Eu já não sou o mesmo jogador que entrou no hobby há mais de dez anos. Naquela época, eu e minha namorada — hoje minha esposa — frequentávamos luderias, jogávamos com amigos e tínhamos uma rotina completamente diferente.
Muita coisa mudou desde então. Hoje temos duas filhas pequenas, o tempo se tornou mais escasso e tanto nós quanto as pessoas ao nosso redor estamos em outros momentos da vida. Naturalmente, minha relação com o hobby também mudou.
Foi nesse contexto que descobri o prazer de jogar sozinho. Não como uma substituição menor para as partidas em grupo, mas como uma forma diferente — e, para mim, muitas vezes tão ou mais prazerosa — de viver o hobby. Continuo me sentindo desafiado pelas partidas, como acontecia quando jogava acompanhado, mas agora também encontro nelas um espaço para relaxar, esvaziar a cabeça e aproveitar um tempo que é só meu.
Nesse processo, fui entendendo melhor as minhas preferências. Descobri, por exemplo, que solos no estilo beat your own score funcionam melhor para mim do que partidas controladas com autômatas. Mais do que uma mudança na maneira de jogar, foi uma descoberta sobre a minha própria maturação dentro do hobby.
Em vez de tentar forçar encontros, horários ou o interesse das pessoas ao meu redor, encontrei no jogo solo uma forma legítima de continuar vivendo algo de que gosto. Um espaço particular, no meu ritmo, que atende a um desejo meu sem depender de que os outros estejam disponíveis para compartilhá-lo.