Por Ricardo Gama
Rovalde (Kalango Analógico) chegou na Funbox com uma mochila para demonstrar o protótipo de seu novo lançamento, A Última Fortaleza. Fechamos o grupo de teste com o Vegeta, Lucas e Mamoru. Eu fiquei olhando, para aprender as regras, e no meio do jogo, o Lucas revezou comigo, para que eu “sentisse” um pouco a jogabilidade.
A Última Fortaleza é ambientado em um cenário de fantasia medieval, onde os monstros foram aniquilados do mundo. Os heróis venceram a batalha e agora só falta uma fortaleza para eliminar por completo as criaturas hediondas e maléficas. As criaturas se agruparam neste local e disputam o poder da fortaleza, enquanto impedem os heróis de destruírem seu último refúgio.
Diferente de outros jogos, aqui os jogadores encarnam o papel dos líderes temíveis destes monstros, competindo entre si para alcançar a soberania na Última Fortaleza, e ao mesmo tempo cooperando entre si contra as hordas de heróis bonzinhos.
A princípio, o jogo base é feito para 3 jogadores, que escolhem 1 dos grupos: Imortais, Peles Verdes ou Draconianos. O Vegeta jogou com os Imortais, o Mamoru com os Peles Verdes e o Lucas (depois eu) com os Draconianos.
Quando o Rovalde começou a montar a mesa e o setup, eu não imaginava que coubesse tanto componente dentro daquela mochila! É peça pra caramba… e vale ressaltar: a arte está magnífica!!!!!!!!!!!!
Tabuleiro, ficha do jogador, figuras de cartão, tabela dos heróis, controle de recursos, melhorias da Fortaleza… cada imagem é cheia de detalhes, digna de personagens de histórias em quadrinhos bem ilustradas.
Tem muita coisa para fazer, o jogo é cheio de detalhes e regras ainda em construção. Um verdadeiro ameritrash, temático e complexo… bem do jeito que eu gosto…
Você tem duas formas de ganhar: evoluir o seu grupo conforme trilha personalizada (bem difícil) ou atingir 10 pontos de Influência (esta regra inventamos na hora; o Vegeta ganhou por ela, pois você ganha Influência quando completa cartas de objetivos; não sei se o Rovalde irá para frente com esta regra, mas nós gostamos…).
Os heróis entram no tabuleiro por pontos fixos e seguem trilhas até chegar na fortaleza e causar danos na construção. Soldados, arqueiros, bardos, ladinos, caravanas, guerreiros e outros personagens carismáticos formam o “inimigo” neste jogo. Os monstros precisam lutar contra eles no caminho, e impedir que os heróis cheguem até a fortaleza.
Quando um herói chega na fortaleza, ele causa danos nas construções e espaços dentro dela. Isto acarreta em ruínas, mais recursos para pagar quando construir edifícios dentro dela e se todos os espaços forem danificados, os jogadores perdem o jogo e o tabuleiro ganha.
Na sua vez, você pode fazer 2 ações, entre Ativar Unidades, Construir, Pesquisar, Recrutar e Comprar Cartas. No final do turno, os jogadores passam pela Fase do Conselho, onde um jogador é eleito para melhorar a Fortaleza com seus próprios recursos. Nesta hora que a Influência e Discussões falam mais alto. O jogador eleito precisa melhorar a fortaleza com Muros, Torres, Portões, Fossos ou Criaturas. Para isso, no seu próximo turno, ele faz somente 1 ação pessoal e a outra é obrigado a usar com a Fortaleza.
O jogo se passa em 4 estações (Outono, Inverno, Primavera e Verão) onde os heróis são mais fracos nas duas primeiras e extremamente fortes nas duas últimas.
Você precisa administrar 3 recursos: material, corpo e mana. Com eles, você consegue evoluir seu grupo, recrutar novas unidades, construir edifícios e pesquisar melhorias. Para adquirir recursos, basta ativar uma unidade em pontos específicos do tabuleiro, matar heróis ou descartar cartas de ação.
O combate é bem simples, onde você compara o valor de ataque de uma unidade contra a outra. No empate, as duas são destruídas. Quando você entra em combate contra um herói, uma carta de evento é tirada, e o valor de ataque, iniciativa ou outros efeitos é aplicado para o herói, deixando-o geralmente mais forte. Isso causa uma aleatoriedade bem-vinda, onde você precisa contar com variantes de força.
Conclusões
Alguns aspectos de A Última Fortaleza podem agradar ou afastar jogadores, como o fato dele ser competitivo e cooperativo ao mesmo tempo (exemplo: Arquipélago). Outro fator relevante é sua alta duração (de 3 a 6 horas) e complexidade, que se aproxima de jogos temáticos épicos, como Twilight Imperium e Arkham Horror.
Um fator negativo é o downtime (tempo que o jogador espera para chegar sua vez novamente) alto. Demos algumas sugestões para os componentes e informações que ficam nas fichas e figuras para diminuir este tempo de espera. Acredito que este tempo irá diminuir consideravelmente só no fato de mexer com o design, sem mexer na mecânica.
De resto, o jogo tem um grande potencial. Uma das coisas que eu pirei de forma positiva, foi quando o Rovalde explicou sobre o cenário e a história por trás de cada grupo. A ambientação e narrativa do jogo é detalhada e me levou a imaginar sessões de RPG com o cenário. Ficou muito bom!
Gostei da mecânica de movimento dos heróis, do sistema de combate, da luta por espaço para construir na Fortaleza, dos objetivos, das ações disponíveis, enfim… me diverti jogando.
Sabendo que este foi só um play test e conhecendo o cuidado e carinho que o Rovalde desenvolve, evolui e produz seus jogos, só tenho o que comemorar.
Indico para aqueles jogadores que adoram jogos temáticos, cheios de regras e detalhes, com forte ambientação e visual de altíssima qualidade.