimo possível e acertando em cheio todas as outras tribos. Deve ser satisfatório olhar para todo mundo chateado.
O último ponto que ela comentou foi que a frase da capa não teve muito a ver com o que ela imaginou que seria o jogo mas ainda sim gostou e quer jogar de novo.
Por fim: Xingu segue uma incógnita, mas em 2 ele não mostra seu potencial porém empolga com tudo que tem. Talvez jogos extremos e pesados não sejam a minha pegada, mas assim que eu conseguir discernir se Xingu é jogão ou não, venho compartilhar com vocês. E caso tenha sido só eu que não entendi na primeira partida como domar este jogo, me expliquem aqui como fazer? Busco aprender e quero muito isso.
Quando essa pandemia passar, certamente em vou tentar as combinações de 3 até 6 jogadores para falar o que achei de Xingu, mas é muito legal saber que tem um jogo nacional, pesado, bem amarrado, com um tema tão presente.
Espero que tenham gostado deste textão, que como disse, não é um review.